A medida anunciada após uma reunião que decorreu em Vancouver, Canadá, vai permitir ao Conselho da FIFA aprovar o registo de uma seleção nacional - ou equipa representativa - em circunstâncias excecionais.
O objetivo, segundo a Federação Internacional de Futebol, é garantir que nenhuma jogadora é excluída da participação em competições internacionais, em conformidade com os princípios de universalidade, inclusão e não discriminação presentes nos estatutos da organização.
De acordo com o regulamento anterior, a FIFA exigia que a equipa fosse reconhecida pela Federação Afegã de Futebol, que não reconhece equipas de futebol feminino devido à proibição da prática do desporto pelas mulheres imposta pelo regime talibã, no poder desde 2021.
Segundo o presidente da FIFA, Gianni Infantino, tratou-se de um "passo decisivo" e sem precedentes no mundo do desporto.
"A FIFA ouviu as jogadoras porque é nosso dever proteger o direito de cada rapariga e mulher a jogar futebol e a representar a própria identidade", acrescentou frisando que se trata de um grupo de mulheres corajosas "dentro e fora do campo".
A reforma anunciada baseia-se na estratégia da FIFA para o futebol feminino no Afeganistão, aprovada em maio do ano passado, após a criação do Afghan Women United, uma equipa patrocinada pela entidade máxima do futebol mundial que oferece oportunidades às mulheres afegãs que vivem fora do país.
Desta forma e pela primeira vez, o grupo de jogadoras afegãs pode vir a representar o Afeganistão em jogos oficiais "com pleno reconhecimento desportivo".
"Esta decisão reconhece as futebolistas afegãs não como vítimas das circunstâncias, mas como atletas de elite com o direito de competir, de serem vistas e respeitadas. Demonstra o que se pode alcançar quando o desporto é regido por valores e liderança", afirmou Nadia Nadim, jogadora nascida no Afeganistão que jogou mais de 100 vezes pela seleção dinamarquesa.
Entretanto, a antiga capitã da seleção afegã, Khalida Popal, declarou que "para estas jogadoras, representar o Afeganistão é uma questão de identidade, dignidade e esperança."
Embora a alteração tenha entrado em vigor de imediato, a FIFA vai concentrar-se nas questões administrativas e preparatórias, como o registo das equipas e a criação de uma estrutura operacional e desportiva.
A FIFA vai também disponibilizar os recursos humanos, técnicos e financeiros necessários para garantir "um caminho seguro", profissional e sustentável para as competições oficiais.
A equipa, fundada e patrocinada pela FIFA, vai treinar na Nova Zelândia de 01 a 09 de junho, e no mesmo período vai disputar um jogo contra a seleção das Ilhas Cook.
