O espanhol impôs-se ao camisola amarela, Alexis Guérin, e a Artem Nych, e ascendeu ao terceiro lugar da geral, atrás dos corredores da Anicolor-Campicarn, numa etapa com situações inéditas, incluindo os locais de partida – Vieira do Minho – e de chegada – vila do Gerês -, e as restrições definidas pela organização e pelo Instituto Nacional da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) na primeira contagem de montanha do dia, a subida à Mata da Albergaria, área protegida no seio do Parque Nacional da Peneda-Gerês.
Mais adiante, após passagem por território espanhol, a primeira na Volta desde 1995, os corredores depararam-se com a subida de 12,2 quilómetros de extensão e 6% de inclinação média, com duas secções em piso empedrado, que praticamente selou o destino da tirada.
Vencedor do prémio da combatividade do dia, Fábio Costa (Feira dos Sofás-Boavista) iniciou a escalada com 45 segundos de vantagem para o grupo principal, antes de o líder da classificação geral acelerar o ritmo e deixar para trás os vários elementos do top-10, sobrando apenas Nych, Pericas e Pedro Silva (Feira dos Sofás-Boavista) no seu encalço.
Depois de alcançar Fábio Costa, o quarteto continuou a ganhar tempo até passar a trio com a descolagem de Pedro Silva, antes de cruzar o alto de Germil, no concelho de Ponte da Barca, com 01.12 minutos de avanço para Jokin Murguialday (Euskaltel-Euskadi) e José Neves (GI Group Holding-Simoldes-UDO) e 01.57 minutos para o segundo grupo perseguidor, encabeçado por Tiago Antunes (Efapel).
Na série de descidas até à derradeira subida, o grupo da frente dilatou a margem para a concorrência e cruzou a meta com 02.21 minutos de avanço para Murguialday e Neves e 03.26 para o grupo de Antunes, o principal derrotado do dia, que caiu do terceiro para o sexto lugar da geral, a par de Txomin Juaristi (Euskaltel-Euskadi), anterior sétimo classificado da geral, que perdeu 23.51 minutos para o trio da frente.
Na reta da meta, o catalão de 20 anos assumiu cedo a dianteira do sprint, com Nych e Guérin incapazes de o ultrapassarem, e deu à sua equipa a terceira vitória em etapas na Volta, número que supera as duas da Anicolor-Campicarn.
“Foi uma etapa muito, muito dura que passou por Espanha. Estou muito orgulhoso de ganhar aqui em Portugal”, salientou o também líder da classificação da juventude, aos jornalistas.
Já Pedro Silva desceu no limite em busca de uma reentrada no grupo da frente e da eventual vitória na etapa, tendo cruzado a meta a apenas 28 segundos de Pericas, marca que lhe valeu a subida ao quarto lugar da geral, a 03.21 minutos de Guérin e a 01.24 minutos do último lugar do pódio.
“Tinha esta etapa marcada para vencer. Na subida de Germil, claudiquei um bocadinho nos últimos quilómetros. Acreditei que, na descida, poderia entrar outra vez. Acabei por 'morrer na praia', mas faço um balanço positivo da etapa, porque ganhei tempo aos adversários”, salientou o corredor de Barcelos.
A Feira dos Sofás-Boavista foi, aliás, protagonista da tirada assim que se deu a partida real, junto à barragem de Guilhofrei, com Rúben Rodrigues a afirmar-se como o primeiro a sair do pelotão, a par de Julius Johansen (UAE Emirates), e Fábio Costa a lançar-se para a frente da corrida na descida das Cerdeirinhas, a anteceder a primeira passagem pela vila do Gerês e a subida pela Mata da Albergaria até à fronteira luso-espanhola.
Perante a interdição ao público, a proibição dos veículos publicitários e a redução do número de veículos de apoio às equipas nesse troço do Parque Nacional, classificado como Reserva da Biosfera pela UNESCO, a corrida desenrolou-se de forma mais silenciosa do que é norma, retomando o figurino habitual assim que entrou em território espanhol.
