O engenheiro francês, de 51 anos, cuja equipa soma oito títulos de construtores e seis de pilotos, incluindo quatro do neerlandês Max Verstappen, avisa, contudo, que "não há armas secretas nem magia no desporto" automóvel, numa entrevista à AFP à margem do Grande Prémio de Singapura.
- A Red Bull é quarta este ano na classificação provisória, com 306 pontos. Qual é o objetivo para o final da época? É possível ultrapassar a McLaren, terceira com 317 pontos, ou até a Ferrari, segunda com 418 pontos?
- A competição é muito difícil, os outros são tão bons como nós, não somos melhores do que eles. Tentamos fazer sempre melhor e conseguimos ganhar uma corrida (Verstappen na Malásia, no domingo passado), mas ainda não somos campeões do mundo. O objetivo, a médio prazo, é ser campeão, mas ainda não o alcançámos. Para já, tudo o que podemos alcançar, no papel, é o P2, o segundo lugar. Isso não significa que o vamos conseguir, mas, se ficarmos satisfeitos com o que temos, nunca acabamos bem.
- O que fizeram ao longo da época para que o carro voltasse a ser competitivo desde o verão? Encontraram a fórmula milagrosa?
- É normal na F1 começar com um carro com o qual não se está necessariamente satisfeito. Tínhamos alguns desafios: estávamos um pouco acima do peso e tentámos melhorar continuamente o carro, partindo dos testes de inverno em Barcelona, passando pelo primeiro Grande Prémio, na Austrália, até Miami, Spielberg, na Áustria, e Baku. Tínhamos objetivos relacionados com o peso e com melhorias aerodinâmicas e mecânicas. O desempenho nunca é global, mas relativo aos outros, por isso é difícil avaliá-lo. E não, não encontrámos a arma secreta! Não há magia neste desporto, só há más surpresas! Pensamos que estamos a fazer tudo bem e, no fim, as coisas não funcionam exatamente como queremos. A complexidade do sistema está em encontrar compromissos entre o chassis, o motor e aquilo que o piloto pretende.
- O desenvolvimento bem-sucedido do carro convenceu Max Verstappen a voltar a assinar com a Red Bull? E o francês Isack Hadjar adaptou-se bem?
- Quanto a Verstappen, não tenho a certeza de que tenha sido isso. Tem mais a ver com o estado de espírito da equipa e com a nossa vontade de ganhar. Ao assinar, envia uma mensagem forte e positiva. Hadjar está a adaptar-se bem. O novo regulamento técnico, relativo aos motores híbridos elétricos e térmicos, contribuiu bastante para a sua adaptação. Foi uma reformulação completa para todos, que lhe permitiu entrar mais facilmente na equipa. Mas foi sobretudo frente a Max (Verstappen), que é excecional, que ele (Hadjar) conseguiu integrar-se bem. A sua abordagem é bastante boa e teve uma atitude positiva. Mas é sempre um desafio muito complicado competir com o melhor piloto da grelha. Um desafio que abraçou por completo.
