O cortejo fúnebre do antigo atleta partiu da capela do Mosteiro dos Jerónimos, acompanhado por uma centena e meia de pessoas, grande parte adeptos do Belenenses, clube que atualmente disputa a Liga 3 de futebol e no qual figura como nome histórico, que entoaram cânticos de apoio e se fizeram acompanhar de uma tarja na qual podia ler-se a frase Eterno Vicente e colocando outra, à entrada do Estádio do Restelo, que tinha inscrito Vicente Lucas, para sempre um de nós.
Entre os presentes, realce para João Nuno, atual treinador do Estrela da Amadora, que disputa a Liga Portugal e treinou o Belenenses até outubro de 2025, assim como para os antigos companheiros de seleção António Simões e Hilário Conceição, ao lado dos quais Vicente Lucas disputou o Mundial-1966 ao serviço de Portugal.
A urna do antigo internacional português foi colocada no centro do relvado do Estádio do Restelo pelo plantel principal do Belenenses e outros atletas ligados ao clube, que o rodearam ocupando o círculo do meio-campo.
O corpo de Vicente Lucas foi depois colocado junto a um memorial, instalado à entrada para o relvado e junto à bancada poente inferior do Estádio do Restelo, onde foi aplaudido pela massa adepta do Belenenses e homenageado por Patrick Morais de Carvalho, presidente do clube lisboeta, antes de seguir para um minuto de silêncio junto do busto em sua imagem, inscrito no recinto ao lado de Matateu, seu irmão e também glória belenense, falecido em 2000.
Nascido em Moçambique, mas com dupla nacionalidade, Vicente Lucas somou 20 internacionalizações pela seleção principal de Portugal, quatro das quais na fase final do Campeonato do Mundo de 1966, em Inglaterra.
O antigo defesa, irmão do também magriço Matateu, foi totalista nos triunfos lusos no Grupo 3 da primeira fase sobre Hungria (3-1), Bulgária (3-0) e Brasil (3-1), jogo no qual ficou celebrizado pela marcação ao avançado Pelé, um dos dois vencedores do prémio de jogador do século XX da FIFA, a par do argentino Diego Maradona.
Vicente Lucas também jogou a tempo inteiro na reviravolta vitoriosa frente à Coreia do Norte (5-3), guiada por quatro golos de Eusébio - dois de penálti -, nos quartos de final, tendo, depois, ficado no banco de suplentes na derrota perante a Inglaterra (2-1), nas meias-finais, e no êxito sobre a então União Soviética (2-1), que deu uma inédita medalha de bronze a Portugal.
A nível de clubes, o ex-central só representou o Belenenses como sénior e somou 284 jogos entre 1954 e 1967, tendo conquistado uma Taça de Portugal em 1959/60, numa final frente ao rival lisboeta Sporting (2-1).
Com a morte de Vicente Lucas, que ainda chegou a treinar o Belenenses, apenas quatro dos 22 convocados por Portugal para o Mundial-1966 estão vivos, nomeadamente António Simões, José Augusto, Hilário Conceição e João Lourenço.
