“A partida da Ocean Race é um grande momento para a volta ao mundo e termos três partidas em Portugal vai dar uma visibilidade muito grande”, afirmou António Barros, destacando a dimensão internacional da competição.
O Porto vai acolher as partidas das edições de 2030, 2034 e 2038 da Ocean Race, prova de circum-navegação, numa ligação que se vai prolongar até 2040.
Além da regata de volta ao mundo, o Porto vai ainda receber uma corrida especial em 2028 e pelo menos mais seis eventos durante os próximos 13 anos, entre os quais a Ocean Race Europe.
“Isto realmente é um grande feito para Portugal. Isto é realmente uma marca a nível mundial de uma visibilidade enorme”, reiterou.
O dirigente distinguiu, contudo, o impacto da prova na vela offshore, de alto-mar, da vela inshore, disputada junto à costa, considerando que os efeitos no crescimento da modalidade não serão necessariamente imediatos.
“Não terá para já diretamente uma causa e efeito no crescimento da vela, mas, na marca e na divulgação da vela, tem todo o potencial para tornar a modalidade com muito maior visibilidade”, explicou, considerando que essa exposição poderá, “a curto prazo”, contribuir para captar mais velejadores e fazer crescer a modalidade.
Portugal conta já com experiência na Ocean Race, com velejadores que integraram equipas internacionais, entre os quais, destacou António Barros, Mariana Lobato, vencedora da última etapa da prova, disputada em França.
O dirigente lembrou ainda os casos de Diogo Cayolla, Bernardo Freitas e Frederico Melo, salientando que a participação de velejadores portugueses depende das equipas internacionais que disputam a prova e dos projetos que estas desenvolvem.
“Não temos nenhuma equipa portuguesa”, referiu, lembrando, contudo, que Portugal já contou com a Mirpuri Foundation como equipa na Ocean Race, projeto que entretanto deixou de existir.
A possibilidade de surgir uma nova equipa portuguesa até 2030 existe, mas António Barros considera prematuro fazer previsões, dado o elevado investimento necessário e a necessidade de encontrar patrocinadores capazes de suportar um projeto desta dimensão.
“Nós temos um histórico de ter uma equipa portuguesa. É possível que agora, com esta dinâmica, possa vir a haver um investimento para uma equipa portuguesa, é um investimento muito grande. E, portanto, é preciso que também haja patrocinadores que sustentem esse investimento”, afirmou.
António Barros admitiu ainda que a federação poderá equacionar iniciativas em parceria com a própria Ocean Race, lembrando que a organização já é parceira oficial da Volta a Portugal à Vela, competição que a FPV recuperou este ano, duas décadas depois da última edição.
“É possível que nós, agora com a vinda deles para cá e falando com eles, venhamos a organizar coisas em conjunto, obviamente na nossa costa portuguesa, de mais pequena dimensão, mas sim, programas paralelos ao que é a Ocean Race”, afirmou.
A Ocean Race vai instalar a sua sede na Kasa da Praia, no Porto, onde está igualmente prevista a criação de um Museu dos Oceanos, num projeto que representa um investimento de 22 milhões de euros para o município.
Para o dirigente, a instalação da sede da organização no Porto, associada às partidas da Ocean Race em 2030, 2034 e 2038 e a pelo menos mais seis eventos internacionais ao longo de 13 anos, terá um impacto que ultrapassa a dimensão estritamente desportiva.
“A própria cidade do Porto vai-se projetar como uma das grandes capitais mundiais do mar”, sustentou, lembrando que a Ocean Race tem “uma visibilidade mundial com um alcance enorme”.
Antes da estreia do Porto como ponto de partida das voltas ao mundo, Portugal voltará a estar no itinerário da competição já na edição de 2027, com Cascais a receber a chegada da quarta etapa, proveniente da Florida, e a partida para a ligação final até ao Mar Vermelho, na Arábia Saudita.
Lisboa acolheu anteriormente três edições consecutivas da prova, em 2012, 2014 e 2017.
O Ocean Race teve a sua primeira edição em 1973 e a próxima arranca em 17 de janeiro de 2027 de Alicante, cidade espanhola que vai acolher a grande partida pela sexta vez.
