“(A decisão) foi tomada de forma prematura e sem uma verificação adequada da realidade da cessação das violações que haviam conduzido à suspensão do Comité Olímpico da Rússia”, justificam os ucranianos, em comunicado.
Em 07 de julho, o COI anunciou o levantamento das restrições aos russos em competirem nos eventos mundiais, incluindo as qualificações para os Jogos Olímpicos Los Angeles-2028, limitações decretadas no outono de 2023: ainda assim, para já não recuperaram o seu hino nem a sua bandeira, ficando ainda sujeitos a um controlo antidopagem reforçado.
Esta posição surgiu exatamente dois meses depois de terem sido levantadas as restrições aos bielorrussos, neste caso plenamente reintegrados desde maio.
O Comité Olímpico da Ucrânia assumiu ter "oficialmente instaurado um processo no Tribunal Arbitral do Desporto (TAS), em Lausana, na Suíça, para interpor recurso da decisão (do COI)”.
No mesmo documento, é igualmente censurado o facto de a Rússia ter integrado nas suas estruturas organismos desportivos oriundos dos territórios ocupados da Ucrânia.
Aquando da comunicação do COI, o ministro ucraniano do Desporto, Matviï Bidny, considerou a reintegração dos russos "particularmente cínica".
Já as autoridades russas regozijaram-se com a decisão do COI, considerando que o movimento olímpico deveria "permanecer à margem da política".
A Rússia, historicamente das maiores potências desportivas mundiais, está privada das suas cores na arena olímpica desde o Rio-2016, primeiro devido a um escândalo de dopagem orquestrado pelo Estado, e depois devido à invasão da Ucrânia.
Em novembro de 2015, um relatório da Agência Mundial Antidoping (WADA) expôs um esquema institucional que ganhou acrescidas proporções em 2016 com as conclusões do Relatório McLaren e das denúncias de Grigory Rodchenkov, ex-diretor do laboratório antidoping russo, que confirmaram um esquema patrocinado pelo Estado.
Após um período de proibição total, o COI reintegrou progressivamente os seus desportistas a partir de março de 2023, sob certas condições.
Após a nova política do COI, a reintegração efetiva dos competidores russos nas estruturas mundiais tem variado consoante as disciplinas.
Em sentido contrário ao COI, a World Athletics reiterou que iria manter a sua política de exclusão de atletas, representantes e treinadores russos e bielorrussos, uma política que o organismo que dirige o atletismo mundial já tinha revisto em 2023, 2025 e março de 2026, argumentando que "nenhum progresso concreto em direção às negociações de paz se materializou".
Esta reintegração gradual dos desportistas russos, recomendada pelo COI às federações internacionais das respetivas modalidades, é acompanhada de exigências particulares no controlo antidopagem, “com vários testes, tendo em conta o ceticismo da comunidade desportiva mundial”.
A Rússia também não receberá eventos internacionais sob a égide do COI, nem os representantes do Estado serão convidados para qualquer iniciativa ou evento seu, ficando ainda a promessa de “acompanhar de perto” as suas atividades no país.
O COI prometeu pronunciar-se “oportunamente” sobre a utilização, durante os Jogos Olímpicos, da bandeira, hino ou qualquer símbolo russos, deixando, entretanto, cada federação internacional fixar as condições nas suas competições.
Quatro dias após o encerramento dos Jogos Olímpicos de Inverno de Pequim, em fevereiro de 2022, o exército russo invadiu a Ucrânia com o apoio da Bielorrússia, desencadeando uma série de sanções desportivas que se juntaram à indignação da comunidade internacional.
