“O Desporto precisa de ser levado a sério pelo poder político. O que vemos neste plano é uma ausência total de preocupação. As federações e os dirigentes fizeram o seu trabalho e apresentaram soluções. Do lado do Governo, recebemos silêncio e indiferença”, lamentou Daniel Monteiro, presidente da CDP, em nota enviada à agência Lusa.
O PTRR foi anunciado pelo executivo para um horizonte temporal de nove anos e com um envelope financeiro global de 22,6 mil milhões de euros, dividido entre fundos públicos nacionais (37%), financiamento privado (34%) e fundos europeus (19%).
O primeiro-ministro, Luís Montenegro, indicou que o PTRR, criado para dar resposta ao mau tempo que devastou grandes áreas da zona centro do país, está dividido em três pilares: recuperar, proteger e responder, em 15 domínios, com 96 medidas.
A CDP recorda que, em 11 de março, o Conselho Nacional do Desporto (CND) reuniu extraordinariamente com um ponto único dedicado ao PTRR, pelo que a proposta agora conhecida “não podia ser mais dececionante”.
“O desporto volta a ser ignorado. A CDP vê, com alguma surpresa, que a realização de um CND exclusivamente para discutir os contributos do desporto para o PTRR se tenha traduzido numa mão cheia de nada, quando foram geradas expectativas óbvias dentro do setor”, critica o organismo.
O descontentamento da CDP torna-se mais evidente por ser entendido que o PTRR é “um instrumento estruturante de política pública, orientado para as pessoas, para as empresas e para os territórios”, defendendo que o desporto, “enquanto pilar essencial de coesão social, saúde pública, educação e desenvolvimento económico, não pode estar excluído destas prioridades”.
A Confederação do Desporto de Portugal recorda que já em 2021 o desporto ficou fora das áreas abrangidas pelo PRR (Plano de Recuperação e Resiliência), um programa nacional de reformas e investimentos, com um valor de 16,6 mil milhões de euros, para implementar até 2026.
Volvidos cinco anos, “repete-se o mesmo erro, apesar do trabalho sério e construtivo desenvolvido pelo setor, nomeadamente através das propostas apresentadas pela CDP ao Governo, que tinham como objetivo, precisamente, garantir que o setor integrava o PTRR”.
A instituição liderada por Daniel Monteiro diz que não é aceitável que o desporto “seja ignorado e colocado à margem”, num momento em que o país se mobiliza para responder a desafios estruturais e projetar o futuro.
“A CDP continuará a defender, com determinação, o reconhecimento do Desporto como prioridade estratégica nacional”, conclui o organismo.
