Fim de uma era: Billy Donovan deixa o comando técnico dos Chicago Bulls

Billy Donovan conversa com o base Mac McClung durante um jogo
Billy Donovan conversa com o base Mac McClung durante um jogoKevin Jairaj / Imagn Images / Reuters

Há menos de um mês, a direção dos Chicago Bulls sofreu um verdadeiro terramoto quando a liderança despediu o vice-presidente de operações de basquetebol, Arturas Karnisovas, e o diretor-geral, Marc Eversley, após um final dececionante na fase regular. Os Bulls terminaram com um registo de 31-51 e falharam o acesso aos play-offs.

A organização manifestou uma forte vontade de manter o treinador principal, Billy Donovan, que estava à frente da equipa desde 2020. No início de abril, os Bulls deixaram claro que pretendiam que Donovan continuasse no cargo, apesar das grandes mudanças noutros postos de liderança. O seu lugar nunca esteve em causa.

“Se entrevisto alguém e essa pessoa não está convencida com o Billy, então não está convencida com um treinador de Hall of Fame. Se o Billy quiser ser o nosso treinador e alguém não estiver interessado nisso, provavelmente não é o candidato certo para nós", afirmou o CEO e presidente Michael Reinsdorf após o anúncio das mudanças na direção. Eis a prova que acreditava em Donovan.

Demissão 

No entanto, Donovan nunca confirmou a intenção de permanecer em Chicago – estava previsto reunir-se com a liderança para discutir o seu futuro nos Bulls e, após algumas semanas de conversações e reflexão, acabou por decidir afastar-se e seguir outro caminho.

“Após uma série de conversas ponderadas e aprofundadas com a administração sobre o futuro da organização, decidi afastar-me do cargo de treinador principal dos Chicago Bulls, para permitir que o processo de procura decorra", afirmou Donovan. “Acredito que é do melhor interesse dos Bulls permitir que o novo líder construa a equipa técnica como entender".

O antigo treinador principal foi incluído no Hall of Fame Naismith em 2025. Conta com 11 épocas na NBA; Donovan iniciou o seu percurso nos Oklahoma City Thunder, onde orientou a equipa durante cinco anos, com um registo de 243-157. Sob o comando de Donovan, os Thunder qualificaram-se para os play-offs em todas as épocas.

Um desafio maior no Illinois 

O cenário em Chicago era bem diferente. O técnico, de 60 anos, assumiu uma equipa em dificuldades há seis anos, com o objetivo de devolver a competitividade ao grupo. Donovan melhorou o registo da equipa no seu ano de estreia e, na segunda época, garantiu a presença nos play-offs no banco de Chicago.

Mas esse acabou por ser o limite para Donovan e para os Bulls.

Nos quatro anos seguintes, os Bulls mantiveram-se na mediania. Terminaram perto dos 50% de vitórias em três épocas consecutivas e chegaram sempre ao torneio play-in, mas nunca conseguiram avançar. No total, Donovan somou 226-256 ao serviço dos Bulls nas suas seis épocas.

A última temporada foi desastrosa e originou grandes mudanças ainda antes do fim da fase regular. Depois de um arranque prometedor, com 7-1, os Bulls voltaram a cair na mediocridade. Em janeiro, regressaram ao habitual registo de 50%. Mas as lesões surgiram e as dificuldades aumentaram.

Numa tentativa desesperada de salvar a época, a direção trocou sete jogadores.

No entanto, a decisão saiu furada e revelou-se prejudicial. Os Bulls perderam oito jogos consecutivos após o fecho do mercado de transferências e a nova equipa nunca encontrou ritmo nem química. Desde o início de fevereiro, Chicago venceu apenas sete jogos e o seu registo ficou abaixo da média.

Assim, procedeu-se à limpeza na direção.

Ainda assim, a organização confiava em Donovan e queria que regressasse. Mas Donovan viu as coisas de outra forma e optou por procurar novos desafios. A sua saída completou a renovação na liderança.

Os Bulls procuram agora um novo vice-presidente, diretor-geral e treinador principal.

“Apesar de querermos claramente que o Billy regressasse como nosso treinador principal, tivemos um diálogo aberto sobre a importância de respeitar o processo de trazer uma nova liderança para as Operações de Basquetebol", afirmou Reinsdorf em comunicado. “Em conjunto, concordámos que dar a essa pessoa a liberdade de moldar a organização era a melhor abordagem para todos os envolvidos".

Recomeço 

Agora, os Bulls enfrentam um momento decisivo. As três peças juntaram-se e, juntas, saíram. Uma era chegou ao fim. Mas agora os Bulls têm a oportunidade de começar do zero e voltar a lançar as bases. O que é certo – os proprietários têm de acertar desta vez. Depois de uma década de dificuldades, têm a hipótese de recuperar uma dinastia que outrora foi temida na NBA.

Já começou a procura pelos próximos líderes.

Donovan manifestou a intenção de continuar a treinar. Realçou que não se vai reformar. É inegável que irá despertar o interesse de outras equipas da NBA, bem como de programas universitários. Natural de Nova Iorque, passou 25 épocas na NCAA, incluindo um percurso de 19 anos e dois títulos nacionais consecutivos na Florida. Foi fortemente cobiçado pela Universidade da Carolina do Norte no início da primavera, mas Donovan optou por cumprir o contrato e o compromisso com os Bulls. No último defeso, também recebeu interesse dos New York Knicks.

O caso de Donovan termina de forma positiva – com um aperto de mão, não com um despedimento. Ambas as partes têm agora um novo começo, separando-se com respeito mútuo.