O antigo base dos San Antonio Spurs "sonha" depois treinar na NBA, também abordado na entrevista concedida à AFP relativamente à sua versão que pretende lançar na Europa. "A NBA Europe é o último investimento" potencialmente rentável no desporto, segundo Parker, presidente dos franceses do Asvel, candidatos a um lugar de membro da futura liga.
- Desde quando tem esse desejo de ser treinador?
Já penso há cerca de dois anos em mudar e voltar ao campo. Sentia falta, simplesmente. Sinto que ainda tenho muito para partilhar. E adoro transmitir conhecimento.
- O objetivo final é ser treinador principal na NBA?
É um sonho, um objetivo. Depois dos jovens (Mundial em Istambul de 27 de junho a 5 de julho, ndr), estou indeciso entre ir para a NBA ou ficar (no Asvel) para a NBA Europe, que é um projeto muito entusiasmante. Para já, é a emoção dos primeiros momentos, já não sentia estas borboletas há muito tempo, aquele nervosismo antes do primeiro jogo amigável no Astroballe (a 13 de junho contra a Costa do Marfim). Foi realmente um momento muito especial.
- Vai ser o treinador do Asvel na próxima época?
Estou a pensar nisso, é uma das minhas opções, uma das possibilidades. Acho que tomarei a minha decisão no final do mês, depois de analisar todas as propostas, que têm aumentado desde que anunciei a minha vontade de treinar. Mas é verdade que a opção Asvel, com a perspetiva de ir para a NBA Europe, é muito entusiasmante.
- Tem propostas da NBA para ser adjunto?
Tenho tido conversas. Para já, não posso falar muito sobre isso.
- Falou com Thierry Henry ou até com Zinédine Zidane antes de se lançar. Trocaram impressões sobre a dificuldade, para quem foi um grande jogador, de ser pedagógico e paciente perante eventuais erros técnicos dos seus jogadores?
- Claro, com o Titi e os outros treinadores. Não penso que vá ter dificuldades nesse aspeto. Consigo separar bem as coisas, compartimentalizar. Sei perfeitamente que coisas que para mim são lógicas podem não o ser para outros jogadores. Quando se é treinador, é preciso repetir, repetir, repetir, de formas diferentes, para que os jogadores percebam a tua visão e para onde os queres levar.
- Como pensa gerir o duplo papel de treinador e presidente?
Como sempre. Já era jogador ao mesmo tempo que presidente do Asvel (2014-2019, ndr), por isso não vai mudar nada.
- Não pensa abdicar da direção executiva do Asvel, mesmo que, com a chegada da NBA Europe, um fundo de investimento poderoso queira assumir o controlo do clube?
Não. Cada um é diferente: há fundos que gostam de ter a direção, outros não querem e preferem apenas investir e ver o valor crescer todos os anos.
- Tem a garantia de manter um papel executivo?
Sim, em princípio, é para aí que estamos a caminhar.
- Esta nova carreira está relacionada com algum eventual cansaço como dirigente, depois das últimas épocas complicadas para o Asvel?
Não, não tem nada a ver. Porque faz parte da vida de um clube ter altos e baixos. Tenho vontade de voltar ao campo.
- É um grande defensor da NBA Europe, para a qual o Asvel é candidato. Não tem dúvidas quanto ao sucesso do projeto, mesmo que as negociações com a Euroliga falhem?
- Não. Seria fantástico que houvesse um acordo entre eles e que a NBA absorvesse a Euroliga. Depois, a NBA foi clara ao dizer que lançaria a sua liga com ou sem (a Euroliga). A NBA Europe é o último investimento razoável que se pode fazer no desporto (multiplicando o investimento inicial) potencialmente por 10, 15, 20.
- O modelo económico levanta dúvidas, já que praticamente todos os clubes da Euroliga têm prejuízos. A NBA vai conseguir, de repente, mudar isso?
É essa a esperança de todos nós. Esta marca é tão poderosa. Vejo isso à minha escala: quando se diz que a NBA vai chegar, vê-se o brilho nos olhos dos patrocinadores, toda a gente quer investir mais, toda a gente quer fazer parte da aventura. Vamos ver até onde isto pode ir.
