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Em entrevista à agência Lusa, a dirigente, ligada ao emblema vila-condense desde 2004, explicou que a intenção de continuar em funções, candidatando-se a um segundo mandato como presidente, nas eleições que devem acontecer em novembro deste ano, está relacionada com os projetos que ainda pretende concretizar.
“A sensação que eu tenho é de um trabalho que não está acabado. Nos próximos dois, três anos, o Rio Ave ficará absolutamente transformado ao nível do que são as instalações e do que será o seu parque desportivo. E, por isso, quero muito contribuir para concretizar esse grande objetivo”, afirmou.
Alexandrina Cruz mostrou-se disponível para enfrentar eventuais listas concorrentes, considerando que a participação de outros associados seria positiva para a vida democrática do clube.
“Faz parte da vida normal e, se isso acontecer, irei encarar de uma forma muito salutar para o Rio Ave. É um sinal de que o Rio Ave está vivo e que há pessoas interessadas em participar neste projeto”, sustentou.
A presidente sublinhou, no entanto, que caberá aos associados decidir sobre a continuidade da atual direção, depois de avaliarem “todo o trabalho realizado neste último mandato”.
No balanço à sua gestão, Alexandrina Cruz admitiu que a experiência de liderar o clube foi mais exigente do que antecipava, apesar das duas décadas de ligação ao Rio Ave e da experiência acumulada no futebol português.

“Não foram três anos normais. Foram três anos muito diferentes e com desafios constantes, não só a nível desportivo. Quando nos caiu a cobertura da bancada, foi um daqueles dias de grande agitação, mas também de motivação para resolver o problema”, desabafou.
A dirigente reconheceu também o desgaste pessoal associado ao exercício das funções, sobretudo pelo tempo retirado à família.
“Há dias muito difíceis, verdadeiramente difíceis. Quem, naturalmente, mais perde com isto é a família. Mas tenho muita dificuldade em definir a minha vida sem o Rio Ave, porque são quase 23 anos”, explicou, salientando que os resultados alcançados dependem do trabalho coletivo.
Primeira mulher eleita presidente do Rio Ave, em 2023, Alexandrina Cruz admitiu que a questão do género marcou a forma como foi recebida no cargo, embora considere que o desempenho deve prevalecer sobre essa circunstância.
“No limite, abri portas para outras mulheres”, observou à Lusa, defendendo que “a competência não tem género”.
A dirigente reconheceu ainda ter enfrentado situações desagradáveis, às quais procurou não dar importância.
“Claro que tive momentos delicados, ouvi determinados comentários, que fiz de conta não ouvir e segui o meu caminho, mas, na grande maioria das vezes, nunca me senti desrespeitada”, partilhou.
Alexandrina Cruz deseja, contudo, que o legado da sua presidência seja associado à transformação do clube.
“Se a primeira notícia ou a maioria das notícias era muito por ser a primeira mulher presidente, gostava agora que a notícia fosse o que estamos a construir e o que no futuro vamos ter a oportunidade de ver”, concluiu.
Sobre a ligação profissional com o investidor na SAD, o empresário grego Evangelos Marinakis, a líder do emblema vila-condense fala numa relação muito profícua.
“É um homem ambicioso e que faz as coisas acontecerem com uma ideia muito clara do que quer e com uma visão de 360 graus do grupo. Vejo-o verdadeiramente entusiasmado com o Rio Ave, não só com o aspeto desportivo como com a marca social que está a deixar na cidade, e esses valores partilho-os com ele”, concluiu.

