Siga o Paraguai - França no Flashscore
Paraguai e França entram em campo no Lincoln Financial Field para um confronto de histórias cruzadas — dentro e fora das quatro linhas — envolvendo a potência europeia, a garra sul-americana e a terra que hoje acolhe ambas as equipas.
Além das comemorações de Filadélfia, o destino das três nações possui nós históricos profundos.

Enquanto a França é eternamente lembrada pela sua aliança crucial na independência dos EUA — uma amizade simbolizada globalmente pela Estátua da Liberdade —, o Paraguai encontrou em solo norte-americano a resposta para a salvação do seu próprio território. O Flashscore conta esta história.

Agradecimento eterno
Após a devastadora Guerra da Tríplice Aliança no século XIX, as fronteiras paraguaias estiveram sob severo risco. Foi o presidente americano Rutherford B. Hayes quem, numa arbitragem internacional em 1878, garantiu a soberania do Paraguai sobre a gigantesca região do Chaco. A gratidão é tamanha que a área hoje leva o nome de Departamento de Presidente Hayes, que tem Villa Hayes como capital.

Reencontro mundialista e golo de ouro
A memória do adepto não falha. Há exatamente 28 anos, no Mundial-1998, Paraguai e França enfrentaram-se na mesma fase dos oitavos de final. Naquela tarde em Lens, a França — que jogava em casa e caminhava para o seu primeiro título mundial — viveu o seu maior pesadelo no torneio.

O Paraguai, liderado por Chilavert, um dos maiores ídolos do futebol local, e uma defesa sólida com Gamarra e Ayala, ergueu uma verdadeira muralha. Os franceses agonizaram durante 114 minutos e só romperaram a muralha do adversário sul-americano com o primeiro Golo de Ouro da história dos Mundiais, marcado pelo central Laurent Blanc, após assistência de Robert Pires no prolongamento.

"Aquela partida mudou tudo para o nosso país. O espírito de luta está no nosso ADN. Ainda dói, claro que dói. Mas os próprios franceses disseram que fomos o adversário mais difícil daquele Mundial", relembrou o ex-médio paraguaio Carlos Humberto Paredes, que esteve em campo em 1998.
Favoritismo contra os "Devoradores de Gigantes"
O cenário atual traz um forte contraste tático, muito similar ao roteiro daquele Mundial em França. Sob o comando de Kylian Mbappé (um dos artilheiros do torneio, com 6 golos), os Bleus têm sido uma máquina — já são 13 golos em quatro jogos — e não perdem para sul-americanos em Mundiais desde 1978.

Já a Albirroja chega aos oitavos de final como a resistência, inclusive como a única seleção que avançou como uma das melhores terceiras classificadas a permanecer na disputa.
Pesa também o facto que os paraguaios proporcionaram a grande surpresa do torneio até ao momento, após eliminarem a tetracampeã Alemanha nos penáltis, nos 16 avos de final.
E olha, esse 'devorador de gigantes' lembrou muito o estilo defensivo da equipa de 1998, tendo finalizado a partida com apenas 24% de posse de bola e suportado 21 finalizações do adversário europeu. Para se ter uma ideia, a Alemanha não perdia para um adversário sul-americano desde a final do Mundial de 2002, na Coreia do Sul e no Japão, quando o Brasil se sagrou pentacampeão do mundo.

Para quem gosta de mística, o roteiro é perfeito: o mata-mata coloca Paraguai e França frente a frente de novo, justamente em Filadélfia e no dia mais importante do calendário americano. Entre o calor extremo e o aniversário da independência do país, o palco está pronto para um duelo onde a resistência sul-americana tentará estragar a festa da favorita França.
Mundial-2026
O Campeonato do Mundo de 2026 tem lugar de 11 de junho a 19 de julho nos Estados Unidos, Canadá e México. O torneio conta com 48 seleções nacionais e é disputado em 16 estádios modernos.
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