COP vê protocolo com COE como via para o desenvolvimento desportivo

Fernando Gomes, presidente do COP
Fernando Gomes, presidente do COPANTÓNIO COTRIM/LUSA

O presidente do Comité Olímpico de Portugal (COP) disse esta quinta-feira que o protocolo assinado com o Comité Olímpico Espanhol (COE) abre caminho para um intercâmbio entre os dois países, assente na partilha de conhecimento e modelos de desenvolvimento desportivo.

Em declarações aos jornalistas, à margem da assinatura do memorando de entendimento, em Lisboa, Fernando Gomes sublinhou que o acordo pretende transformar em prática aquilo que já existe informalmente em várias modalidades.

“Aquilo que nós queremos procurar são sinergias válidas que quer Espanha, quer Portugal possam aprender relativamente ao seu futuro, ao seu desenvolvimento”, salientou.

Questionado sobre o que significa, na prática, este intercâmbio, o dirigente português explicou que muitas relações já estão estabelecidas entre federações, mas agora ganham enquadramento institucional.

“Essa questão de intercâmbio já existe. Em algumas modalidades já estão estabelecidas. É, digamos assim, a institucionalização dessa relação ao nível dos comités e, havendo essa relação, poderá facilitar no futuro”, sublinhou.

Fernando Gomes destacou que Espanha deu um “salto qualitativo” desde os Jogos Olímpicos de Barcelona, em 1992, e que Portugal tem muito a ganhar com essa experiência.

Entre as áreas prioritárias, apontou a gestão dos Centros de Alto Rendimento e o funcionamento das equipas multidisciplinares que apoiam o Movimento Olímpico Espanhol.

“Podemos recolher um conjunto de informações que nos possam ser bastante úteis para o desenvolvimento dos nossos projetos”, realçou.

O presidente do COP lembrou que a cooperação transnacional é cada vez mais comum, citando o Mundial de futebol de 2030 (Portugal-Espanha-Marrocos) e o Europeu de Andebol 2028 (Portugal-Espanha-Suíça).

Por seu lado, o presidente do COE considerou que o acordo “não se limita ao sucesso desportivo”, mas pretende alargar o impacto social do desporto.

“Com este acordo o que estamos a fazer é alargar o campo de ação e pensar que o desporto é muito mais do que o sucesso desportivo”, disse Alejandro Blanco.

O dirigente espanhol sublinhou que a cooperação ibérica é essencial para melhorar atletas, treinadores e estruturas, mas também para reforçar o papel do desporto na sociedade.

“Se formos isolados no nosso país, temos um caminho a percorrer, mas se estivermos juntos, temos um caminho incrível a percorrer, muito mais longe”, destacou.

Aos jornalistas, Alejandro Blanco explicou ainda que o Mundial-2030 é um exemplo claro da tendência global para eventos multinacionais, demonstrando que países diferentes podem alcançar resultados comuns quando partilham objetivos.

O COP e o COE assinaram esta quinta-feira um protocolo de cooperação para aprofundar a relação estratégica entre os movimentos olímpicos e criar novas oportunidades para atletas, treinadores e federações.