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Varandas justifica mudança na equipa técnica e elogia Rui Borges: "Fez um trabalho muito bom"

Atualizado
Frederico Varandas, presidente do Sporting, na apresentação de Paulo Fonseca
Frederico Varandas, presidente do Sporting, na apresentação de Paulo FonsecaJOSE SENA GOULAO/LUSA

Frederico Varandas, presidente do Sporting, oficializou esta quarta-feira Paulo Fonseca como novo treinador da equipa principal. O dirigente leonino começou por deixar vários elogios a Rui Borges e justificou a escolha do agora antigo treinador do Lyon. Leia as declarações abaixo.

Declarações iniciais de Frederico Varandas

"A minha primeira palavra vai para o Rui Borges e equipa técnica. Agradeço estes dois anos e excelente trabalho em prol do clube. Depois, para Tiago Fernandes e equipa técnica pelo profissionalismo com que encararam a missão de dirigir a equipa com pouca preparação. Antes de apresentar o novo treinador, é de inteira justiça falar mais de Rui Borges e do porquê da decisão". 

"Confesso que fico com alguma surpresa, ou não, quando se analisa o trabalho de Rui Borges como algo que fracassou. Podia avaliar numa escala de medíocre, satisfatório, bom, muito bom e do excelente. O Rui Borges e equipa técnica foram muito bons. Em quase dois anos, conseguiram a conquista de um bicampeonato que fugia a este clube há 71 anos. Uma dobradinha que fugia a este clube há 23 anos. Conseguiu a melhor campanha da história na Liga dos Campeões. Conseguiu ser o segundo treinador com maior média de pontuação na Liga na história do Sporting, a seguir a Ruben Amorim e à frente de Jorge Jesus". 

"Parte um treinador que fica nas melhores histórias do Sporting. Fica também um grande homem, rodeado de grandes homens, os seus adjuntos: homens humildes, sérios e bons". 

Leia também - Paulo Fonseca assina contrato por três épocas e meia com o Sporting

"Porquê a decisão agora e não há um ou dois meses? Há um mês, num evento da FPF, perguntaram-me porque é que eu não despedia Rui Borges. Como era possível ser treinador depois de perder seis pontos? Não tomamos decisões exclusivamente por resultados. Não são os resultados em si que nos levam a tomar decisões. Esses pontos foram por situações extraordinárias, como autogolos ou situações que não controlámos. O Sporting foi superior, merecia ter vencido esses jogos. Tivemos uma semana marcada por duas derrotas em casa - LASK e Académico de Viseu. Ao contrário da perda de pontos desse período, o Sporting não foi superior aos seus adversários. Não só as derrotas, mas a gestão interna dessas derrotas levaram-me a tomar a decisão de não continuar o ciclo Rui Borges. Esta foi a nossa decisão. Tomar decisões leva-nos a magoar quem gostamos. Avaliando o momento, a confiança que precisava de sentir no projeto e conhecendo o futebol português entendi que o melhor para a defesa do clube era tomar esta decisão".

"É um orgulho conseguir recrutar um treinador da dimensão de Paulo Fonseca"

"Porquê esta equipa técnica? Conheço Paulo Fonseca há mais de um ano. Nesse período, fomos falando, trocando ideias da nossa visão para o futebol. Temos conexão na forma de estar, de ver e sobretudo de ser. Posso dizer que tinha o sonho de um dia poder trabalhar com Paulo Fonseca. Neste mais de ano ou ano e meio de conversas, ficou claro que Paulo Fonseca não queria voltar a Portugal. Está há sete anos a treinar no top 5 europeu. Ficou claro que não queria voltar a Portugal e nunca mostrou abertura para isso. Após o jogo com o Académico de Viseu, no domingo, no dia seguinte falei com Paulo Fonseca com conteúdo diferente. Lancei o desafio de assumir a liderança do Sporting como treinador e, nos dias seguintes, percebi, pela primeira vez, uma abertura por parte do Paulo Fonseca. Tendo tomado a decisão, jamais tomaria a decisão de tirar Rui Borges do seu lugar sem ter a certeza que tinha um treinador que me desse a valia e a confiança para seguir o trajeto". 

"Paulo Fonseca não precisa de grandes apresentações. O seu currículo fala por si. É um treinador de dimensão europeia, conquistou inúmeros títulos. É um grande orgulho o Sporting conseguir recrutar um treinador da dimensão de Paulo Fonseca". 

