A corrida no Circuito Internacional de Lusail, originalmente agendada para abril, mas adiada para 6 a 8 de novembro devido ao conflito regional, continua no calendário naquela que seria a 20.ª ronda da temporada.
Vários eventos desportivos na Arábia Saudita, incluindo o torneio de golfe Saudi International, os Campeonatos do Mundo de Ciclismo Urbano e o Mundial FIFAe, foram cancelados no início deste mês depois de um ataque ao aeroporto internacional de Riade ter provocado pelo menos 12 mortos e mais de 300 feridos.
No início desta semana, o Departamento de Estado dos EUA ordenou a alguns diplomatas e familiares que abandonassem as suas missões na Arábia Saudita e planeia retirar familiares de várias outras missões norte-americanas na região.
No entanto, uma fonte da MotoGP disse à Reuters que o Grande Prémio do Catar continua no calendário e que os preparativos prosseguem, acrescentando que a segurança e o bem-estar de todos os envolvidos eram a sua primeira prioridade.
Alex Márquez mostra-se cético
Alex Márquez, da Gresini Racing, que terminou em segundo lugar no campeonato da época passada, mostrou-se cético quanto à possibilidade de garantir verdadeiramente a segurança num ambiente tão volátil.
"Todos os dias, a situação muda e todos os dias parece pior. É assim que as coisas são", afirmou o espanhol antes do Grande Prémio da Austrália deste fim de semana: "O campeonato diz-nos que está tudo sob controlo, mas penso que ninguém tem uma situação como esta sob controlo. É bastante complexa. De um dia para o outro, tudo pode mudar muito, e penso que não é uma decisão que devam tomar agora. Devem ser realistas e esperar pelos próximos dias."
A Fórmula 1 também planeia realizar, conforme previsto, as duas últimas corridas da temporada no Catar e em Abu Dabi, com o presidente da Federação Internacional do Automóvel (FIA), Mohammed Ben Sulayem, a afirmar que a situação na região era atualmente "tranquila".
A Liberty Media, que adquiriu os direitos comerciais da F1 em 2017, assumiu o controlo da empresa-mãe da MotoGP, a Dorna, em 2024.
"É, sem dúvida, muito dinheiro envolvido no negócio e a Dorna quer tudo. É assim", acrescentou Márquez: "Mas também têm de zelar pela saúde de todos, porque muitas pessoas irão para lá."
Martín, líder do campeonato, ansioso por correr
Embora o campeonato de Fórmula 1 possa ficar decidido antes das duas últimas corridas da temporada — com o piloto da Mercedes Kimi Antonelli a deter uma vantagem de 102 pontos —, a luta pelo título da MotoGP continua extremamente equilibrada após 17 das 22 rondas.
Jorge Martín, da Aprilia, tem uma vantagem de dois pontos sobre o campeão em título da Ducati, Marc Marquez, antes da ação deste fim de semana no Circuito de Phillip Island.
"Quero ir para o Catar porque o circuito é incrível. Acredito no campeonato e nas decisões de quem o gere", afirmou Martin: "Ninguém disse que não vamos. É apenas mais uma corrida. Se formos, ótimo. Se não formos, também não há problema. Se os organizadores decidirem que podemos ir, será porque a nossa segurança está garantida."
O Grande Prémio do Catar tem sido uma presença quase constante no calendário da MotoGP desde a sua estreia, em 2004, tendo a única interrupção ocorrido em 2020, quando a corrida foi cancelada devido à pandemia de COVID-19.
