Recorde as incidências do encontro
Fernando Sá (treinador do FC Porto):
“Foi um ano complicado, muito complicado, com muitas tomadas de decisão, às vezes até questionáveis. Houve momentos em que nos sentimos sozinhos e faz parte da nossa profissão. Acabei por tomar algumas decisões comigo mesmo, de agarrar essa solidão juntamente com aquilo que eventualmente podia controlar. O que eu acreditava que podia controlar era a minha equipa, os meus jogadores, a equipa técnica e todas as pessoas que nos acompanham diariamente. Fomos conseguindo criar uma ligação que ia um bocadinho para além da técnica e da tática e a crença foi crescendo.
As derrotas sentem-se de outra forma porque, sendo adepto também, sei as consequências dessas derrotas para os nossos adeptos. Quando ganhamos, a felicidade enquanto profissional é enorme, mas sinto-me muito mais satisfeito ao ver os meus jogadores a divertirem-se nestes momentos. Sei que a partilha é gigante, desde as pessoas que estão aqui dentro do pavilhão até a todas as pessoas que gostam de nós fora daqui. Isso é o que me deixa mais feliz.
Este é um momento alto da minha carreira, quer de jogador, quer de treinador. Em termos profissionais, isto para mim atingiu o auge. Era algo que sonhava há muitos anos, que muitas vezes parecia muito difícil e até impossível, mas aconteceu. Foi merecido pelo trabalho que todos realizámos e pela confiança que fomos tendo uns nos outros.
Quero dedicar esta vitória à pessoa mais importante deste grupo, o Pedro Machado. Para nós foi um choque aquilo que lhe aconteceu. Ele sim é o verdadeiro campeão. Teve sempre o apoio dos colegas de equipa de uma forma incansável, sentiu-se sempre acarinhado e conseguiu resolver o problema dele. Isso é o que me deixa mais satisfeito.
Diziam que íamos ter muitas dificuldades em ultrapassar o Imortal. A verdade é que passámos o Imortal, passámos o Sporting, uma excelente equipa, e chegámos à final contra o Benfica. Entrámos sempre com muita humildade, encarando todos os treinos e todos os jogos com muita concentração. Os jogadores facilitaram muito o meu trabalho e acabámos por chegar a este momento da época. Conseguir vencer desta forma uma equipa como o Benfica, com o historial e a capacidade que tem, acho que não podia pedir mais. Estou muito feliz".
Norberto Alves (treinador do Benfica):
“Um play-off é sempre um filme com vários capítulos. Penso que no primeiro jogo o FC Porto não esteve ao nível em termos de percentagem de lançamentos.
O segundo jogo fica-nos com uma mágoa grande, porque podíamos ter ganho. Foram pequenos detalhes que nos marcaram muito para o terceiro jogo, no qual não estivemos ao nosso nível, foi o pior jogo da época. Hoje viemos com carácter, concentração e desejo de ganhar, para dar o que tínhamos e o que não tínhamos.
O FC Porto teve novamente um jogador que desequilibrou, como tinha acontecido com o Hudson no jogo 2. Hoje foi o Williams. A ausência do Justin foi importante, mas não quero que isso seja desculpa. Tentou aquecer, mas não dava para jogar.
No nosso clube, ganhar ou perder não é a mesma coisa. Perdemos e estamos muito tristes. Não conseguimos uma coisa que não se fazia há mais de 50 anos, que era ganhar um pentacampeonato em Portugal. Fizemos tudo para o ganhar e lamento não termos conseguido dar essa alegria aos adeptos.
Disse aos jogadores que não podem confundir perder com fracasso. Perdemos, não estamos contentes, mas nenhum deles tem de sentir qualquer sintoma de fracasso. Quando ganhamos, ganhamos todos. Quando perdemos, perdemos todos. Mas a responsabilidade máxima é sempre do treinador.
Quero dar os parabéns ao FC Porto, aos seus jogadores e à sua equipa técnica. Quando se ganha, é sempre justo vencedor. Para o ano, o Benfica estará cá para voltar a querer ganhar o campeonato.
Não esperem da minha parte apontar o dedo a qualquer jogador. Nunca o fiz e nunca o farei. A direção do Benfica deu-me todas as condições para trabalhar e eu tenho a consciência tranquila de que dei sempre o meu máximo. Se quiserem criticar alguém, critiquem-me a mim. A responsabilidade é sempre minha. Sobre a minha continuidade, nunca falei de contratos publicamente. A minha relação contratual é comigo e com o clube".