As respostas de Varandas aos jornalistas

Revolução no plantel: "O que foi feito no mercado foi feito a 100 por cento com equipa técnica. Pela equipa técnica, a revolução teria sido maior. Não que discordemos. Houve um alinhamento a 100 por cento. Pelo treinador teríamos ido ainda mais longe. A saída destes jogadores não foi opcional. Era sim ou sim. Estamos a falar de um leque de jogadores com uns seis anos de Sporting, campeonatos conquistados, títulos, Taças , presenças na Liga dos Campeões, quartos e oitavos. Percebo o lado romântico de quem está e é adepto, mas é impossível reter determinados jogadores. Os jogadores querem ir embora, têm esse desejo, têm contratos muito superiores aos que têm aqui, com idade avançada e muitos anos de Sporting. Já conquistaram muito pelo clube. Vou dizer que vão ficar? Se acham que rende o mesmo, não rende. O Sporting criou um ciclo de jogadores de grande sucesso, criámos um ciclo de jogadores de grande potencial e não temos dúvidas do potencial do nosso jovem plantel. Tornámos este clube habituado a vencer, tivemos um ciclo vitorioso com Ruben Amorim, com Rui Borges e vamos ter um ciclo vitorioso com Paulo Fonseca".

Comunicação de Rui Borges: "Tenho a certeza que vai continuar a ter uma bela carreira como treinador. Tenho a certeza que não vai encontrar um clube que o trate com a transparência e honestidade deste clube. A seguir ao jogo com o Casa Pia comuniquei ao treinador o que se passou. O Rui Borges é uma pessoa inteligência e perspicaz. Tivemos duas vitórias, é a prova que não tomamos decisões pelos resultados em si".

Motivos para a saída de Rui Borges: "É curioso ver tanta pergunta. Fui questionado durante um ano e meio como é que mantinha o Rui Borges e agora questionam porquê. Dei a resposta no início. O Sporting de Rui Borges, independentemente dos resultados, foi dominador e superior aos adversários. Tivemos uma semana onde o Sporting não o foi e a gestão interna teve peso na minha decisão". 

Paulo Fonseca pediu para sair do Lyon na quinta-feira: "Segunda-feira falei com Paulo Fonseca e lancei o desafio para aceitar o convite e assumir o Sporting. Depois, o mister fez o que tinha de fazer internamente. No jogo do Casa Pia não tinha Paulo Fonseca fechado. Se há uma coisa que vou fazer sempre é que, independentemente do órgão social, o Sporting está acima. Entendi que as condições para vencer o jogo com o Casa Pia era manter Rui Borges. Tinha a certeza que tinha um treinador que me permitia ter a qualidade de continuar a ter a qualidade que teve nos últimos anos".

Responsabilidade de Varandas na situação do Sporting: "Desde 2018 sou o responsável por tudo o que aconteceu ao Sporting. Avalie o que era o Sporting antes de 2018".

Desrespeito por Rui Borges: "As únicas pessoas que trataram o Rui Borges com respeito desde 2024 fomos nós. Chega a ser caricato ouvir de grande parte da imprensa que o Rui Borges foi tratado com falta de respeito. Uma coisa é mágoa, outra é revolta. Tenho a certeza que Rui Borges está triste, mas não está magoado com o presidente do Sporting. Nunca lhe faltei à palavra. O presidente do Sporting defendeu-o como nunca ninguém tinha defendido".

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O que pediu a Paulo Fonseca: "O Sporting tem nove pontos de atraso para o FC Porto, quatro para o nosso outro rival. Estamos a falar de uma luta a três, três equipas muito fortes. Se a missão é fácil? Não é, mas faltam muitas jornadas. Sabemos a qualidade do plantel e temos muita confiança na qualidade técnica e humana da nossa equipa técnica".

Rui Borges rejeitou treinar contra o Shakhtar: "Quando informei o Rui Borges desta situação, perguntei 'quer interromper este ciclo ou fazer o jogo da Liga dos Campeões'. Eu gostaria que tivesse feito aquele jogo. Acreditava que teria vencido aquele jogo e acreditava que o Rui Borges ia escrever mais uma página de ouro na história do Sporting: ser isolado o treinador do Sporting com mais vitórias na Liga dos Campeões. O Sporting tem o melhor ranking português na Europa e isso é mérito da equipa técnica. O mister não declinou, disse que não estava para aí virado e pediu umas horas para pensar. Passado umas horas, disse que não".

Risco de Paulo Fonseca cair: "Não é fácil com esta direção cairem treinadores e o Rui Borges é o melhor exemplo. Já lá vai o tempo em que treinadores caem por pressão e o tempo em que direções caem por treinadores? Já nem tenho memória. A minha missão é gerir o Sporting, a destes senhores é treinar o Sporting. Ficaria surpreendido se não tivesse o Paulo Fonseca até final do mandato".

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