NBA: Jerry Lucas, campeão pelos Knicks, diz que geração atual é a mais talentosa desde 1973

Os Knicks no jogo 4 frente aos Cavaliers
Os Knicks no jogo 4 frente aos CavaliersGREGORY SHAMUS/GETTY IMAGES VIA AFP

Campeão em 1973, Jerry Lucas vê nos Knicks, apurados para a final da NBA, como o plantel da franquia de Nova Iorque mais talentoso desde o seu e afirma-se "confiante" na capacidade para conquistar o primeiro título da franquia em 53 anos, em declarações à AFP.

Aos 86 anos, o antigo poste continua a acompanhar com assiduidade a NBA e não perdeu nenhum jogo da equipa de Nova Iorque nos play-offs. Apesar de ser natural do Ohio, onde passou a maior parte da sua carreira (universidade e depois Cincinnati como profissional) e onde vive atualmente, Jerry Lucas assume-se adepto dos Knicks.

E esta geração de 2026 traz-lhe à memória recordações de quando era conhecido como Dr. Memory devido à sua capacidade de memorização excecional.

"O jogo mudou. Não tínhamos a linha de três pontos. Mas há muitas semelhanças. Tínhamos um plantel profundo, tal como eles. Eles têm um grande poste (Karl-Anthony Towns), nós também (Willis Reed). Tínhamos excelentes lançadores, tal como eles", recordou.

Jerry Lucas coloca os atuais Knicks acima da equipa de 1994, que ficou a poucas posses de um título, e também da de 1999, igualmente finalista.

"Não há qualquer dúvida. Têm qualidade em todas as posições, incluindo nos suplentes. A única fraqueza deles são os lances livres do (Mitchell) Robinson", brinca, referindo-se à mecânica desastrosa do poste suplente.

"Éramos uma equipa incrivelmente inteligente e esta equipa (de 2026) também parece ser. Eles conhecem o jogo. Sacrificam-se uns pelos outros, tal como nós fazíamos sempre. Isto é um desporto coletivo", continuou.

Outro ponto em comum entre as duas gerações é a defesa. Os Knicks são a equipa que menos pontos sofreu em média nos play-offs deste ano, tal na fase regular de 1972/73.

"É uma condição sine qua non. Ao intervalo, o nosso treinador Red Holzman só nos falava de defesa, nunca de ataque. Dizia: para ganhar, é preciso conseguir travar a equipa adversária, porque nem sempre vais marcar os teus lançamentos (no ataque)", apontou.

"Simplesmente incrível"

Grande diferença em relação ao grupo liderado pelo base Jalen Brunson: os Knicks de 1973 já tinham sido campeões em 1970 antes de perderem a final frente aos Lakers em 1972.

"Sabíamos o que tínhamos de fazer e que o coletivo era o único caminho", explica o eleito para o Hall of Fame, o panteão do basquetebol, em 1980.

Designado suplente de Willis Reed na posição de poste, este interior de estatura modesta (2,03 m e 104 kg) teve de enfrentar, na final contra os Lakers, a maior ameaça da época, Wilt Chamberlain (2,15m, 124kg).

"Ele era tão poderoso, era incrível. Mas adorava jogar contra o Wilt, porque podia afastar-me (e obrigá-lo a sair da área do cesto). E resultou", contou com um sorriso o campeão no liceu, na universidade, nos Jogos Olímpicos de 1960 e na NBA.

"Fui o primeiro poste a lançar de longe", afirma, embora hoje em dia, "toda a gente o faça", sendo o lançamento de três pontos uma referência fundamental no basquetebol moderno.

Este antigo especialista em ressaltos (15,6 por jogo em média na carreira), que passou três épocas em Nova Iorque, considera que os Knicks "jogaram o melhor basquetebol de todas as equipas dos play-offs este ano", achando "simplesmente incrível" a atual série de onze vitórias consecutivas.

Os Thunder de Oklahoma City e os San Antonio Spurs vão disputar no sábado o direito de defrontar os sucessores de Jerry Lucas.