A oposição ao texto reconheceu a derrota sem esperar pelos resultados definitivos: com 80% dos boletins apurados, cerca de 57% dos votantes apoiaram esta medida, contra 43% que votaram contra. A lei proíbe as atletas transgénero deste Estado de "competir com e contra alunos do sexo feminino".
Nas escolas, a lei também obrigará os alunos que queiram participar "em atividades desportivas reservadas a alunos do sexo feminino" a apresentar documentação, emitida por um profissional de saúde, que ateste o seu sexo biológico.
Quando regressou ao poder, Donald Trump tinha prometido acabar com o "delírio transgénero". O seu Partido Republicano centrou-se particularmente na questão do desporto, onde a participação de atletas transgénero é denunciada como injusta. Desde então, mais de metade dos estados norte-americanos aprovaram leis para excluir atletas transgénero das competições femininas. Uma proibição validada pelo Supremo Tribunal em junho.
A aprovação deste referendo no Estado de Washington, historicamente democrata, apesar da derrota republicana nas eleições intercalares, mostra que este tema tem eco muito para além do campo conservador. Outros três estados aprovaram medidas semelhantes nas eleições desta semana: o Arizona (sudoeste), o Nebraska (centro) e o Colorado (oeste).
"As raparigas vão competir sem rapazes nas suas modalidades!", congratulou-se o comité de ação política Let's Go Washington, responsável pelo referendo. Vários médicos locais opunham-se à medida, considerando que "não se baseia em recomendações clínicas e provocaria um stress injustificado, além de prejudicar as jovens".
Ao abrigo do texto, todas as adolescentes que queiram praticar desporto terão de se submeter a um exame dos órgãos reprodutores ou a testes genéticos e hormonais. As associações de defesa da comunidade LGBT denunciam, por seu lado, uma lei extrema, dirigida a um grupo muito pequeno de pessoas, muitas delas muito jovens e já vítimas de discriminação e assédio.
"A luta ainda não terminou", declarou Libby Watson, diretora de campanha do grupo No Hate WA State, renovando o seu apoio às jovens atletas transgénero.
"Estamos ao vosso lado e continuaremos a lutar para que um dia possam praticar desporto sem controvérsia", insistiu.
Mais de metade dos jovens transgénero já teve pensamentos suicidas ao longo da vida e 31% fizeram pelo menos uma tentativa de suicídio, segundo a Academia Americana de Pediatria.
No Estado de Washington, a instituição responsável pela supervisão do desporto escolar indicou este ano que só tinha conhecimento de 10 alunos transgénero do 3.º ciclo e do ensino secundário entre os 200 000 alunos que participam nas competições desportivas escolares da região.
