Análise: O que esperar do confronto entre os EUA e a Austrália

Christian Pulisic, dos EUA, e Nestory Irankunda, da Austrália
Christian Pulisic, dos EUA, e Nestory Irankunda, da AustráliaReuters/Flashscore

Esta sexta-feira marca o regresso dos Estados Unidos à competição, desta vez frente à Austrália, naquele que deverá ser o jogo que decide quem termina no topo do Grupo D, já que ambas as equipas venceram os seus jogos de estreia no torneio.

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Com o Estádio de Seattle completamente lotado e os adeptos a fazerem-se ouvir, o fator casa deverá beneficiar claramente os co-anfitriões (será o seu 20.º jogo consecutivo em solo americano), embora os Socceroos, que venceram três dos seus últimos quatro jogos no Mundial, certamente desejem nada mais do que o silêncio absoluto caso consigam surpreender.

EUA não vencem dois jogos seguidos no Mundial desde 1930

O triunfo sobre a Turquia no primeiro jogo do torneio vai motivar a equipa de Tony Popovic.

Tiveram apenas 30% de posse de bola, mas foram brilhantes no contra-ataque, enquanto os quatro golos que a equipa de Mauricio Pochettino marcou frente a um Paraguai sem argumentos também lhes dá confiança para o desafio que se segue.

No entanto, desde 1930 que os EUA não conseguem duas vitórias consecutivas em Mundiais, pelo que a história está claramente contra eles, mesmo tendo vencido recentemente a Austrália por 2-1 num amigável.

Em Folarin Balogun, os EUA contam com um jogador que parece ter atingido o auge no momento certo. Frente ao Paraguai, não só bisou como foi uma ameaça constante durante todo o jogo.

Juntamente com Christian Pulisic e Sergino Dest, os EUA apresentam um trio ofensivo com velocidade, potência e criatividade em abundância, embora o primeiro possa ser baixa devido a um problema na barriga da perna que o obrigou a sair no triunfo sobre o Paraguai.

Pulisic vai ser arriscado?

Pulisic também só participou brevemente no amigável frente à Austrália em outubro, tendo sido forçado a abandonar o relvado a meio da primeira parte, alguns dirão devido ao excesso de agressividade de um dos Socceroos no lance.

Mesmo que os avançados dos EUA consigam ser travados, as subidas pelos corredores dos laterais Antonee Robinson e Alex Freeman deverão também causar problemas à Austrália.

Quanto aos Socceroos, deverão apostar no talento de Nestory Irankunda para tentar chegar à vitória. Esteve em destaque frente aos EUA em outubro, conseguindo constantemente aparecer nas costas da defesa adversária, e se o jovem voltar a marcar, tornar-se-á o primeiro jogador com menos de 21 anos, desde Memphis Depay em 2014, a marcar nos seus dois primeiros jogos em Mundiais.

No que diz respeito ao momento atual, os co-anfitriões venceram três e perderam três dos seus últimos seis jogos em todas as competições, com 15 golos marcados e 13 concedidos, o que mostra que Pochettino ainda tem trabalho pela frente para tirar o máximo rendimento do seu plantel.

Golos à vista

Não surpreende, tendo em conta este registo, que em oito dos últimos nove jogos dos EUA ambas as equipas tenham marcado, com sete dos últimos oito encontros a registarem pelo menos 2,5 golos.

Onze desses 15 golos foram apontados ainda antes do intervalo, e os Socceroos sabem bem o que esperar assim que soar o apito inicial no Estádio de Seattle.

Resultados recentes dos duelos diretos
Resultados recentes dos duelos diretosOpta by Stats Perform

"Sabemos que eles vão entrar fortes, vão começar rápido, tal como fizeram no jogo de estreia", referiu o médio da Austrália e do Leicester City, Harry Souttar, na conferência de imprensa de antevisão.

"Por isso, temos de igualar essa intensidade. Quando tivermos a bola, temos de a segurar, tentar abrir espaços e jogar com os nossos pontos fortes", acrescentou.

Ryan de regresso no lugar de Beach?

A Austrália venceu três, empatou uma e perdeu duas das últimas seis partidas, com nove golos marcados e seis concedidos, pelo que também precisa de melhorar defensivamente.

O que será interessante perceber é se Popovic mantém o seu terceiro guarda-redes, Patrick Beach, nesta partida, devido à exibição irrepreensível no jogo de estreia, ou se devolve a braçadeira ao capitão Mathew Ryan para aquele que é o jogo mais importante dos Socceroos dos últimos tempos.

Aiden O'Neil e Mo Toure vão ambos realizar testes físicos à última hora para determinar a sua disponibilidade e, caso esta partida chegue demasiado cedo para ambos, a vantagem será claramente dos EUA.

Isto porque a Austrália tem dependido em particular da velocidade de Toure na frente para criar perigo quando está sob pressão, como aconteceu frente à Turquia, e sem essa opção poderá ter dificuldades em explorar as costas da defesa dos EUA.

Naturalmente, se o recente amigável entre ambas as seleções servir de referência para o que pode acontecer aqui, aliado ao que está em jogo, poderemos mesmo assistir a uma verdadeira batalha de resistência ao longo dos 90 minutos. Se esse cenário se concretizar, esperam-se faíscas.