Diogo Dalot sobre as críticas a Cristiano Ronaldo e à equipa: "Não vão acabar, mas o barco não vai parar"

Diogo Dalot ao lado de Cristiano Ronaldo no treino da seleção
Diogo Dalot ao lado de Cristiano Ronaldo no treino da seleçãoREUTERS/Marco Bello

Diogo Dalot foi o porta-voz da seleção nacional em mais um dia de preparação para o encontro frente ao Uzbequistão, relativo à segunda jornada da fase de grupos do Mundial-2026.

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Como está o ambiente depois do empate? "Diria que está bom. Obviamente, foram dias difíceis depois de um resultado que não queríamos, mas, à medida que o tempo passa, o foco muda e tudo volta ao normal. Queremos vencer o próximo jogo e estamos focados nisso".

Cristiano Ronaldo: "Já é sabido por toda a gente a forma como o Cristiano lida com a crítica. São mais de 20 anos a jogar pela Seleção. Tem transmitido confiança e que esta crítica faz parte. Estando na maior competição mundial, a crítica vai estar lá. A confiança é sempre a mesma, dele para nós e de nós para ele. Estará sempre pronto para ajudar".

Baixar as expectativas: "Acredito que sim. Tentamos sempre, nós, jogadores e staff, encontrar uma forma positiva de sair de momentos de dificuldade. Pode ser um ponto de não fugir à responsabilidade, mas de ter os pés bem assentes na terra. É impossível não passar por dificuldades numa competição como esta. Não me lembro de uma seleção que tenha vencido e que não tenha passado por dificuldades. Temos de olhar para o resultado como um ponto para melhorar para o próximo jogo. Mas queremos sentir que os portugueses continuam connosco e sabemos que temos qualidade para seguir em frente nesta competição".

Uzbequistão: "Vencer é sempre o mais importante. Convincente ou não, vamos procurar a vitória. Todos os pontos que possamos arrecadar são sempre importantes. É uma seleção bastante aguerrida e os próprios jogadores têm qualidade. Não podemos esperar um jogo fácil. Vão criar dificuldades, como o próprio Congo criou, e cabe-nos encontrar soluções e, durante o próprio jogo, conseguir vencer. Esse é o foco".

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Mais preparados? "Sem dúvida. O tempo é curto, não temos muito tempo para treinar entre jogos, mas, da análise que fizemos, há alguns aspetos bastante óbvios e ajustes a retificar que, no momento do jogo, são difíceis. Quem vê de fora tem mais facilidade. Nós, lá dentro, temos mais dificuldade em ajustar. O bom do futebol é que há sempre uma oportunidade para melhorar".

São injustas as críticas a Cristiano Ronaldo? "Não sou comentador. Por mais informações que cheguem, acho que já tiveram uma conferência ontem para perceber que o grupo está blindado. As críticas não vão acabar, mas a mensagem que queremos passar é que temos milhões de portugueses que querem que Portugal ganhe. Se quiserem remar connosco, o barco não vai parar. Entendo e sei bem que a crítica vai fazer parte e faz sempre parte do processo. Não podemos fugir, nem queremos. Volto a repetir: a mensagem é clara. Estamos bem, fortes e coesos. Sabemos o que temos de fazer para ganhar e queremos Portugal connosco. Mas há muita gente que não quer. Focamo-nos em quem nos quer apoiar".

Concorrência nas laterais: "A gestão é feita de forma natural. A minha carreira é feita disso mesmo. Tive sempre grande competição e isso só faz de mim melhor jogador. Faço tudo para poder jogar no clube e na seleção. O que consigo controlar, tento fazer ao máximo. Depois, as escolhas serão dos treinadores. Fui provando que, sempre que tive oportunidade, consigo ajudar. Ainda para mais numa competição destas, o desejo é muito grande. Temos de perceber que só podem jogar 11 e tenho consciência de que, numa competição destas, é muito difícil não haver oportunidade para toda a gente. Estou cá com o sangue na guelra para poder ajudar".

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Quem não quer que a Seleção vença? "Amigo, não vou dizer uma ou duas pessoas. Há muita gente que não quer que Portugal ganhe. Faz parte. Nem é minha função estar aqui a nomear pessoas. A minha função é treinar bem e passar a mensagem para vocês perceberem que o grupo está forte e unido. Esse é o nosso foco".

