De fato de treino preto, com o capuz sobre a cabeça, Novak Djokovic desloca-se discretamente por Manhattan. Na Times Square, em Nova Iorque, tira os óculos de sol e sorri para uma fotografia diante de um enorme ecrã de vídeo.
"Um pequeno aperitivo", escreve o recordista de títulos de Grand Slam no vídeo publicado no Instagram, onde promove um documentário sobre a sua carreira.
"O Lobo no Inverno" é o título – e o lobo volta à caça a partir de domingo, no US Open. Djokovic prepara-se para tentar o seu 25.º título de Grand Slam. Será a última vez em Nova Iorque?
Pensamentos sobre o fim da carreira cada vez mais presentes
Pelo menos, pensamentos sobre um fim de carreira próximo já têm algum peso para o tenista de 39 anos, como mostra o filme de cerca de 90 minutos (Amazon Prime).
"Já não consigo dedicar-me a esta vida a 100 por cento. Também tenho de ser marido e pai", admite Djokovic:
"Durante quanto tempo vou continuar a fazer isto? Porque é que insisto em exigir tanto de mim e da minha família, vezes sem conta?", questiona. O seu antigo treinador, Andre Agassi, também deixa um aviso: "O fim chega sempre depressa. Espero, por ele, que não espere demasiado tempo."
Ultimamente, Djokovic tem respondido de forma desafiante a perguntas sobre este tema. "Sei que há muitos anos muita gente me quer ver reformado. Mas continuo entre os cinco, dez melhores do mundo", descreveu a luta consigo próprio: "Porque é que hei de falar em retirada, se continuo a provar a mim mesmo que ainda consigo vencer?"
O sérvio continua a ser movido por dúvidas – apesar do recorde isolado de títulos em Majors, do maior número de semanas como número um mundial e de 101 títulos conquistados no circuito: "A sensação de não ser suficientemente bom acompanha-me sempre. Ainda hoje."
Final de sonho contra Zverev?
E esta questão é muito atual: será que ainda é "bom o suficiente" para vencer um Grand Slam? Desde a meia-final de Wimbledon, em julho, Djokovic só disputou um encontro. No torneio ATP de Cincinnati, teve visíveis dificuldades com as temperaturas e foi eliminado logo na primeira ronda. Mas isso pode não querer dizer nada: há já algum tempo que se foca apenas nos grandes eventos do circuito e, nos Majors, Djokovic continua a chegar regularmente às meias-finais.
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E a oportunidade para o seu quinto triunfo em Nova Iorque é maior do que há muito tempo: o número um do ranking mundial Jannik Sinner está ausente devido a problemas no joelho, e a forma do seu rival de longa data Carlos Alcaraz é uma incógnita após vários meses de paragem por lesão. Também o cabeça de série número um e vencedor de Roland Garros Alexander Zverev ficou aquém das expectativas nos torneios de preparação em Montreal e Cincinnati.
No caminho para o 25.º título, Zverev seria o último obstáculo de Djokovic, sendo que um confronto com o número um alemão só seria possível na final. O seu último título de Grand Slam foi conquistado há três anos – em Nova Iorque, no US Open.
