Os dois maiores classicómanos da atualidade isolaram-se na derradeira subida a Montmartre e entraram no último quilómetro com o pelotão nas costas, mas uma aceleração de MVDP a 400 metros da meta permitiu ao neerlandês sobreviver para ‘bisar’ na 113.ª edição, à frente do colega Jasper Philipsen.
“Estava a pensar nisto há um ano. No ano passado, estava doente e tive de ver esta etapa na televisão. Já estava a pensar neste momento, e a forma como aconteceu é um sonho. É incrível. Foi super difícil e estar na luta com o melhor ciclista do mundo… todo o meu respeito pelo Tadej”, assumiu Van der Poel.
O estelar neerlandês pensou que ia ser alcançado mas encontrou forças que já não tinha para aguentar a perseguição do pelotão comandado pelo amigo Philipsen, que festejou como se a vitória fosse sua. Em terceiro, com as mesmas 01:58.49 horas do vencedor, chegou o camisola verde Mads Pedersen (Lidl-Trek).
Pogacar acabou por descair para cortar a meta com cinco dedos erguidos, os mesmos das vitórias que soma na Grande Boucle.
Novo recordista, a par dos franceses Jacques Anquetil e Bernard Hinault, do belga Eddy Merckx e do espanhol Miguel Induráin, o esloveno da UAE Emirates manteve os 06.26 minutos de vantagem sobre o belga Remco Evenepoel (Red Bull-BORA-hansgrohe) e 09.42 sobre o seu companheiro mexicano Isaac del Toro.
A 113.ª edição do Tour também foi de recorde para Nelson Oliveira (Movistar), o único português presente, que se tornou no ciclista com mais grandes Voltas consecutivas completadas (24).
Encurtada para apenas 88,7 quilómetros, devido à mobilização das forças de segurança para o combate aos incêndios que afetam o país, a última etapa da 113.ª Volta a França proporcionou espetáculo aos espetadores e uma curta festa aos vencedores.
Pogacar e Del Toro, o melhor jovem desta edição, Pedersen, o dinamarquês que concretizou um sonho ao vencer a classificação por pontos, e Richard Carapaz (EF Education-EasyPost), novamente rei da montanha dois anos depois, destacaram-se do pelotão quando foi dada a partida real.
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A ‘parada’ dos campeões, que permitiu fotos por equipas e também por nações, durou pouco mais de uma dezena de quilómetros, altura escolhida pelo inevitável Baptiste Veistroffer (Lotto Intermarché), o mais solitário dos ciclistas deste Tour, para atacar.
O francês demonstrou novamente toda a sua resiliência antes de ser apanhado quando ainda faltavam cinco voltas ao circuito dos Campos Elísios, momento escolhido pela organização para contar os tempos para a geral, uma benção para Pogacar, um declarado interessado na etapa deste domingo.
A 45 quilómetros da meta, Del Toro teve de mudar de bicicleta e, com a corrida lançada, não conseguiu recuperar, podendo seguir tranquilo na companhia de Lenny Martinez (Bahrain Victorious), o quinto da geral, Juan Ayuso (Lidl-Trek), sétimo, ou Tom Pidcock (Pinarello-Q36.5), nono, graças à benesse inexplicavelmente concedida pelos organizadores num dia seco.
O camisola amarela atacou pela primeira vez a pouco mais de 26 quilómetros da meta, na segunda de três subidas à Butte Montmartre, e foi seguido apenas por MVDP.
Perante a falta de colaboração do duo da frente, Evenepoel conseguiu alcançá-los, com os classicómanos por excelência do pelotão – faltava apenas Wout van Aert (Visma-Lease a Bike), vencedor no ano passado desta espetacular etapa – a receberem ainda a companhia de Pedersen.
Os quatro foram alcançados no empedrado dos Campos Elísios, antes de MVDP sacudir a corrida na derradeira passagem pela ‘sobrepovoada’ Montmartre, a pouco mais de 10 quilómetros da meta, levando na roda apenas Pogacar.
Habituados a disputar entre si as principais clássicas, Van der Poel e o agora pentacampeão do Tour colaboraram na perfeição para discutir a vitória na etapa, mas as equipas dos homens mais rápidos foram paulatinamente diminuindo a diferença, sem contudo conseguirem apanhar aquele que é um dos galáticos do pelotão.
Feita a festa final da edição que começou em 04 de julho, em Barcelona (Espanha), a ausência de Jonas Vingegaard (Visma-Lease a Bike), o campeão de 2022 e 2023 que tinha sido vice de Pogacar em 2021, 2024 e 2025 e que desistiu devido a queda, foi sentida por quem acompanha ano após ano a Volta a França e se habituou a ver o dinamarquês ocupar um dos dois primeiros lugares do pódio desde a sua estreia.
