"Quando apanhas quatro anos" por recusar um controlo antidopagem, como aconteceu à vencedora de Wimbledon em 2023, a retirada do desporto "é inevitavelmente uma ideia que te passa pela cabeça", comentou Jan Exner. "As estatísticas mostram que a grande maioria dos desportistas nunca regressa após este tipo de suspensão. Mas claro, espero que não termine desta forma e que Marketa continue a lutar", concluiu o advogado.
Numa entrevista publicada na noite de quarta-feira pelo Times, a antiga número 6 mundial deixou entender que os quatro anos de suspensão impostos pela Agência Internacional para a Integridade do Ténis (Itia) podem pôr fim à sua carreira.
"Para mim, isto põe fim à minha carreira", afirmou a medalhada de prata nos Jogos Olímpicos de Tóquio em 2021. O processo "esgota-te física, mental e também financeiramente", testemunhou Vondrousova ao Times, que escreve que já gastou "mais de 200.000 libras (232.000 euros)" neste caso.
"Senti-me no fundo do poço durante sete meses", desde que recusou o controlo da Itia em dezembro de 2025, explicou a checa.
"Quis desistir tantas vezes, dizia ao meu advogado que não tinha energia para lutar. Corrói-me: todos os dias, pensas nisso ao acordar e ao deitar", afirmou Vondrousova, que aguarda a publicação da decisão integral da Itia para saber se a vai contestar junto do Tribunal Arbitral do Desporto (TAS).
Para Jan Exner, a decisão de recorrer ou não "caberá à Marketa".
"Mas desde o início, disse-lhe que achava que devia recorrer, que devia lutar. Porque, do meu ponto de vista, a história não devia terminar com este tipo de sanção que destrói uma carreira", declarou à AFP.
Marketa Vondrousova foi suspensa por quatro anos por ter recusado um teste antidopagem em dezembro de 2025, justificando a recusa com stress, problemas de saúde mental e receios pela sua segurança.
Argumentos que não convenceram o tribunal da Itia.
