Exclusivo com Daley Blind: "Ser eliminado duas vezes nos penáltis deixa uma má sensação"

Daley Blind no Mundial-2022
Daley Blind no Mundial-2022ČTK / DPA / Frank Hoermann / SVEN SIMON

Numa entrevista exclusiva ao Flashscore, o antigo jogador do Ajax e do Manchester United, Daley Blind, falou sobre as dolorosas eliminações que sofreu com os Países Baixos nos Mundiais de 2014 e 2022, e partilhou a sua opinião sobre as hipóteses da sua seleção na edição deste ano do torneio.

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Blind participou em todos os jogos pelos Países Baixos tanto no Mundial-2014 como no de 2022, tendo marcado dois golos e feito quatro assistências ao longo dos dois torneios.

Ambos terminaram exatamente da mesma forma para o defesa e para a sua seleção, com a Argentina a vencer nas grandes penalidades, nas meias-finais no Brasil e nos quartos de final no Catar. Com um golo tardio e espetacular dos Países Baixos, confrontos intensos e decisões polémicas da arbitragem, o jogo de 2022 ficou para a história como um clássico do Mundial.

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Acompanhe o relato no site ou na appFlashscore

Quatro anos depois, o jogador de 36 anos vai assistir do banco enquanto a Oranje procura finalmente sagrar-se campeã do mundo.

- Daley, falemos sobre o Mundial. Os Países Baixos são frequentemente vistos como outsiders nestes torneios, nem sempre como favoritos, mas sempre perigosos. Como os compara ao Brasil, Portugal, Argentina, França? Acredita que os Países Baixos podem vencer o Mundial?

- Sim. Como jogador neerlandês a ir ao Mundial, acredita-se sempre que é possível vencer. Caso contrário, não vale a pena ir. Não se vai apenas para jogar, vai-se para competir e tentar ganhar.

Acho que muitos jogadores da seleção nacional jogam agora nas principais ligas, em grandes clubes, por isso considero que é um plantel muito equilibrado e, como se sabe, todos têm uma oportunidade.

Penso que há muitos países que não gostam de defrontar os Países Baixos, por isso vamos ver. Estou muito curioso e vou acompanhar com muito interesse.

- Vamos recuar quatro anos até ao jogo louco contra a Argentina. Como o recorda?

- Penso que foi um jogo muito interessante. Aconteceram coisas incríveis durante esse jogo que nunca serão esquecidas. Houve realmente momentos que poderíamos discutir muito, mas prefiro não entrar por aí...

É realmente triste porque, por duas vezes no Mundial, perdi com a Argentina nas grandes penalidades, ou seja, não perdemos propriamente o jogo, mas as penalidades são como uma lotaria; pode-se ganhar ou perder. Ser eliminado do Mundial duas vezes nos penáltis deixa uma má sensação. Às vezes pensa-se que preferia perder 3-0, porque aí simplesmente não há hipóteses, mas em cada ocasião tivemos oportunidade, tivemos grandes ocasiões no jogo também, e, sim, perder nas penalidades é doloroso.

Sempre que jogámos no Mundial, pensava que algo especial podia acontecer se tivéssemos vencido nas penalidades, mas nunca se sabe. É o que é. É um risco, e foi uma grande experiência poder jogar no Mundial. Este jogo em particular foi completamente louco.

Como descreveria Ronald Koeman enquanto treinador?

- Acho que é um bom treinador. Já o provou em vários clubes ao longo da sua carreira. Sempre foi muito honesto comigo sobre os seus planos e sobre o que esperava de mim e dos jogadores, por isso sempre tive uma boa experiência com o Koeman.

- No que toca à liderança, quão importante é o Virgil van Dijk para esta equipa?

- Penso que, atualmente, há muitos jogadores na seleção nacional que são muito importantes. O Virgil é, naturalmente, um deles. É um grande líder, há muitos anos no Liverpool e, claro, também na seleção, mas penso que há um líder em todas as zonas da equipa dos Países Baixos. Há o Frenkie de Jong, que talvez seja mais discreto mas é realmente um líder, o Memphis Depay pode ser um verdadeiro líder no ataque. Portanto, em cada setor, pode haver jogadores muito importantes.

Como disse, é uma equipa que acredito que muitos países não gostariam de defrontar, e espero que façam realmente uma boa campanha e estou muito curioso para ver isso.