23 títulos do Grand Slam, 73 troféus do circuito e 319 semanas como número um mundial – quando para Serena Williams caiu o pano pela última vez, a 3 de setembro de 2022, no US Open, com todo o brilho e glamour, (quase) todos pensaram: acabou! "Oh meu Deus, agradeço-vos tanto a todos", disse a que é provavelmente a maior tenista da história, em palavras carregadas de emoção, no Arthur Ashe Stadium.
A questão sobre se poderia eventualmente mudar de ideias ficou sem resposta clara por parte da ícone, visivelmente emocionada, perante milhões de espectadores em todo o mundo: "Não creio, mas nunca se sabe." Agora, passados 1368 dias, Serena Williams está de volta – e o mundo do ténis está em êxtase.
Em Roland Garros, o atual centro do ténis mundial, a notícia espalhou-se rapidamente. "É mesmo incrível. Mas quando ela faz algo, fá-lo com convicção", afirmou Angelique Kerber, vencedora de três Grand Slams, que está a participar no torneio de lendas junto ao Sena: "Estou muito curiosa para ver como será o seu regresso, como tudo vai acontecer. Vai ser, sem dúvida, um grande acontecimento."
Na segunda-feira, os organizadores do torneio no Queen's Club, em Londres, anunciaram o regresso de Williams: a norte-americana, de 44 anos, vai participar com um wild card no torneio de pares em relva, a partir da próxima semana. Também no torneio WTA de Berlim (a partir de 15 de junho), Williams está a ser apontada como possível participante – sempre ao lado da jovem canadiana Victoria Mboko (19). Além disso, a presença no grande evento de relva de Wimbledon, no final de junho, que já venceu sete vezes, parece provável.
Singulares em Wimbledon em perspetiva
"Fiquei muito surpreendido, mas é evidente que ela tem planos. Não acredito que volte para não ganhar", afirmou a lenda do ténis, John McEnroe: "Ela vai jogar um pouco de pares. E depois talvez singulares em Wimbledon? Oh meu Deus, isso seria fantástico, muito interessante."
Também Williams, segundo o norte-americano, "não está a ficar mais nova. Mas é a Serena Williams. Por isso aposto que volta para ganhar tudo".
Nas suas redes sociais, Serena Williams tem publicado, de vez em quando, vídeos em que aparece aparentemente em boa forma física a bater bolas. Mas será que, nesta fase mais madura da carreira, ainda conseguirá competir com a elite mais jovem? Williams terá de o provar novamente. Já a sua irmã Venus, também ela outrora muito bem-sucedida e que ainda aparece ocasionalmente com wild cards, não o tem conseguido.
Por isso, a grande questão é: porque é que Serena se sujeita novamente a este stress? Para o seu antigo hitting partner, Sascha Bajin, a resposta é relativamente simples.
"Mesmo tendo duas filhas e inúmeros negócios de que tem de cuidar, acredito que ela se aborrece um pouco e precisa desta competição", disse o atual treinador da russa Diana Schnaider à Sports Illustrated: "Espero apenas que regresse com uma boa equipa a apoiá-la, que a ponha realmente em forma."
Bajin acrescentou que nunca aceitou verdadeiramente o fim da carreira de Serena. E, de facto, Williams deixou sempre uma pequena porta aberta, por onde agora regressa ao grande palco. Certamente com o objetivo de voltar a melhorar os seus impressionantes números.
