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Época regular? Bons, mas não ao ponto de serem considerados favoritos. Ainda assim, as 53 vitórias foram o terceiro melhor registo nas últimas três décadas. Mas o mais importante é que os jogadores de Nova Iorque estiveram irrepreensíveis nos play-offs. Jogaram com regularidade e não cederam um único jogo aos Cleveland Cavaliers nem aos Philadelphia 76ers. E na final superaram até uns San Antonio Spurs eufóricos, liderados pela estrela Victor Wembanyama.
No Madison Square Garden, durante muito tempo elogiou-se o treinador Tom Thibodeau, sob cuja liderança os Knicks regressaram aos play-offs após anos de ausência e melhoraram os números época após época. Em 2021, o responsável pela reconstrução foi eleito treinador do ano na NBA. No entanto, depois de no ano passado ter levado os Knicks ao top quatro, surgiu a surpresa: fim de ciclo e despedimento…
Durante muito tempo só houve especulações sobre as razões. Só agora começaram a surgir detalhes vindos do interior da franquia. Mas sobretudo porque se começou a analisar o trabalho do atual chefe do banco, Mike Brown, que no passado levou ao título, como adjunto, os San Antonio Spurs (2003), três vezes os Golden State Warriors (2017, 2018, 2022) e agora os Knicks, como timoneiro principal.
"Costuma dizer-se que uma das melhores qualidades de Brown é não querer ser o mais inteligente da sala," afirma James L. Edwards, conceituado jornalista do The Athletic.
Pelo contrário, era sabido que Thibodeau raramente consultava os adjuntos durante os descontos de tempo. E é precisamente esse trabalho de equipa que define o sucesso atual dos Knicks.
A reviravolta no quarto jogo
Um jogo assim vê-se poucas vezes. E nos play-offs, o que os Knicks fizeram pode ser considerado um milagre ou uma verdadeira proeza. San Antonio vencia ao intervalo do quarto jogo da final por 27 pontos e chegou a ter 29 de vantagem, mas acabou por sucumbir perante o adversário. Nunca na história uma equipa da casa tinha desperdiçado uma vantagem destas na série final. Os Knicks conseguiram-no. O momento decisivo foi o toque final de OG Anunoby a apenas um segundo do fim. Os Spurs estiveram perto de empatar a série 2-2, mas após um final de loucos, Nova Iorque ficou com a vantagem psicológica.
Jalen Brunson
Quando havia algo em disputa, não saía do campo. Nesse excecional quarto jogo, esteve em campo durante 44:27 minutos. Sentou-se apenas três minutos e 33 segundos. Os jogos em que marca mais de 30 pontos não são exceção, mas não é um lançador egoísta. Pelo contrário, organiza o jogo e imprime-lhe ritmo. Brunson conjuga eficazmente o lançamento exterior com penetrações criativas ao cesto, e sabe como enfrentar os melhores defesas. Usa o dorsal 11 e, na verdade, não estava destinado a ser uma estrela. No draft de 2018 foi escolhido por Dallas na 37.ª posição, na segunda ronda. Passou lá as primeiras quatro épocas na NBA. Desde o verão de 2022 é jogador dos Knicks e atualmente é a sua maior referência. No jogo do título marcou 45 pontos, uma verdadeira demonstração de grandeza.
O trio e a filosofia de Villanova
Não é só Brunson que é um pilar para os Knicks. Também Mikal Bridges e Josh Hart passam muito tempo em campo ao seu lado. Podem não ser tão vistosos, mas a sintonia deste trio é excecional e nada é por acaso. Encontraram-se pela primeira vez em 2016 na equipa universitária dos Villanova Wildcats e conquistaram o título da NCAA.
Nessa altura, Brunson era a grande figura em campo, e Hart já admitiu que não se suportavam porque lhe tirava protagonismo. Hoje são grandes amigos e trouxeram à equipa uma filosofia que já era praticada em Villanova. "Os atores jogam para o público, os jogadores jogam uns para os outros", era a frase favorita do padre Rob Hagan, capelão da equipa e alma desse grupo especial. Também costumava lembrar o seguinte: "Não te contentes com o que és, se queres chegar a ser aquilo que ainda não és".
Graças a isso, Brunson e companhia tornaram-se campeões. Aliás, também de Villanova veio Donte DiVincenzo, que ajudou a formar os Knicks na época 2023/24, antes de ser transferido para os Minnesota Timberwolves.
Os verões intensos de 2023 e 2024
Se houve trocas decisivas que ajudaram a conquistar o título da NBA este ano, foram sobretudo nos verões anteriores. Em julho de 2023, os Knicks contrataram o extremo britânico OG Anunoby. Já tinha experienciado título em 2019 com os Toronto Raptors, mas nessa altura não era tão protagonista como agora e até falhou a série da final devido a lesão. Mas em Nova Iorque tornou-se imprescindível, com uma média de 33 minutos por jogo e mais de 16 pontos (mais do dobro do que na época dourada com os Raptors).
Um ano depois chegou ao MSG outra figura importante: Karl-Anthony Towns. O poste dominicano foi seis vezes All Star, mas há anos que esperava um grande sucesso, já que os Wolves nunca conseguiram triunfar durante a sua década na equipa. Towns chegou aos Knicks com ambição e sem a pressão de ser o principal líder. Manteve o seu nível e ofereceu estabilidade e experiência.
Durante os dois verões de trocas intensas em 2023 e 2024, os Knicks sacrificaram, entre outros, RJ Barrett, Evan Fournier, Bogdan Bogdanovic, Julius Randle e o já referido Donte DiVincenzo.
O Madison Square Garden
Um local lendário onde se escreveu a história do basquetebol. Mas também um sítio que esteve muito tempo amaldiçoado, já que os triunfos das equipas da casa – tanto dos Rangers no hóquei como dos Knicks no basquetebol – demoraram décadas a chegar. No entanto, na época que agora terminou, tudo foi diferente. Já na fase regular notava-se que o ambiente único era uma arma: em 40 jogos em casa, os Knicks venceram 30. E também nos play-offs tiveram sucesso no mítico pavilhão, embora tenham perdido dois jogos ali.
Mas foi precisamente essa desvantagem quase impossível de recuperar (29 pontos) no jogo decisivo que conseguiram superar perante um público local frenético, entre o qual abundam celebridades.
