Análise: Patrik Schick (República Checa), um jogador talhado para os grandes palcos

Schick pode voltar a ser o jogador decisivo para a República Checa
Schick pode voltar a ser o jogador decisivo para a República ChecaReuters

A associação entre a expressão motor da seleção checa e o nome de Patrik Schick (30 anos) nem sempre foi uma realidade. No passado, os treinadores tiveram frequentemente dificuldades em aproveitar o avançado do Bayer Leverkusen, que brilhava num dos principais clubes da Bundesliga. No entanto, é verdade que nos grandes torneios soma sete jogos e seis golos marcados. Também agora, no Mundial-2026, a seleção checa acredita que o talento da estrela voltará a fazer a diferença.

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Apesar de a convocatória checa para o Mundial-2026 contar com 26 nomes, se tivéssemos de apontar o jogador mais perigoso do grupo, seria claramente o avançado de 30 anos do Bayer Leverkusen.

Na última época da principal liga alemã, marcou 16 golos, um registo quase idêntico ao seu xG de 17,2. Na seleção checa, foi também o melhor marcador da qualificação.

A importância de Schick destaca-se do modelo de jogo que os checos têm praticado nos últimos anos. Enquanto o avançado de topo privilegia o futebol de combinação, os seus compatriotas apostam sobretudo num estilo fisicamente exigente, em que a beleza do jogo fica para segundo plano.

Mapa de remates de Patrik Schick na qualificação
Mapa de remates de Patrik Schick na qualificaçãoOpta by Stats Perform

E é precisamente entre estas duas tendências que tem de haver um ponto de encontro, para que a seleção checa além-Atlântico possa sonhar com o sucesso. Assim foi há cinco anos no Europeu, onde Schick marcou cinco golos e foi, juntamente com Cristiano Ronaldo, o melhor marcador do torneio, e também há dois anos na Alemanha, antes de ser afastado por lesão.

A discussão sobre se a República Checa deveria apostar na frente num jogador mais trabalhador, como Tomáš Chorý, pode ser pertinente, mas olhando para os dados de Schick, provavelmente é desnecessária.

Desde o regresso após uma longa lesão, no final de 2023, Schick marcou 37 golos pelo Leverkusen a partir de 29,8 xG, superando as expectativas em 7,2 golos. Nas cinco principais ligas europeias, apenas sete jogadores conseguiram superar esta métrica por uma margem maior nesse período.

Mapa de remates de Patrik Schick na última época da Bundesliga
Mapa de remates de Patrik Schick na última época da BundesligaOpta by Stats Perform

"Na época passada, teve ainda o segundo maior xG médio da Bundesliga. Dois anos seguidos com uma média de 0,5 por jogo. É um número fantástico para uma das TOP 5 ligas. No ano passado, em particular, foi impressionante: conseguiu transformar 10 xG em xGOT 17 graças à sua excelente finalização e acabou por marcar 20 golos (sem contar com penáltis). Isto significa que, no seu caso, estamos a falar de um nível de finalização de elite a nível mundial", afirmou o analista Marek Kabát no podcast do Flashscore.

É, portanto, evidente que o treinador Miroslav Koubek tem à sua disposição um avançado de topo. Agora tudo depende de como o vai utilizar e do apoio que receberá do resto da equipa. Por isso mesmo, a ligação entre Schick e a seleção checa nem sempre foi perfeita.

Durante muito tempo, foi notório que no contexto do clube se apresentava muito melhor do que com a camisola checa. As razões eram claras. No Leverkusen, integra um sistema de jogo bem definido, rodeado de jogadores de qualidade que lhe proporcionam o serviço ideal.

Já a República Checa não consegue combinar a esse nível. É uma equipa direta, mas depende muito de cruzamentos longos e das disputas pelos ressaltos que daí resultam. Só depois surge o cruzamento para a área. Esta é praticamente a única estratégia para colocar Schick em situações de finalização perigosa, quando falamos de oportunidades em jogo corrido.

É notável que, mesmo assim, Schick consegue destacar-se. Segundo os dados, está entre os melhores finalizadores de cabeça na área. Não é por acaso que três dos seus cinco golos na qualificação foram precisamente de cabeça. E quando se junta a isto a predileção checa pelos cruzamentos, com Vladimír Coufal a dominar no lado direito, cria-se um padrão recorrente no jogo checo.

Segundo Kabát, este é um dos problemas da seleção checa. "Será fundamental que a equipa checa encontre uma forma de utilizar Schick de modo semelhante ao Leverkusen. É importante que não sejam apenas cruzamentos. Faltam passes progressivos à equipa. Penso que Ladislav Krejčí pode ser útil nesse aspeto, pois, a partir da posição de central, é forte com bola e sabe conduzi-la. No entanto, isso não chega para colmatar a falta de progressão dos médios," acrescentou Kabát.

Gradualmente, porém, nota-se que a seleção checa está a adaptar-se ao perfil de Schick. Já antes do torneio ficou claro que a opção de jogar com dois avançados altos, Schick e Chorý, não é a ideal a longo prazo.

O treinador Koubek, após o play-off de março, concluiu que Schick é mais eficaz como ponta-de-lança isolado, rodeado de jogadores mais rápidos e dinâmicos. Curiosamente, é também o modelo a que está mais habituado no clube.

No cenário ideal, Schick precisaria de uma ligação muito maior com Pavel Šulc. É precisamente destes dois que dependerá o ataque checo, pelo menos no início do torneio. O jogo de preparação com a Guatemala confirmou a sua sintonia apenas em parte – combinaram bem no lance do primeiro golo checo. Depois, ambos foram desaparecendo do jogo.

Também porque a equipa optou por soluções simples, recorrendo a cruzamentos já a partir dos centrais e abdicando da construção apoiada e de qualquer ação progressiva. Nestas circunstâncias, Schick pode até tornar-se inútil para as necessidades checas. No Mundial-2026, Krejčí e companhia têm de encontrar forma de chegar ao avançado de topo e procurá-lo mais vezes.