Campeão do Tour-2006 vê João Almeida como vencedor de uma grande Volta

João Almeida em ação
João Almeida em açãoJOAO MATOS / AFP

Óscar Pereiro não descarta que João Almeida possa lutar “mano a mano” com Jonas Vingegaard na Volta a Itália, com o vencedor do Tour-2006 a considerar que o ciclista português já deveria ter uma grande Volta no currículo.

“É uma grande oportunidade que tem, a de enfrentar-se a um grande corredor como Vingegaard, que nos últimos anos, com exceção de (Tadej) Pogacar, penso que é o único ciclista que está acima do nível do resto”, antecipou o antigo corredor galego.

Em entrevista à agência Lusa, durante o Gran Camiño, prova da qual é embaixador, o homem que herdou o Tour-2006 após a desclassificação por doping do norte-americano Floyd Landis falou com a agência Lusa sobre as perspetivas do corredor de A-dos-Francos na corsa rosa.

“Ao Almeida coloco-o com cinco estrelas (na escala de favoritos), assim como Vingegaard. Primeiro, porque conhece a corrida, foi onde realmente se deu a conhecer”, começou por apontar Pereiro.

Em 2020, o ciclista da UAE Emirates revelou-se ao mundo ao liderar durante 15 dias o Giro, na sua estreia em grandes Voltas, concluindo a prova no quarto lugar.

“A Volta a Itália, para mim, ao nível do percurso, é a mais dura das três grandes Voltas. Ele sabe regular-se, é um corredor que nunca ‘rebenta’, sabe até onde pode chegar. Coloco-o no grupo de favoritos”, reiterou o espanhol de 48 anos.

Para o antigo ciclista, que começou a sua carreira em Portugal, na Porta da Ravessa (2000), e passou por Phonak, Caisse d'Epargne e Astana, onde se retirou em 2010, Almeida tem hipóteses contra o dinamarquês da Visma-Lease a Bike, que o derrotou na Vuelta-2025 e que tem dois triunfos no Tour (2022 e 2023).

“Evidentemente, creio que todos colocam o Vingegaard como grande favorito, mas não descarto que Almeida possa competir mano a mano com ele”, acrescentou.

O duelo da última Volta a Espanha vai ser reeditado entre 08 e 31 de maio, numa 109.ª edição da corsa rosa que começa em Nessebar, na Bulgária, e termina em Roma.

O vencedor do Tour-2006 elogiou o corredor de A-dos-Francos, defendendo que o também terceiro classificado do Giro-2023 e quarto no Tour-2024 e na Vuelta-2022 “já devia ter uma grande Volta no currículo”.

“Por várias circunstâncias, não venceu, mas sem dúvida acredito que vai ser um ciclista que se vai retirar tendo uma grande no palmarés”, afirmou à Lusa.

Para Pereiro, Almeida é “um corredor muito regular, muito esperto, que está a tirar 100% daquilo que o seu corpo lhe pode dar”.

“Corre com muitíssima inteligência, sangue frio. Sabe quando consegue e quando não consegue, nunca fica nervoso”, destacou.

Melhor voltista português desde Joaquim Agostinho, Almeida tornou-se no ano passado no primeiro ciclista da história a vencer as Voltas ao País Basco, Romandia e Suíça, tendo triunfado também no emblemático Angliru na 13.ª da Vuelta.

“Taticamente, parece-me também um corredor muito inteligente e, depois, sabe em cada momento onde tem de estar. Isso é o principal. Em qualquer desporto, mas particularmente no ciclismo, quanto antes saibas até onde podes chegar, mais cedo poderás tirar partido da tua profissão”, concluiu Pereiro.

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