A 50 quilómetros do final, o camisola branca sofreu uma queda e pareceu ficar maltratado, mas, confirmando o espírito combativo que já tinha demonstrado quando andou vestido de rosa, tentou surpreender os favoritos por duas vezes, vendo o seu sonho de estrear-se a vencer em grandes Voltas desvanecer-se a apenas 2.000 metros da meta.
Em Pieve di Soligo, após 171 quilómetros desde Fai della Paganella, impôs-se pela terceira vez nesta edição o jovem Paul Magnier, à frente dos locais Edoardo Zambanini (Bahrain Victorious) e Jonathan Milan (Lidl-Trek), respetivamente segundo e terceiro com as mesmas 03:46.50 horas do vencedor.
“Não esperava que (a vitória) acontecesse hoje, o que torna tudo mais bonito”, disse o francês de 22 anos, após ter conseguido superar o muro que antecedeu a meta e recuperar a camisola dos pontos.
Foi no Muro di Ca' del Poggio que o português da Bahrain Victorious atacou pela primeira vez, antes de distanciar-se novamente na companhia de Johannes Kulset (Uno-X), sem que conseguisse ganhar a etapa ou alterar a sua situação na geral, na qual é quinto, a 05.40 minutos de Jonas Vingegaard (Visma-Lease a Bike).
Numa jornada em que surpreendentemente foram os sprinters a discutir a etapa, o dinamarquês manteve os 04.03 minutos de vantagem sobre o austríaco Felix Gall (Decathlon) e os 04.27 sobre o neerlandês Thymen Arensman (Netcompany INEOS), que é terceiro.
Na última tirada desenhada para fugitivos, Nelson Oliveira (Movistar) foi um dos que mais tentou, mas foram o incansável Mattia Bais, pelo nono dia em fuga neste Giro, e o seu colega Andrea Mifsud (Polti-VisitMalta), James Shaw (EF Education-EasyPost) e Jonas Geens (Alpecin-Premier Tech) aqueles que ganharam uma margem suficiente para o pelotão.
A jornada decorreu sem sobressaltos até à entrada dos derradeiros 50 quilómetros, quando Eulálio caiu, numa zona de abastecimento apeado.
O pelotão incompreensivelmente não esperou pelo camisola branca, que ficou a mais de um minuto dos restantes candidatos à geral, mas que conseguiu regressar uns 15 quilómetros depois, após ser assistido pelo médico da prova.
Apesar da queda, o português da Bahrain Victorious foi o primeiro a atacar entre os homens da geral, a uma dezena de quilómetros da meta, pouco depois de Geens ser alcançado.
Foi o próprio maglia rosa a responder ao figueirense de 24 anos, que voltou a tentar a sua sorte na companhia de Johannes Kulset e falhou por apenas 2.000 metros a sua intenção, acabando por chegar integrado no pelotão.
Já Nelson Oliveira (Movistar) e António Morgado (UAE Emirates) perderam, respetivamente, 04.51 minutos e 05.15, na véspera da 19.ª etapa, que terá 5.000 metros de desnível acumulado na ligação entre Feltre e Alleghe (Piani di Pezzè).
A tirada de sexta-feira toca o teto deste Giro, no Passo Giau, uma categoria especial situada a 2.305 metros de altitude, ao longo dos seus 151 quilómetros nos Dolomitas, que incluem seis contagens de montanha, quatro delas de segunda categoria, estando a última instalada na meta.
