Associação de Organizadores lamenta exclusão da AG da Federação de Atletismo

Assembleia Geral da Federação Portuguesa de Atletismo decidiu uma alteração dos estatutos
Assembleia Geral da Federação Portuguesa de Atletismo decidiu uma alteração dos estatutosFederação Portuguesa de Atletismo

A Associação Portuguesa de Organizadores de Provas de Atletismo (APOPA) lamentou este domingo a exclusão da assembleia geral da Federação Portuguesa de Atletismo (FPA), considerando ter havido “o saneamento da voz crítica”.

No sábado, a reunião magna da FPA decidiu uma alteração dos estatutos a composição da Assembleia Geral, com a APOPA e a Associação Trail Running de Portugal (ATRP) a deixarem de ter direito a eleger um delegado para a AG do organismo.

Em comunicado, a APOPA considera que a sua exclusão “não é um ato de gestão administrativa, mas sim um saneamento deliberado de uma voz que se recusou a ser conivente com o atual ‘modus operandi’ da direção da FPA”.

A APOPA refere que, no último ano, foi injustamente rotulada como desestabilizadora, responsável pelo insucesso comercial e culpada por incumprimentos financeiros, lembrando que “a atual direção da FPA foi eleita pela maioria dos associados”, mas que “maioria não é sinónimo de inocência”.

Recordamos que o sistema judicial não declarou esta direção ‘inocente’, apenas se optou por não dar continuidade a processos para evitar o desgaste institucional da Federação. A APOPA sempre defendeu que a preservação da instituição não deve servir de escudo para comportamentos eticamente questionáveis”, referiu.

A APOPA diz representar e defender “o universo do atletismo popular, que abrange cerca de meio milhão de praticantes”, enquanto “a FPA foca-se numa estrutura de 20.000 atletas federados”.

A pretensiosa afirmação da FPA de que a tutela aceita a imposição de uma taxa sobre os atletas informais é o exemplo máximo de uma visão meramente mercantilista. Enquanto a direção da FPA acusa a APOPA de se preocupar com o lucro, a realidade demonstra o contrário: a APOPA lutou contra taxas abusivas que oneram quem corre por prazer e saúde”, lê-se.

Para APOPA, a exclusão da AG “é a confirmação de que, na atual estrutura federativa, não há espaço para a dissonância ou para o escrutínio”.

A APOPA continuará, fora da estrutura da FPA, a sua missão inabalável de defender os organizadores de provas e, acima de tudo, os 500.000 atletas que são o verdadeiro motor do atletismo em Portugal”, conclui a organização.

A AG de sábado da FPA tinha duas propostas de alteração de estatutos em discussão, com o organismo a justificar a necessidade desta alteração com a renovação do Estatuto de Utilidade Pública Desportiva (UPD), sendo necessário assegurar a conformidade com o Regime Jurídico das Federações Desportivas (RJFD) em relação à composição e representatividade da AG nas modalidades individuais.

Na primeira proposta, que foi aprovada, as 22 associações distritais e regionais têm direito a eleger 44 delegados, enquanto os associados extraordinários, das associações de atletas, de juízes e de treinadores, elegem um cada.

Os praticantes ficam com direito a eleger 10 delegados, enquanto quatro representam os juízes e quatro os treinadores.

A outra proposta era idêntica, mas retirava um delegado aos praticantes, que passam a eleger nove e não 10. Por outro lado, a Associação Portuguesa de Organizadores de Provas de Atletismo (APOPA) e a Associação Trail Running de Portugal (ATRP) tinham direito a eleger um delegado cada, mas esta não foi a proposta aprovada.


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