Victor Wembanyama. O Alien. O jogador que era aguardado como o próximo game changer na NBA. Em três anos, o poste francês deixou uma impressão incrível. Não se pode propriamente dizer (pelo menos, ainda não) que revolucionou o jogo, mas a marca que deixou é bem visível.
Esta terceira época foi a do seu primeiro grande momento. Depois de uma segunda temporada encurtada por lesão, conduziu os San Antonio Spurs ao segundo lugar da temível Conferência Oeste, com uma época de mais de 60 vitórias pela primeira vez desde a era Tim Duncan. Mas, acima de tudo, conseguiu levar a equipa texana de volta às Finais da NBA, perdidas frente aos New York Knicks.
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Promessa cumprida por Wembanyama
Ao fim de três anos, os jogadores podem assinar a sua primeira extensão de contrato. Não havia dúvidas de que Wembanyama iria prolongar a ligação aos Spurs. Mas desde que chegou à NBA, explicou várias vezes que acumular dinheiro não era o principal objetivo da sua carreira: queria vencer, custasse o que custasse.
Um discurso já muito ouvido, que normalmente resulta num contrato máximo. Mas não foi o caso desta vez. Apesar de poder ter renovado por 303 milhões de dólares durante cinco anos, Victor Wembanyama vai mesmo prolongar por cinco temporadas, mas por "apenas" 252 milhões de dólares.
Naturalmente, continua a ser uma quantia enorme, e não se deve ignorar isso. Mas este "desconto" não é insignificante. Por um lado, porque poderia ter entrado para a história como o primeiro rookie a assinar uma extensão acima dos 300 milhões de dólares. Mas, sobretudo, porque esta decisão representa uma mudança importante de mentalidade por parte de uma superestrela da NBA.
Quando se fala de extensões, as superestrelas ativam um fator essencial para elas: o ego. É preciso ser um "max player" para ser reconhecido como um grande jogador, daqueles que carregam a sua equipa, dos chamados "go-to-guy". Mas nos últimos anos, os contratos atingiram valores absurdos, o que tem levado a situações complicadas, como se viu recentemente.
Nas últimas semanas, foi o caso de Jaylen Brown que dominou a atualidade. Uma das duas estrelas dos Boston Celtics, que saiu da melhor época da sua carreira, tendo carregado a equipa na ausência de Jayson Tatum. Esteve entre os 10 melhores jogadores da época, talvez até entre os 5 melhores. Mas quando chegou a altura de o trocar, não tinha qualquer valor.
Muitos tentaram justificar isso pelo seu jogo, mas a verdade é que um contrato de 185 milhões de dólares por três anos, que representa mais de um terço do teto salarial, poucas equipas querem assumir esse risco por tal valor. E isso resulta numa troca que todos vão considerar "falhada".
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Isto aplica-se a Jaylen Brown, tal como aconteceu em 2023 com Damian Lillard (a quem Miami não quis pagar mais de 60 milhões aos 36 anos) e com tantos outros: as superestrelas assinam pelo máximo, ou então não assinam e procuram outras paragens. Uma tradição que surgiu com o aumento maciço do teto salarial da última década e que levou a contratos absurdos: toda a gente fala em "secure the bag" ("garantir o saco de dinheiro" em tradução livre) como se 30 milhões por ano não fosse suficiente.
É claro que Victor Wembanyama não está nada mal: 50 milhões de dólares por ano é uma quantia astronómica. Mas poderia receber 60, ocupar 30% ou mais do teto salarial e dificultar o futuro recrutamento da sua equipa. Aqui, contenta-se com um valor inferior, que faz com que continue a ser pago como uma superestrela (apenas 16 jogadores vão receber mais de 50 milhões de dólares na próxima época) e que deixa margem de manobra aos Spurs para reforçarem o plantel e manterem-se na luta pelo título.
É, sem dúvida, uma aposta no futuro, que vai abrir caminho: enquanto o trio dos Thunder Shai Gilgeous-Alexander - Jalen Williams - Chet Holmgren negociou arduamente após o título de 2025 e vai ocupar mais de 75% do teto salarial durante 5 anos (e receberá 185 milhões no total em 2030), Victor Wembanyama vai deixar espaço para renovar com Stephon Castle, Dylan Harper e todos os jovens talentos da sua equipa.
Além disso, vai dar o exemplo a todos os seus colegas: está ali para vencer, mesmo que tenha de abdicar de dinheiro, o que deverá motivar todos a fazer o mesmo.
Por fim, e acima de tudo, é realmente gratificante ver uma superestrela do desporto prometer algo e cumprir. Não é assim tão comum. Ele quer vencer, custe o que custar, e para já, isso vai-lhe custar 51 milhões de dólares. É provável que esta decisão de Victor Wembanyama abra caminho para uma nova era na NBA, em que a fuga para a frente deixa de ser a norma e os jogadores passam a pensar no interesse coletivo antes de se encherem de notas verdes.
Algo que pode evitar debates estéreis sobre o valor dos jogadores em função do salário, sobre os problemas que as extensões supermax causam nos plantéis, permitindo focar no essencial: o basquetebol.
