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Dakar-2026: João Matos estreia-se no olimpismo como "exemplo" do futsal

João Matos teve uma carreira de alto nível
João Matos teve uma carreira de alto nívelGERRIT VAN KEULEN / ANP / AFP

João Matos nunca pensou estar num “envolvimento olímpico”, mas está “orgulhoso e agradecido” por ter sido escolhido pela FIFA para ser "athlete model" em Dakar-2026, esperando contribuir para ajudar o futsal a estar nos Jogos Olímpicos.

“Sinceramente, fiquei surpreendido”, assumiu à agência Lusa aquele que o foi o futsalista mais internacional de sempre por Portugal, com 213 jogos.

O convite para estar presente nos Jogos Olímpicos da Juventude como especialista na modalidade aconteceu devido às “boas relações” que João Matos tem com a FIFA e com o seu responsável do futsal.

“Acaba por ser um reconhecimento pela carreira que fiz. Logicamente que há aqui um leque de inúmeros jogadores que a FIFA poderia contactar, que tiveram grandes carreiras e que também têm um peso na modalidade. E acabo por ficar surpreendido, mas ao mesmo tempo orgulhoso e agradecido por este convite”, declarou.

Para o antigo capitão do Sporting, clube que representou mais de duas décadas e do qual é um símbolo, o desafio para ser "athlete model" no primeiro evento olímpico realizado em África acaba por posicioná-lo como um atleta “com uma bonita carreira”.

Matos, de 39 anos, nunca acreditou que poderia estrear-se no olimpismo, até porque “o futsal está longe de ser olímpico”, mas acredita que essa terá de ser uma luta de todos os agentes da modalidade.

“Queremos muito dar esse passo seguinte e eu acho que isto são as primeiras pedras a serem lançadas. (…) Nunca pensei estar dentro de um envolvimento olímpico, mas quero muito estar para poder ajudar a que um dia, se possível, a modalidade futsal seja olímpica”, afirmou.

Em Dakar, onde aterra esta sexta-feira, mesmo a tempo de dar uma palestra, o antigo fixo espera transmitir o seu conhecimento aos jovens que “ambicionam dar passos grandes na modalidade”.

“Tenho estado em conversações com a organização, da parte da FIFA. Tenho estado a par das montagens dos pavilhões e sei mais ou menos aquilo que me espera. O que eu sei que vou encontrar é um clima de festa, um clima de diversão, de boa disposição dentro de um momento competitivo. E eu acho que isso é extremamente importante”, salientou.

Matos acredita que os Jogos Olímpicos da Juventude são uma “oportunidade única” para estes jovens, aconselhando-os a “desfrutar do momento”.

“Quando nos envolvemos em demasia com a competição, acabamos por nos deixar absorver pelo momento competitivo e pela intensidade dos momentos e acabamos por não desfrutar daquilo que é a envolvência. (…) Pode ser a única vez que atletas de futsal daquela idade vão estar presentes num momento destes, eles têm mesmo que o desfrutar, têm mesmo que viver”, reforçou.

O histórico internacional português vai aconselhá-los também a não deixarem de trabalhar e de ambicionar para concretizar os seus sonhos, de modo a terem sempre a consciência tranquila.

“Entendo que seja difícil na balança pesarmos aqui o compromisso e a atitude perante a competição com a parte do desfrutar. Eu acho que há tempo para tudo. Porque, ao fim e ao cabo, eles vão sair de lá com uma experiência. E essa experiência será marcante e terá que ser marcante”, notou.

Matos recordou nunca ter tido “uma experiência de seleção jovem”, lembrando que só enquanto sénior esteve nas “grandes competições”.

“E, depois, envolvi-me tão intensamente na competição que não desfrutava das pessoas, da cidade, mesmo dos colegas adversários. E só mais tarde é que eu percebi isso e acabei por tirar maior proveito”, revelou.

Na capital senegalesa, o internacional português vai encontrar a equipa nacional, que no sábado luta pelo acesso às meias-finais do torneio masculino frente ao Paraguai, mostrando-se confiante numa medalha.

“Acredito muito por várias vertentes. Uma delas é porque já treinei, ou já tive o prazer de receber alguns daqueles jovens nos treinos enquanto eu jogava, por isso sei da qualidade que eles têm. Sei da qualidade do desenvolvimento do futsal em Portugal e acredito muito que o caminho que está a ser trilhado é um caminho muito bem elaborado e bem feito”, começou por destacar.

Por conhecer “muito bem a equipa técnica e as suas ideologias e conceitos”, Matos acredita “piamente” que trabalharam de “forma árdua para que estes jovens conseguissem obter um bom resultado”.

“Logicamente, não jogam sozinhos, irão encontrar daqui para a frente adversários que irão pôr mais dificuldades e mais adversidades, mas sem dúvida que acredito muito que Portugal não só venha com a medalha, mas venha com a medalha principal”, concluiu.

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