Exclusivo com Grafite: Desconfiança no Brasil como 2002, o fenómeno Endrick e o elogio a Portugal

Grafite conversou com o Flashscore sobre o momento da Seleção Brasileira e apontou favoritos no Mundial
Grafite conversou com o Flashscore sobre o momento da Seleção Brasileira e apontou favoritos no MundialFlashscore / ELMAR KREMSER/SVEN SIMON / SVEN SIMON / DPA PICTURE-ALLIANCE VIA AFP

A seleção brasileira faz a sua grande estreia no Mundial este sábado, contra Marrocos, às 23:00 (hora de Lisboa), no MetLife Stadium, em Nova Jérsia. Sob o comando de Carlo Ancelotti, a equipa canarinha entra em campo cercada por uma atmosfera que mistura a enorme expectativa dos adeptos e uma pitada de desconfiança externa.

Acompanhe aqui as incidências e o relato do Brasil-Marrocos

Para o ex-avançado Grafite, no entanto, esse cenário está longe de ser um problema: o momento atual remete diretamente aos anos em que o Brasil conquistou o tetra e o penta, quando a equipa também iniciou a caminhada sob o olhar desconfiado de adeptos e imprensa.

Para analisar o momento do Brasil e as principais forças da competição que começa agora, o ex-jogador partilhou a sua opinião em entrevista ao Flashscore.

Com a experiência de quem já defendeu a seleção brasileira no Mundial-2010 e brilhou nos relvados europeus, o antigo ponta de lança campeão pelo Wolfsburgo avaliou as opções táticas para o ataque e avaliou a transição de outras grandes potências.

Durante a conversa, demonstrou muito otimismo com o futuro do Brasil e colocou o jovem Endrick como o nome ideal para balançar o ataque. Além disso, Grafite trouxe um olhar atento e detalhado sobre o futebol europeu, posicionando a seleção da Alemanha como uma força perigosa que está a ser subestimada e que tem tudo para surpreender positivamente nesta edição.

Grafite analisou momento da Seleção Brasileira e apontou favoritos na Copa
Grafite analisou momento da Seleção Brasileira e apontou favoritos na CopaCHARLES SHOLL / BRAZIL PHOTO PRESS / BRAZIL PHOTO PRESS VIA AFP

- Qual é a sua expectativa para a seleção brasileira neste Mundial, considerando os treinos em Nova Jérsia e a situação do Neymar, que ainda não está totalmente recuperado?

Estou muito confiante de que a seleção brasileira possa repetir o que aconteceu em 1994 e 2002, quando chegou ao Mundial cercada por uma certa desconfiança dos adeptos e da imprensa por causa do ciclo que teve.  Acho que essa desconfiança diminuiu um pouco após a chegada do Ancelotti, que é um treinador de muito peso e que passa uma credibilidade enorme.

Conversando com jornalistas europeus, percebo que eles têm uma visão diferente e acreditam muito mais no Brasil do que nós próprios, pelo histórico de ser uma seleção pentacampeã. O plantel tem condições de crescer dentro da competição pela qualidade individual desta nova geração.

Ancelotti durante entrevista coletiva na véspera da estreia da Seleção Brasileira
Ancelotti durante entrevista coletiva na véspera da estreia da Seleção BrasileiraMAURO PIMENTEL / AFP

Sobre o Neymar, torço para que recupere e tenha o mínimo de condição para atuar alguns minutos. Sabemos que ele não conseguirá jogar 90 minutos nas partidas decisivas, mas entrar por 15 ou 20 minutos pode fazer toda a diferença. Aliando a experiência dele com a energia desses rapazes, o Brasil tem tudo para fazer um grande Mundial e chegar às finais.

- Pensando especificamente no ataque da seleção e na sua experiência, quem escolheria entre Igor Thiago, Endrick e Matheus Cunha?

Eu acredito muito no Endrick. É um jogador diferente. A característica, a volúpia e a explosão dele são acima da média. Ele é um avançado rompedor, que luta muito e entra firme nas divididas, algo que, com o tempo, vai aprender a dosear. O Igor Thiago também surgiu muito bem recentemente. É um camisola nove clássico, mas confesso que tenho um certo receio com essa função na seleção. Nos mundiais de 2014, 2018 e 2022, o sistema de jogo era totalmente virado para o Neymar, o que acabou por não beneficiar os avançados, como Fred, Gabriel Jesus, Firmino e o Richarlison, embora este tenha feito golos em 2022. 

Endrick no treinamento da Seleção em Nova Jersey
Endrick no treinamento da Seleção em Nova JerseyMAURO PIMENTEL / AFP

O camisola nove tradicional tem muita dificuldade para ser abastecido no modelo recente do Brasil. O Igor Thiago tem um estilo que até lembra o meu quando surgi na seleção em 2010, mas vejo o Endrick com potencial para ser a grande surpresa e ganhar a titularidade durante o torneio. Isso vai depender do esquema: se jogarmos com um meio-campo mais robusto e defensivo, ou com quatro atacantes, cenário que exigirá um sacrifício tático do Matheus Cunha para dar equilíbrio à equipa.

Igor Thiago é também uma das opções de Ancelotti para o ataque da Seleção Brasileira
Igor Thiago é também uma das opções de Ancelotti para o ataque da Seleção BrasileiraMAURO PIMENTEL / AFP

- Fez história no futebol alemão, como avalia a seleção da Alemanha neste processo de renovação tática e geracional?

O grande objetivo da Alemanha é fazer um Mundial muito superior aos de 2018 e 2022. Para um país tetracampeão do mundo, que foi campeão em 2014, ter duas eliminações precoces seguidas é péssimo para a imagem do futebol local. Recentemente, comentei com alguns jornalistas brasileiros que estamos falando muito pouco da Alemanha e de Portugal, duas seleções que contam com plantéis fortíssimos e podem surpreender. 

Preparação da seleção alemã para a Copa do Mundo
Preparação da seleção alemã para a Copa do MundoFEDERICO GAMBARINI / DPA / DPA PICTURE-ALLIANCE VIA AFP

É claro que não seriam surpresas no sentido de zebras, pois a Alemanha tem quatro títulos e Portugal tem um grupo espetacular. Acompanhei de perto a reta final deste ciclo alemão e foi uma pena a lesão sofrida pelo Lennart Karl, que era um jogador que ajudaria bastante. Mesmo assim, acredito que a Alemanha chega forte para fazer um bom Mundial, mostrando um desempenho bem diferente das últimas edições, até porque o encerramento de ciclo deles foi muito positivo.

- Para fechar, quais são as suas considerações táticas e as cinco seleções favoritas para conquistar o título mundial?

Hoje não dá para fugir de França e Espanha, que estão no primeiro patamar pelo futebol que vêm apresentando no cenário mundial. Logo a seguir, coloco a Argentina, por ser a atual campeã, o Brasil e a Alemanha, pela tradição e pelo peso de camisolas.

Correndo por fora, Portugal tem um plantel fortíssimo. Além disso, sempre temos alguma surpresa: seleções que chegam em um ótimo momento, como a Noruega, ou Marrocos, que surpreendeu no último Mundial. Mas, se tiver que fechar o top 5 histórico e técnico, fico com França, Espanha, Argentina, Brasil e fecho com a Alemanha ou Portugal.