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Panteras Negras pedem AG urgente com vista à destituição da direção do Boavista

Situação do Boavista continua num impasse
Situação do Boavista continua num impasseBFC

A Associação Panteras Negras pediu, esta quinta-feira, a convocação urgente de uma Assembleia Geral do Boavista, com a destituição dos órgãos sociais entre os pontos da ordem de trabalhos, na sequência das críticas à gestão da direção axadrezada.

Num comunicado divulgado após a sessão de esclarecimento promovida na quarta-feira pelos principais credores do Boavista, a associação afirma ter solicitado à mesa da Assembleia Geral a convocação da reunião magna, com caráter de urgência.

À Lusa, o presidente da associação, Nuno Fonseca, adiantou que a ordem de trabalhos inclui a análise do desempenho do plano de insolvência da direção, liderada por Rui Garrido Pereira, e a destituição dos órgãos sociais do Boavista FC.

Em comunicado, o grupo de adeptos manifesta solidariedade com os sócios que reclamaram, na quarta-feira, a demissão imediata de Rui Garrido Pereira - alinhando-se com a posição que a associação tem defendido – e diz que estará “ao lado de qualquer movimento que trabalhe para a destituição da atual direção”.

A associação mostra-se ainda preocupada e “intranquila” com a falta de confiança dos principais credores na atual direção, considerando que essa situação coloca em risco a possibilidade de reverter a decisão de liquidação do clube, tomada em 07 de outubro pelo Tribunal de Comércio de Gaia.

Esta associação sublinha que, desde julho de 2025, tem desenvolvido, em paralelo com o Panteras Negras Footballers Club e os principais credores, estratégias para a recuperação do Boavista, alegando uma incapacidade de Garrido Pereira para inverter o rumo do clube.

Apesar do cenário crítico, os Panteras Negras asseguram que o Boavista “tem solução” e dispõe de “um plano de recuperação com projeto de investimento ambicioso” para garantir a sua continuidade.

A iniciativa surge depois de cerca de 200 sócios terem participado, na quarta-feira, numa sessão de esclarecimento promovida pelos principais credores, destinada a clarificar o processo judicial que conduziu à ordem de liquidação e a reafirmar a intenção de encontrar uma solução que permita assegurar a continuidade do clube portuense.

De acordo com o jornal Record, o encontro ficou marcado pelo descontentamento de vários associados com a gestão do clube e do processo judicial por parte da direção liderada por Garrido Pereira - que também esteve presente e respondeu a questões sobre o futuro do clube - tendo a destituição da atual direção e a constituição de uma comissão administrativa sido suscitada por alguns sócios.

Panteras com dívidas superiores a 150 milhões de euros

Segundo o mesmo jornal, os principais credores reafirmaram a intenção de trabalhar para encontrar uma solução que garanta a sobrevivência do Boavista. A contestação à direção surge num contexto de divergências públicas sobre a condução do processo de insolvência.

Em 16 de outubro, a administradora da insolvência, Clarisse Barros, acusou Rui Garrido Pereira de procurar transferir para a responsável judicial a responsabilidade por uma situação que atribuiu às decisões de gestão da direção. Numa comunicação enviada ao presidente do clube e à qual a Lusa teve acesso, Clarisse Barros afirmou que não podia ser responsabilizada pelas opções de gestão, pelas decisões estratégicas ou pela (in) capacidade da direção para assegurar a sustentabilidade financeira do Boavista.

A administradora recordou que, na assembleia de credores de 07 de outubro, o plano de recuperação foi rejeitado pela maioria dos credores, tendo sido decidido que o processo prosseguiria com a liquidação do ativo. O encerramento da atividade ficou, contudo, adiado para 31 de outubro, a pedido do próprio clube.

Na ocasião, Rui Garrido Pereira afirmou à Lusa estar empenhado em negociar com os credores para apresentar um novo plano viável até ao final de outubro, garantindo que o clube se mantinha em atividade.

Também a questão da marca do Boavista motivou críticas dos Panteras Negras. Em 10 de outubro, a associação denunciou uma alegada tentativa de registo da designação Boavista Futebol Clube em nome da sociedade privada Boavista Global, Lda., atribuindo a iniciativa a Rui Garrido Pereira e ao presidente-adjunto, Reinaldo Ferreira.

A associação pediu então à administradora da insolvência que adotasse medidas para impedir o registo e que a denúncia fosse junta ao processo, solicitando ainda uma participação criminal ao Ministério Público.

O Boavista, que apresentava dívidas superiores a 150 milhões de euros, viu a liquidação aprovada em setembro de 2025, mas o tribunal autorizou posteriormente a continuação da atividade, mediante o cumprimento de condições financeiras.

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