Diário do Mundial: Flashscore aterra em Nova Iorque e encontra um Mundial ainda invisível

Palco da estreia da seleção brasileira muda identidade visual para o Mundial
Palco da estreia da seleção brasileira muda identidade visual para o MundialANGELA WEISS / AFP

Depois de um voo de nove horas de São Paulo, a reportagem do Flashscore desembarcou nos Estados Unidos para a cobertura do maior Mundial de todos os tempos. Mas Nova Iorque — que teoricamente vai concentrar a euforia dos adeptos, a estreia da Seleção Brasileira e a grande final — continua na rotina frenética, com sinais tímidos (ou quase nulos) daquele "clima de Mundial" que os fãs de futebol conhecem bem.

A trajetória começa no desembarque no Aeroporto John F. Kennedy. A gigantesca estrutura, que recebe mais de 60 milhões de passageiros por ano, não registava nenhum sinal visual nítido de que o viajante estava a chegar ao país do Campeonato do Mundo.

Do desembarque à imigração, dos corredores com obras evidentes de modernização ao AirTrain, o fluxo seguia o ritmo habitual. Mesmo em pontos saturados, como a movimentada saída que se encontra com a estação Jamaica, em Queens, a rotina era marcada pelo vai e vem constante entre as escadas rolantes.

Estação Suthpin Boulevard-Archer Avenue, próxima ao Aeroporto JFK
Estação Suthpin Boulevard-Archer Avenue, próxima ao Aeroporto JFKJosias Pereira

O caminhar pelas estações de metro de Nova Iorque reserva ao turista ou morador da cidade mútiplas indicações visuais de espetáculos da Broadway, programas televisivos, filmes, anúncios. E tudo permanece assim. Sem um sinal evidente de Mundial. O que era habitual, manteve-se habitual. 

Penn Station em Nova Iorque
Penn Station em Nova IorqueJosias Pereira

Knicks dominam os holofotes em Manhattan

O assunto vem à tona pelos esforços visíveis dos últimos países-sede em transformar visualmente as cidades para o maior evento do planeta, especialmente em locais de grande circulação, como as estações de metro.

Restaurante próximo ao Garden com bandeiras dos países da Copa do Mundo
Restaurante próximo ao Garden com bandeiras dos países da Copa do MundoJosias Pereira

A caminhada sem referências visuais só foi quebrada ao avistar bandeiras de diversas nações num restaurante próximo do Madison Square Garden. Ali perto, os gigantescos painéis de LED do pavilhão exibiam propagandas de marcas parceiras do Mundial.

Publicidade ao Mundial em Nova Iorque
Publicidade ao Mundial em Nova IorqueJosias Pereira

Mas a referência logo se confundia com os New York Knicks, a grande sensação do momento. Afinal, a histórica franquia da NBA está de volta às finais depois de 27 anos, e a cidade vive um verdadeiro frenesim com a possibilidade de conquistar o título desde 1973.

Knicks, donos de Nova Iorque neste momento
Knicks, donos de Nova Iorque neste momentoJosias Pereira

Logo abaixo do Madison, a Penn Station, uma das principais estações de Nova Iorque, mantinha o Mundial escondido. Uma situação bastante peculiar, já que muitos dos comboios que deixam a cidade rumo a Secaucus — município de Nova Jérsia que será o polo de integração para o MetLife Stadium — saem exatamente de lá.

Penn Station numa sexta-feira atípica na ligação entre Nova Iorque e Nova Jérsia
Penn Station numa sexta-feira atípica na ligação entre Nova Iorque e Nova JérsiaJosias Pereira

Alerta nos trilhos e os preços do Mundial

E no dia da chegada do Flashscore a Nova Iorque, um acidente durante uma manutenção no local fechou por completo o acesso a Nova Jérsia. O episódio impactou milhões de pessoas que se deslocam pelas múltiplas linhas da região e ligou o sinal de alerta para o Mundial, mostrando como falhas deste tipo podem paralisar o sistema de transporte.

