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Boavista pede adiamento de um mês do encerramento com apoio de credores

Boavista tenta evitar o fecho de portas
Boavista tenta evitar o fecho de portasBoavista FC

O Boavista deu entrada de um requerimento, subscrito pelos credores hipotecários e pelos credores que representam a Câmara do Porto, para adiar por um mês o encerramento da atividade do clube, revelou esta sexta-feira o presidente, Rui Garrido Pereira.

“Há um princípio de vontade de todos para chegar a um entendimento com vista à recuperação do clube”, afirmou o dirigente.

O requerimento deu entrada na quinta-feira e pretende “adiar por um mês o encerramento da atividade” do Boavista, estando “subscrito pelos credores hipotecários e pelos credores que representam a Câmara Municipal do Porto”.

Rui Garrido Pereira não adiantou, contudo, pormenores sobre os termos do pedido ou os passos seguintes para concretizar uma solução de recuperação.

O pedido surge numa altura em que o Boavista procura encontrar uma solução para evitar o encerramento da atividade, previsto para 31 de outubro, depois de o plano de recuperação apresentado pela direção ter sido rejeitado pela maioria dos credores, em 07 de outubro, no âmbito do processo de insolvência.

Na ocasião, Rui Garrido Pereira afirmou à Lusa estar empenhado em negociar com os credores para apresentar um novo plano viável até ao final de outubro, garantindo que o clube se mantinha em atividade.

Segundo noticiaram hoje os jornais Record e O Jogo, os principais credores transferiram também cerca de 720 mil euros para a conta da massa insolvente do clube, gerida pela administradora judicial Clarisse Barros.

O montante destina-se a assegurar o pagamento integral das dívidas a trabalhadores e antigos funcionários do Boavista.

A Comissão de Trabalhadores do clube saudou a transferência, considerando que a resolução de uma questão que se arrastava há cerca de 20 anos representa “um passo muito importante para os trabalhadores do clube”, de acordo com o comunicado citado pelo Record.

O pedido de adiamento por um mês tinha sido anunciado pelos principais credores na sessão de esclarecimento realizada na quarta-feira, num hotel junto ao Estádio do Bessa, que reuniu cerca de 200 associados.

A reunião ficou marcada pela contestação de vários associados à gestão da direção liderada por Rui Garrido Pereira. Entre as alternativas apontadas por alguns sócios estiveram a destituição dos órgãos sociais e a constituição de uma comissão administrativa.

Na quinta-feira, a Associação Panteras Negras anunciou ter solicitado à mesa da Assembleia Geral a convocação urgente de uma reunião magna, com a análise do desempenho do plano de insolvência da direção e a destituição dos órgãos sociais entre os pontos da ordem de trabalhos.

A associação manifestou preocupação com a falta de confiança dos principais credores na atual direção, mas afirmou que o Boavista dispõe de uma solução assente num plano de recuperação e num projeto de investimento.

A contestação à direção surge num contexto de divergências públicas sobre a condução do processo de insolvência.

Em 16 de outubro, a administradora da insolvência, Clarisse Barros, rejeitou ser responsabilizada pelas opções de gestão e pela capacidade da direção para assegurar a sustentabilidade financeira do clube, recordando que o plano de recuperação fora rejeitado pela maioria dos credores.

O Boavista, que apresentava dívidas superiores a 150 milhões de euros, viu a liquidação aprovada em setembro de 2025, mas o tribunal autorizou posteriormente a continuação da atividade, mediante o cumprimento de condições financeiras.

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