Ténis: Contestação dos jogadores serve de "mensagem" e é mais do que um "boicote aos media"

O logótipo de Roland Garros
O logótipo de Roland GarrosMATTHIEU MIRVILLE / MATTHIEU MIRVILLE / DPPI VIA AFP

A contestação das estrelas do ténis mundial, que prometeram limitar a 15 minutos as suas obrigações mediáticas antes de Roland-Garros na sexta-feira, é uma "mensagem de unidade" dos jogadores e não "um boicote aos media", defendeu esta quinta-feira junto da AFP o círculo próximo de uma jogadora de topo.

Uma fonte próxima dos melhores jogadores mundiais indicou na quarta-feira que algumas estrelas dos circuitos ATP e WTA, cuja identidade não foi revelada, iriam limitar a quinze minutos na sexta-feira as suas intervenções mediáticas no âmbito do tradicional media day que antecede o torneio.

Estes quinze minutos remetem para a dotação financeira dos torneios do Grand Slam, que segundo os jogadores equivale a cerca de 15% dos rendimentos das quatro principais provas do ténis mundial.

Há mais de um ano que membros do top 10 mundial e os seus representantes negoceiam com os quatro torneios do Grand Slam para aumentar para 22% a parte das receitas distribuída aos jogadores, sem que até ao momento tenha sido alcançado um compromisso.

A contestação dos jogadores "não é um boicote aos media, nem uma greve", insistiu na sexta-feira junto da AFP o círculo próximo de uma jogadora do top 10 mundial.

"Temos um respeito absoluto pelos jornalistas e pelo papel que desempenham", explicou esta fonte. Mas "após vários meses de discussões" infrutíferas com os torneios do Grand Slam, a limitação a 15 minutos do tempo concedido aos media na sexta-feira é "uma mensagem de unidade dos jogadores", argumenta.

"Os rendimentos dos torneios do Grand Slam aumentaram significativamente nos últimos anos, mas a percentagem desses rendimentos recebida pelos jogadores diminuiu", considera o círculo da jogadora. "Pedimos apenas uma distribuição mais justa e um sistema mais equilibrado para todos os jogadores", insiste a mesma fonte.

Apesar de os melhores jogadores mundiais já receberem milhões de euros em prémios, este movimento pretende defender o interesse de todos os membros do circuito, garante a fonte.

"Não se trata apenas de nós (os membros do top 10), mas de todos os que constroem este desporto – os jogadores que estão a construir a sua carreira, os que regressam de lesão e os que disputam o qualifying", sublinha esta fonte.

Está prevista para sexta-feira, em Roland-Garros, uma reunião que irá juntar membros da direção da Federação Francesa de Ténis (FFT) e alguns representantes dos jogadores, confirmou à AFP esta quinta-feira.