Atrasos e cancelamentos na Penn Station
Atrasos e cancelamentos na Penn StationJosias Pereira

O trajeto prosseguiu até o World Trade Center, onde a imponente estação Oculus - que se tornou um ponto turístico - também reservava zero referências ao Mundial. A travessia só foi interrompida no acesso aos comboios para Nova Jérsia.

Ali, placas sinalizavam o serviço especial montado pelo departamento de trânsito local para os dias de jogos, incluindo a estreia da seleção brasileira, alertando os usuários sobre o aumento no fluxo de passageiros.

Estação Oculus em Nova York
Estação Oculus em Nova YorkJosias Pereira

A sinalização também apontava para o reajuste das tarifas cotidianas, que passaram para 3,25 dólares (3 euros), e informava que o bilhete especial para os adeptos durante a Mundial custa 150 dólares (cerca de 130 euros). Dentro dos comboios rumo a Nova Jérsia, os avisos reforçavam as mudanças operacionais que aguardam os passageiros devido ao impacto do torneio.

Sinalização sobre o Mundial em direção a Nova Jérsia
Sinalização sobre o Mundial em direção a Nova JérsiaJosias Pereira

Com a operação totalmente impactada pelo acidente na Penn Station, a viagem rumo ao destino final da reportagem, em Cedar Grove, Nova Jérsia, incluiu uma paragem em Hoboken - onde sinais exibiam com orgulho que a cidade abriga o comité organizador do Mundial em Nova Iorque e Nova Jérsia.

Alertas para a mudança de circulação durante os jogos do Mundial
Alertas para a mudança de circulação durante os jogos do MundialJosias Pereira

Onde a engrenagem do Mundial pulsa

No final das contas, faz sentido que o Mundial esteja visualmente mais presente em solo de Jérsia. Apesar das críticas veladas à administração estadual pelo aumento no custo das passagens entre Nova Iorque e o MetLife Stadium, o torneio, de facto, acontecerá ali, já que o estádio fica em East Rutherford.

O Flashscore continuou até ao estádio para o credenciamento de imprensa. A poucos dias do primeiro jogo no local, o gigante metálico estava às voltas com o vai e vem de funcionários, voluntários e oficiais da FIFA ajustando os últimos detalhes da monstruosa operação que envolve um Campeonato do Mundo. Na futura sala de imprensa, por exemplo, os armários para os profissionais ainda estavam a ser montados. Já o credenciamento mostrou grande eficiência, sendo concluído em cerca de cinco minutos.

Imagens dos arredores do MetLife Stadium
Imagens dos arredores do MetLife StadiumCHARLY TRIBALLEAU / AFP

Do lado de fora, além do trabalho intenso, chamavam a atenção as sinalizações da FIFA cobrindo a marca MetLife, detentora dos naming rights do estádio. No lugar, a placa oficial exibe "New York / New Jersey" — uma identidade visual que traz consigo uma das múltiplas polémicas que rondam este Mundial.

A vaidade dos nomes esconde a realidade que os adeptos vão encontrar. Nova Iorque pode ter a fama, o turismo e o glamour da grande decisão, mas é Nova Jérsia que pulsa no ritmo dos preparativos, das tarifas salgadas e dos imprevistos nos trilhos. No fim, a caminho do MetLife, os adeptos vão descobrir que a verdadeira atmosfera de Mundial não está no painéis de LED em Manhattan; ela constrói-se no vaivém da imigração, na pressa dos voluntários e na jornada — por vezes caótica, mas histórica — de cruzar o Rio Hudson rumo ao apito inicial.

Placa com o símbolo de Nova Iorque e Nova Jérsia no Metlife Stadium
Placa com o símbolo de Nova Iorque e Nova Jérsia no Metlife StadiumCHARLY TRIBALLEAU / AFP