“A verdade é que, no início do Giro, sentia-me bastante bem e esperava que a coisa até corresse bem. Mas, depois, infelizmente, tive problemas respiratórios e, depois, mais tarde, alguns problemas estomacais, o que me arrastou um bocadinho para não estar a 100%”, começou por reconhecer à agência Lusa.
Mesmo sem “a melhor saúde”, o capitão da Movistar procurou “ajudar a equipa o melhor possível”, tendo concluído a sua 23.ª grande Volta.
Recordista português de presenças em corridas de três semanas, Nelsinho igualou o já retirado Sylwester Szmyd, o único outro ciclista que completou as 23 ‘grandes’ em que participou.
“Começo a ter um bocadinho dessa noção. No final, são 23 grandes Voltas e faz-nos voltar tempos atrás e recordar como foi a minha primeira grande Volta e ver as diferenças que há. Realmente, o ciclismo mudou muito, mas sinto-me agradecido por ter chegado até aqui”, assumiu.
Foi na Volta a Espanha de 2011 que a odisseia de Nelson Oliveira começou, com o experiente luso a ter participado já em 10 edições da prova espanhola, nove do Tour e quatro da corsa rosa, a última das quais concluída este domingo.
“Foi um Giro agridoce. Nem bem, nem mal. Estou agradecido, porque cheguei a Roma, não nas melhores condições físicas, mas foi o que se pôde fazer. Por vezes, as coisas não são como nós queremos, são como nós podemos. Mas estou contente por, pelo menos, chegar a Roma são e salvo, sem grandes contratempos. Sei que dei o meu melhor, não me arrependo de nada”, garantiu.
O ciclista da Vilarinho do Bairro (Anadia) prefere não antecipar os próximos desafios, até por ainda não estar recuperado da constipação que teve, como a sua voz denuncia.
“Vou ter um período de recuperação e veremos, depois, como o corpo estará. Agora, não quero ouvir falar de mais corridas para já, porque, quer queiramos quer não, este Giro foi bastante duro, não tanto fisicamente, mas mentalmente, e temos de recuperar bem”, defendeu.
Neste momento, Oliveira está de reserva para o Tour, agendado entre 04 e 26 de julho. “Não sei se o farei ou não. (...) Saberemos muito em breve”, pontuou.
Veterano entre os ciclistas portugueses no WorldTour, o duas vezes diplomado olímpico mostrou-se ainda orgulhoso por ver o compatriota Afonso Eulálio (Bahrain Victorious), um antigo companheiro de treinos, conquistar a classificação da juventude na 109.ª Volta a Itália.
“Foi bastante bom e fico contente pelo Eulálio. Acho que é um corredor que soube crescer e soube entrar no WorldTour e o resultado tem-se vindo a ver. A própria equipa confiou nele e bem. Ele soube aproveitar essa oportunidade e está de parabéns”, salientou.
Para Nelsinho, que o melhor jovem deste Giro apontou como seu ciclista favorito do pelotão, a maglia bianca do figueirense de 24 anos e o seu sexto lugar na geral são mais do que merecidos.
Oliveira concluiu este domingo a 109.ª edição da corsa rosa na 66.ª posição, a 03:38.31 horas do vencedor, o dinamarquês Jonas Vingegaard (Visma-Lease a Bike), depois de ter chegado integrado no pelotão na 21.ª e última etapa, conquistada pelo italiano Jonathan Milan (Lidl-Trek) no final de 131 quilómetros com início e final em Roma.
