Dois milhões de pessoas reuniram-se nas ruas da capital (recorde-se que a cidade de Madrid tem aproximadamente 3.500.000 habitantes) para homenagear os seus heróis nacionais.
Havia muitos madrilenos, mas também pessoas de outras regiões de Espanha que viajaram até à capital para celebrar o Mundial. Os comboios vindos de vários pontos do país, como Alicante ou Málaga, chegaram a esgotar os bilhetes e nas estações viam-se inúmeras camisolas da seleção nacional, tanto a vermelha como a branca.
Em Madrid, depois das receções oficiais na Zarzuela e na Moncloa, seguiu-se o desfile pelas ruas. Uma maré humana como nunca antes se viu acompanhou os campeões. Quando Espanha venceu o Mundial-2010, que foi o primeiro da sua história, segundo dados oficiais, o número de pessoas que saiu à rua rondou o milhão. Desta vez, o número duplicou.
A alegria transbordava para as ruas, onde estavam muitos espanhóis de origem, mas também muitos vindos de outros países, principalmente da América, mas também da Ásia e de África.

Cibeles, uma loucura
A chegada dos 26 campeões do mundo a Cibeles foi uma verdadeira loucura. Toda a zona envolvente estava congestionada. A área de Alcalá com a Gran Vía, os arredores da Casa de América e o Paseo de Recoletos, as imediações da Puerta de Alcalá e o Paseo del Prado.
Na verdade, a Polícia ordenou o encerramento da estação de Recoletos para evitar possíveis aglomerações, pelo que quem chegava a Cibeles nos comboios suburbanos tinha de o fazer sobretudo a partir de Atocha.
Os jogadores saíram um a um e foram aclamados pela multidão, cada um com a sua música favorita. Os mais ovacionados foram o capitão e Bola de Ouro Rodri; o selecionador nacional, Luis de la Fuente; o herói da final, Ferran Torres, e Marc Cucurella.
Rodri liderou a festa, como se pôde ver nas suas declarações em Cibeles. "Viva a mãe que me deu à luz, viva a mãe que os deu à luz a eles, viva Espanha, viva o Rei e já não sei o que mais dizer!". Cucurella entoou o "Cucu, Cucurella", enquanto De la Fuente, tal como fez há dois anos, voltou a cantar uma música de Julio Iglesias e recordou que "juntos somos mais fortes".
Além disso, cantou-se os parabéns a Álex Baena (que fazia 25 anos). O capitão (que entrou em palco ao som de "Freed from desire") e o jogador de Almeria tiveram uma sentida homenagem para Maria, a menina que participou na celebração do Europeu e faleceu recentemente devido a um sarcoma de Ewing.
Oyarzábal recuperou "La potra salvaje" e Cubarsí entrou ao som de "Mi gran noche" de Raphäel, enquanto Ferran escolheu a música que faz jus à sua alcunha: "El tiburón".

As atuações musicais animaram uma quente tarde de julho, em que Madrid se pintou de vermelho e amarelo. Atuaram Lola Índigo, Ana Mena, Aitana, Arde Bogotá e Viva Suecia.
Antes e depois da grande festa de segunda-feira, o que fica claro é que a seleção conquista. Sempre o fez, mas agora mais do que nunca, mostrando que Espanha também é um país de seleção. Com um palmarés de dois Mundiais (igualando França e Uruguai e superando Inglaterra) e quatro Europeus, a seleção nacional espanhola voltou a unir, como faz a cada dois verões, todo um país.
Na final frente à Argentina foi batido o recorde de audiência de qualquer programa televisivo em Espanha. Os 90 minutos de jogo foram vistos por 15,3 milhões de pessoas, com 86,3% de share, enquanto o prolongamento subiu para 16,6 milhões com 89,3% de share.
Mundial-2026
O Campeonato do Mundo de 2026 decorreu de 11 de junho a 19 de julho nos Estados Unidos, Canadá e México. O torneio contou com 48 seleções nacionais e foi disputado em 16 estádios.
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