O Flashscore sentou-se com Eric Bailly, que atualmente joga no Real Oviedo, para falar sobre as suas memórias em Old Trafford, as lendas do balneário e o que o futuro lhe reserva.
- Descobriram-no num torneio juvenil com 17 anos e mudou-se da Costa do Marfim para Espanha. O que significa para si essa mudança olhando para trás?
Guardo recordações muito bonitas dessa fase. Jogar futebol sempre foi o meu sonho e, quando és jovem e cresces em África, sabes o quão difícil é chegar à Europa. Mas todas as minhas memórias desse momento são positivas.
- Venceu a Taça das Nações Africanas com a Costa do Marfim em 2015, logo no início da sua carreira internacional. Que recordações tem desse feito?
Foi a minha primeira convocatória pela seleção e vencer a Taça das Nações Africanas é o sonho de qualquer criança que cresce em África. Nunca vou esquecer esse momento. Até falar disso agora deixa-me feliz.
- Até onde acredita que a Costa do Marfim pode chegar no Mundial este ano?
Temos uma equipa muito boa. Jogadores jovens com muito talento. Amad Diallo, por exemplo, joguei com ele no Manchester United e é um talento excecional. Também temos jogadores experientes. No Mundial é preciso essa mistura de juventude e experiência, e nós temos isso.
Mundial-2026
O Campeonato do Mundo de 2026 será realizado de 11 de junho a 19 de julho nos Estados Unidos, Canadá e México. O torneio contará com 48 seleções nacionais e será disputado em 16 estádios modernos.
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- Consegue comparar este plantel com o de 2015 que venceu a Taça das Nações Africanas?
É muito diferente. Quando falas de jogadores como Yaya Touré e Kolo Touré, era outra geração. Agora temos uma nova geração. Por isso, no Mundial é fundamental ter jogadores experientes ao lado dos mais jovens. Mas acredito que podemos fazer algo bonito.
- Assinou pelo Manchester United em 2016. O que mais o impressionou ao chegar a um clube dessa dimensão?
É tudo... A dimensão, a pressão, tudo. Quando és jovem e acreditas no teu sonho de jogar futebol profissional, nunca pensas que algo assim possa acontecer. Assinar um contrato profissional quando comecei em Espanha já era um sonho. Depois, jogar no Manchester United foi incrível. A pressão que senti foi positiva. O treinador deu-me a oportunidade de mostrar o meu melhor e tentei dar tudo. Foi uma experiência feliz.
- Não se pode falar da sua passagem pelo United sem mencionar o José Mourinho. Como era trabalhar com ele no dia a dia?
Toda a gente conhece o José Mourinho. Para mim, é um dos melhores treinadores do mundo. O que surpreendeu muitos foi ele ter dado uma oportunidade a um jogador jovem como eu, tendo tantos nomes importantes. Sabia que tinha de dar absolutamente tudo. Continuo em contacto com ele até hoje. Era como uma figura paternal para os jogadores. Dava confiança, transmitia coisas positivas. Nos treinos era intenso; queria sempre o melhor de ti, mas depois era diferente; podias aproximar-te e falar com ele. Ficarei sempre grato por me ter dado a oportunidade de jogar no Manchester e conquistar títulos.
- As críticas de lendas como Roy Keane e Gary Neville afetaram-no pessoalmente?
Cada jogador tem uma mentalidade diferente. Para mim, jogadores como o Roy Keane e o Paul Scholes são lendas, e penso que deveriam ajudar a equipa. Alguns desses comentários não fazem sentido para mim. Quando és jovem, afeta-te mais; agora, com 32 anos, é diferente. Tornas-te mais forte.
- Quando o Ole Gunnar Solskjaer substituiu o Mourinho, quanto é que as coisas mudaram?
Cada treinador traz algo diferente. Com o Ole também tive uma boa relação. Tivemos bons e maus momentos. Mas sempre senti que o Manchester United era como uma família.
- O que pensa de Michael Carrick como treinador do Manchester United?
Na situação atual, penso que é a pessoa certa. Quando chegou, trouxe coisas boas e a equipa começou a ganhar jogos. Acho que o Manchester United devia dar-lhe tempo. Confio que o Carrick pode mudar a situação.
- Como era o balneário quando Cristiano Ronaldo regressou ao United em 2021?
Para mim, o Cristiano é o melhor jogador do mundo. Quando voltou, todos estavam felizes. Teve um impacto enorme. A sua dedicação era incrível. Era sempre o primeiro a chegar e o último a sair, todos os dias. Não gostei da forma como terminou a sua passagem pelo clube, mas o Cristiano deu tudo. Basta ver o que continua a fazer na Arábia Saudita com a idade que tem. É impressionante.
- Que recordações tem de jogar ao lado do Paul Pogba?
É maluco, mas no bom sentido. Paul Pogba é um grande jogador. Passou por momentos difíceis e falo com ele como um irmão. Acredito nele. Espero que consiga voltar e mostrar do que é capaz.
- Já consideraria Bruno Fernandes uma lenda do Manchester United?
Pessoalmente, sim, acho que já é uma lenda. O que fez de forma consistente durante tanto tempo a esse nível não é fácil. É o líder, o capitão, o melhor jogador do clube neste momento. Espero que fique muito tempo no Manchester.
- O Bailly e o Zlatan Ibrahimovic tinham uma relação especial. A maioria dos jogadores parecia intimidada por ele, como começou isso?
O balneário é como uma família. Eu era muito próximo dele. É um grande jogador e a nossa relação é especial. O que fez no Manchester foi extraordinário. Mas sim, alguns jogadores tinham-lhe medo; é maluco. Mas sempre no bom sentido, sempre de forma positiva.

- Foi emprestado ao Marselha. Como foi essa experiência?
Foi mais uma experiência importante. Fui para lá porque não tinha minutos suficientes no United, precisava de jogar para voltar mais forte. Quando regressei ao Manchester, tomei a decisão de sair do clube. Continuo em contacto com jogadores como o Bruno e o Amad. Agora continuo a minha carreira em Espanha e estou feliz.
- Tendo jogado nas duas, como compara a LaLiga e a Premier League?
São diferentes e ambas são competições muito fortes. A Premier League é uma das melhores ligas do mundo, mas quando vês o que os clubes espanhóis fazem na Liga dos Campeões, também percebes a qualidade. A LaLiga é muito técnica. A Premier League é mais física. Senti-me bem em ambas, isso já diz muito.
- Já pensou na vida depois do futebol?
Sempre tens um plano na cabeça, mas nunca sabes exatamente como vai correr. Não me vejo fora do futebol. Gostava muito de voltar a África e ajudar jovens talentosos, trazê-los para a Europa e ajudá-los a perceber o jogo. Esse é o meu primeiro pensamento.
