Nova Iorque queria finalmente coroar um vencedor americano de um Grand Slam e nem o último campeão da casa Andy Roddick quis perder a final. No entanto, desde as primeiras trocas de bola ficou claro que o número um alemão estava muito melhor preparado mentalmente para a batalha.
E quando Zverev pegou no microfone após a vitória para fazer o discurso de agradecimento, escolheu de forma algo provocadora a namorada de Ben Shelton – a celebridade do futebol Trinity Rodman, que assistia ao jogo na bancada. "Costumas ser um talismã da sorte, mas hoje não foi o caso", enviou-lhe uma mensagem para a bancada, arrancando risos ao público, embora o seu adversário americano não tenha ficado muito satisfeito.
No US Open, Zverev pode ter sido beneficiado pela ausência do número um mundial e, tal como no seu triunfo em Roland Garros, evitou o maior favorito. Em Paris, esteve ausente o lesionado Carlos Alcaraz, agora foi a vez de Jannik Sinner. Também o sorteio foi favorável, teve o caminho facilitado e só encontrou um verdadeiro adversário difícil – o número nove mundial, Shelton – já no final.
"Há uns meses, quando ambos estavam saudáveis, perdia sempre com o Jannik. E se todos estiverem em forma, penso que o Jannik continua um passo à frente", admitiu Zverev. Mas não se pode dizer que o seu título não seja merecido. O gigante alemão conseguiu elevar o seu nível e a taça é justamente sua.
Momentos-chave
Zverev – Sonego 6-4, 3-6, 6-7, 7-5, 6-4
Primeira ronda e podia ter acabado logo ali. Apesar de Lorenzo Sonego nunca ter chegado ao top 20 mundial, deu muito trabalho ao vencedor de Roland Garros durante quase cinco horas. Zverev sentiu logo de início o ambiente dos jogos noturnos e fechou o terceiro dia chuvoso do torneio. "O Lorenzo jogou como sabe. É um tenista fantástico", elogiou o rival, que esteve a um ponto de ter match point no quarto set.
Zverev – Halys 6-4, 4-6, 7-6, 6-7, 6-3
Também a segunda ronda não foi tranquila. O favorito voltou a precisar de cinco sets e terminou novamente muito depois da meia-noite. Ao contrário do duelo com Sonego, Zverev teve o encontro com Quentin Halys relativamente controlado e não permitiu grandes complicações. O problema foram sobretudo os break points desperdiçados – em 20 oportunidades, aproveitou apenas cinco. "Não joguei o meu melhor, mas são jogos como este que tenho de saber vencer. Mas agradeço sobretudo aos adeptos. A energia deles foi incrível. Aqueles poucos milhares que ficaram compensaram os outros 15.000 que saíram," agradeceu.
Zverev – Shelton 6-3, 7-6, 5-7, 6-2
O final não correu bem a Ben Shelton. No duelo entre dois grandes servidores, cometeu 47 erros não forçados (contra 31 de Zverev), o que acabou por ser decisivo. Apesar de o tenista alemão ter perdido a concentração com 2-0 em sets e ter dado alguma esperança a Shelton com alguns vóleis falhados, rapidamente corrigiu o deslize com um break e dominou o quarto set com segurança. O peso do momento pode ter afetado a esperança da casa, enquanto Zverev mostrou confiança e não deixou escapar o seu segundo Grand Slam da carreira.
Números importantes
2 – Alexander Zverev não só conquistou o seu segundo título de Grand Slam, como consolidou o estatuto de número dois mundial. Curiosamente, no ano em que venceu dois torneios de prestígio, só derrotou dois jogadores do top 10.
Tornou-se apenas o segundo tenista alemão na era Open a conquistar mais do que um título de Grand Slam de singulares masculinos numa só época. Antes dele, só Boris Becker conseguiu tal feito, em 1989, ao vencer Wimbledon e precisamente o US Open. E é também apenas o segundo jogador da Alemanha a conquistar o Grand Slam nova-iorquino.
96 – Foi com o serviço que Zverev impôs a sua autoridade no court. Ficou a apenas quatro ases da centena. Em comparação com o título em Roland Garros (55), fez mais 41! A força do primeiro serviço de Zverev é comprovada pelos 80% de sucesso nos pontos disputados. Mas não se pode dizer que tenha ganho o troféu só à custa do serviço. O alemão mostrou também grande qualidade no jogo de fundo e destacam-se ainda as estatísticas na resposta. Conseguiu o maior número de pontos tanto no primeiro (135) como no segundo (202) serviço adversário entre todos os jogadores do torneio.
23:11 – Alexander Zverev passou 23 horas e 11 minutos em court até conquistar o US Open 2026 – o segundo tempo mais alto da história desde que se começou a medir a duração dos encontros. Só o espanhol Carlos Alcaraz esteve mais tempo em court numa campanha vitoriosa, precisando de 23 horas e 39 minutos para vencer o US Open 2022.
Apesar de o público americano ter vivido o sonho de ver um campeão da casa e, ao fim de dois anos, voltar a ter um finalista local, Zverev manteve-se afastado dessa narrativa. "Eu não vou realizar o sonho americano", disse em tom de brincadeira após garantir um lugar na final, quando questionado sobre os 23 anos de espera desde o último triunfo de um americano num Grand Slam.
Em Nova Iorque, no entanto, convenceu definitivamente os críticos que durante anos lhe apontaram a incapacidade de vencer grandes torneios. Este ano, conquistou logo dois. E ainda por cima em superfícies completamente diferentes. Vencer Roland Garros em terra batida e o US Open em piso rápido na mesma época só foi conseguido por quatro jogadores no passado. Zverev juntou-se assim a Rod Laver (1969), Mats Wilander (1988), Rafael Nadal (2010) e Novak Djokovic (2023).