Cristiano Ronaldo e Félix juntos também no onze da seleção? "Se fôssemos por aí, temos muitos jogadores que jogaram juntos ao longo da carreira. Será sempre um ponto positivo. Cria boas dinâmicas e é uma grande vantagem do nosso grupo. Mas o contexto de Seleção será sempre diferente do contexto de clube. As dinâmicas e o modelo de jogo são diferentes. A grande qualidade de um jogador é encontrar soluções em dinâmicas diferentes e é isso que tentamos fazer ao máximo".

"Temos qualidade e podemos ir longe"

Alerta para as surpresas no Mundial: "Sei perfeitamente que, numa competição destas, seria ingénuo pensar que a parte teórica ganha jogos. Para as seleções chegarem aqui, têm de ter mérito. O que torna bonita uma competição destas é estar a acompanhar um jogo e não saber o que vai acontecer. Isso é o bonito do futebol".

Portugal é favorito? "Já tivemos o caso do primeiro jogo e temos de nos focar. Criou-se uma grande expectativa, e bem. Não quero que a seleção se esconda. Temos qualidade e podemos ir longe. Mas uma coisa é a expectativa e outra é aquilo que fazemos na realidade. Acho que temos qualidade e estamos a fazer por isso, claro, mas, às vezes, o resultado não transparece aquilo que queremos. Não fizemos o suficiente no último jogo, não… Temos mais uma oportunidade para alterar essa imagem. Queremos trabalhar e preparar esse jogo da melhor maneira possível. Essa ansiedade, depois de fazer o golo, de querer controlar ao máximo, sem procurar a baliza, acabou por nos trair um pouco em relação ao jogo jogado. Não devemos focar-nos muito no objetivo final, mas pensar em desfrutar, sem ansiedade. Queremos chegar ao final da competição vitoriosos, mas temos de ir passo a passo".

Portugal tem uma grande equipa? "Sem dúvida. Já demos provas disso".

Ataques aos jogadores nas redes sociais: "Sem revelar muito do que fazemos dentro do balneário, tivemos oportunidade de ter uma conversa sobre isto antes do Mundial. Quando tens um plantel, ainda para mais com o Cristiano, temos de estar preparados para um alarido um pouco diferente do normal. E não fugiu à regra. O facto de termos tido essa conversa pré-Mundial fez com que chegasse esta fase e o grupo estivesse blindado. Sabíamos que íamos passar por dificuldades e injustiças, com proporções gigantes… Lado positivo: aconteceu cedo. Quanto mais cedo, mais depressa também matamos o assunto e seguimos. Por mais que se critique Portugal e os jogadores, representamos um país e o objetivo é comum".

Os números de Diogo Dalot
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Disponibilidade para jogar a central: "O mister sabe que há jogadores capazes de jogar em várias posições. Eu já fiz várias posições e faz sentido, para mim, dar a entender que tenho essa capacidade. Mas não fui bater à porta e dizer que, se precisar de mim para central, estou disponível. Mas ele sabe".

Redes sociais e críticas: "A melhor maneira de contestar é dentro de campo. Temos de ter a confiança de que podemos ganhar. A melhor maneira de responder é essa".

Liderança de Cristiano Ronaldo: "Não é só o Cristiano. Temos muita experiência na equipa. Muitos jogadores estão no terceiro Mundial, outros no segundo. Eles transmitem essa calma ao grupo. Temos de manter a tranquilidade e não dramatizar. Não é um resultado que vai abalar a nossa qualidade".

Uzbequistão ultradefensivo: "Na análise que fizemos depois do primeiro jogo, quando jogas com uma equipa com um bloco baixo, se não tens uma estrutura bem feita, não é fácil encontrar espaços. Faltou isso: ter gente no meio da formação do Congo. Foi claro e isso é o mais positivo que podemos retirar. E agora, contra uma equipa treinada por um treinador (Fabio Canavarro) que é a sua imagem, com capacidade para fazer o que quer sem bola. Mais do que ter um plano, temos jogadores que podem encontrar soluções".

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