Ir para o conteúdo principal

CONCACAF critica e recusa plano FIFA de abrir mundiais a investidores privados

Infantino
InfantinoCARL DE SOUZA / AFP

A CONCACAF, que reúne 41 federações de futebol da América do Norte, Central e das Caraíbas, recusou esta quarta-feira formalmente o projeto da FIFA de abrir a investidores privados a comercialização dos Mundiais de futebol.

Leia também - Infantino tenta vender ações do Mundial da FIFA a privados, Trump envolvido e UEFA protesta

Durante a reunião, os membros expressaram fortes preocupações quanto à ausência de procedimento regular em torno desta proposta, ao prazo artificialmente curto imposto e ao facto de nenhum órgão de governação competente da FIFA a ter examinado ou aprovado”, justifica a Concacaf.

Em comunicado, a entidade sublinha que, “por estas razões, a CONCACAF e as suas 41 associações membro rejeitaram a proposta”, acrescentando que “o futuro do futebol - e o seu maior ativo - deve permanecer nas mãos da família do futebol”.

Apresentado na terça-feira, o plano da FIFA prevê a criação de uma empresa, a FIFA Forward Enterprise (FFE), encarregada de gerir as suas atividades comerciais (transmissão, patrocínio, venda de bilhetes, licenciamento) e eventos (Mundiais de seleções e de clubes, em ambos os sexos).

Leia também - FIFA encara modelo de comercialização como oportunidade em vez de obrigação

Os investidores privados poderão deter ações, mas manter-se-ão como acionistas minoritários, a rondar os 20%, prometeu a entidade máxima do futebol, que espera arrecadar até 4.200 milhões de dólares (cerca de 3.662 milhões de euros), com base numa avaliação de 20.000 milhões de dólares (17.437 ME).

A FIFA assegurou que continuaria a deter o controlo exclusivo, bem como a "autoridade exclusiva" sobre a governação do futebol, as competições, o calendário ou as decisões regulamentares.

Caso o projeto se concretize, cada uma das 211 federações-membro da FIFA poderá ver a sua dotação aumentar de oito milhões de dólares (sete ME) para 20 milhões de dólares (17,4 ME) no período de 2027 a 2030.

Face à onda generalizada de críticas do mundo do futebol, na quarta-feira, o presidente da FIFA, o ítalo-suíço Gianni Infantino, afirmou que o modelo de comercialização proposto é apenas uma oportunidade para as federações-membro do organismo, não uma obrigação.

A CONCACAF questiona ainda “a necessidade de recorrer a investimentos em capital-investimento para financiar novos programas FIFA Forward (programa de desenvolvimento do futebol mundial), bem como os já existentes, após o Mundial mais rentável da história”.

A UEFA, que reúne 55 federações europeias, ameaçou boicotar os próximos Mundiais, uma decisão tomada "por unanimidade" dos seus membros.

Leia também - Membros da UEFA votam de forma unânime para boicotar FIFA: "O Mundial não está à venda"

A CONCACAF, que representa os três países coorganizadores do Mundial-2026 (Estados Unidos, México e Canadá), não fala em boicote, mas incumbiu os seus representantes no Conselho da FIFA de "intimar o presidente da FIFA a garantir que qualquer questão siga os processos de governação adequados através dos serviços e do Conselho da FIFA, em conformidade com os estatutos".

O jornal britânico The Times avançou na quarta-feira que o presidente da FIFA deu um prazo de 53 dias às 211 federações-membro, entre as quais a Federação Portuguesa de Futebol (FPF), para aceitarem o modelo, a troco de alguns milhões de euros.

Para operacionalizar o projeto, a FIFA está a trabalhar com o banco J.P. Morgan, surgindo entre os potenciais investidores a Thrive Capital, fundada por Joshua Kushner, irmão de Jared Kushner, que é genro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.