Pese as três etapas conquistadas e os dois pódios na Volta a Itália, em 2015 e em 2022, e os dois quartos lugares no Tour, em 2017 e 2020, o corredor, de 36 anos, apenas contava com uma etapa vencida na Vuelta, em 2015, e reforçou hoje o seu palmarés, eventualmente na etapa mais dura da corrida, entre La Cortegana e Collado del Alguacil, ponto final de uma inédita subida de categoria especial.
Após alcançar a frente da corrida a 55 quilómetros da meta, o ciclista do País Basco formou depois o trio dianteiro, com o norueguês Tobias Halland Johanessen (Uno-X) e o belga Ramses Debruyne (Alpecin-Premier Tech), na penúltima ascensão do dia, a El Duque, e desferiu o ataque decisivo na escalada final, a sete quilómetros da chegada.
Sem qualquer vitória na carreira desde 2021, ano em que conquistou a Volta a Burgos, Landa guardou a melhor versão deste ano para o final da última grande Volta do ano e garantiu uma vitória épica ao cabo de 04:58.01 horas, com 47 segundos de avanço para Johanessen e 01.27 minutos para Debruyne.
“Estou muito contente. É algo que procurava há muito tempo. É um momento emocional. Foi muito duro trabalhar para voltar a vencer. Hoje, era a última oportunidade (para conquistar uma etapa na Vuelta)", disse o 30.º geral.
Numa etapa repleta de movimentações, que viria a desfazer o pelotão e a transformá-lo em vários grupos ao longo dos 186,6 quilómetros, veterano da Soudal Quick-Step contribuiu para uma tarde em cheio para o ciclismo espanhol, já que Enric Mas garantiu virtualmente a vitória na 81.ª Vuelta, no único dia em que até perdeu tempo para um dos adversários diretos na classificação geral.
Num dia em que correu lado a lado com o segundo classificado, Primoz Roglic (Red Bull-BORA-hansgrohe), com o terceiro, Félix Gall (Decathlon), e o quarto, Richard Carapaz (EF Education-Easy Post), por cerca de 100 quilómetros, em grupos reduzidos, o maiorquino viu Gall atacar nos derradeiros três quilómetros e perdeu 17 segundos para o austríaco na meta.
A perda foi irrelevante para a ordem dos quatro primeiros classificados, já que Mas parte para a 21.ª e última etapa, em Granada, com um circuito final junto ao complexo monumental de Alhambra, com 02.15 minutos de avanço sobre Roglic, 02.44 sobre Gall e 06.54 sobre Carapaz, ciclista que perdeu tempo após ensaiar vários ataques ao longo dos 186,6 quilómetros da etapa.
“É a primeira vez na minha vida que me sinto assim. Estou realmente feliz. Honestamente, estava apenas a contar os quilómetros (para o fim da etapa). A equipa voltou a fazer um trabalho magnífico. Ganhei (a Volta a Espanha), porque a equipa fez tudo para isso”, referiu Mas, numa altura em que basta concluir a etapa de domingo.
Se o lote dos quatro primeiros se manteve inalterado, o restante top 10 sofreu alterações, com realce para a aparição de última hora do norte-americano Sepp Kuss (Visma-Lease a Bike), vencedor da Vuelta de 2023, que iniciou a tirada no 11.º lugar e atacou para concluir a etapa a 04.35 minutos de Landa, o que lhe valeu a ascensão ao quinto posto da geral.
Incluído no top 5 na maioria da corrida, o britânico Oscar Onley (Ineos), de 23 anos, ficou cedo para trás hoje e desceu ao sexto lugar da classificação geral, mas segurou virtualmente a camisola branca, da juventude, ao manter-se a par de Jakob Omrzel (Bahrain-Victorious), que desceu a sétimo.
Outro corredor da Bahrain-Victorious, o colombiano Santiago Buitrago, é o vencedor virtual da classificação da montanha, com 78 pontos, à frente do belga Wout van Aert (Visma-Lease a Bike), que enverga a camisola verde, enquanto líder da classificação por pontos, com 326.
Primeiro fugitivo do dia, a par de Van Aert, o português Ivo Oliveira (UAE Emirates) foi 26.º na etapa, a 12.18 minutos de Landa, e ocupa o 99.º lugar da geral, a 03:47.31 horas de Mas, na antecâmara da 21.ª e última etapa, de 112 quilómetros, enquanto o outro luso da UAE Emirates, João Almeida, é 91.º da geral, a 03:32.05 horas.
