Com o Parma conquistou tudo – desde a Taça dos Vencedores das Taças à Supertaça Europeia e à Taça UEFA. No Newcastle, viveu uma noite inesquecível na Liga dos Campeões graças ao seu lendário hat-trick frente ao Barcelona, e com a Colômbia deixou a sua marca ao bisar na histórica vitória por 5-0 sobre a Argentina no coração de Buenos Aires.
Asprilla, que representou o seu país no Mundial de 1994, nos Estados Unidos, e no Mundial de 1998, em França, foi uma peça-chave na era dourada do futebol colombiano.
- O que retirou dos recentes particulares da Colômbia mesmo antes do início do Mundial?
- O problema dos particulares tão perto do arranque do torneio é que não permitem uma análise aprofundada. Os jogadores já estão com a cabeça no Mundial e não querem correr riscos desnecessários. Estes jogos assemelham-se mais a treinos em que ambas as equipas procuram apenas ganhar ritmo. Sinceramente, não há muito mais a dizer.
- Quais são as suas expectativas para a Colômbia neste Mundial?
- Tradicionalmente, só se espera o melhor da Colômbia. Os jogadores têm de dar tudo em campo para proporcionar uma grande alegria ao seu povo, que bem precisa disso.

- O selecionador da Argentina, Lionel Scaloni, incluiu a Colômbia entre as 10 equipas mais fortes do torneio. Até onde acha que pode chegar a equipa de Néstor Lorenzo?
- Bem, até as casas de apostas colocam a Colômbia entre os onze candidatos ao título. Não é propriamente novidade, mas se o treinador dos atuais campeões do mundo dá este crédito à equipa, isso dá um enorme impulso motivacional aos jogadores. No entanto, a seleção colombiana não deve impor limites, mas sim tentar ir o mais longe possível. É preciso encarar cada jogo como uma final.
- Tem muita experiência neste nível: como avalia o ataque da Colômbia?
- A Colômbia chega ao torneio com dois ou três avançados extremamente eficazes. Os nossos dois pontas de lança Jhon Córdoba e Luis Suárez, juntamente com Luis Díaz, estão cheios de confiança. Estão a marcar golos com facilidade nos seus clubes e todos esperamos que consigam repetir esses números pela seleção, especialmente neste Mundial.
- Na sua opinião, Luis Díaz está entre os melhores do mundo na sua posição?
- Estou absolutamente convencido de que, na sua posição, está entre os dois ou três melhores do mundo. A par de Khvicha Kvaratskhelia, do PSG, foi uma das grandes estrelas da última época."
- Um tema recorrente continua a ser James Rodríguez. Como se avalia um jogador antes de um torneio tão importante se lhe tem faltado regularidade nos últimos meses?
- Não sei como o selecionador planeia gerir o James no Mundial. Jogou muito pouco pelo seu clube e está fora dos relvados há cerca de um mês. Mas, como vimos frente à Costa Rica, o James nem sempre precisa de estar no centro do jogo. Basta um momento de inspiração para fazer um passe decisivo ou até resolver um jogo sozinho. É exatamente isso que esperamos dele agora.
- Qual é o seu sentimento geral em relação a este Mundial? Quem são os seus favoritos e quem pode surpreender?
- Vai ser um Mundial extremamente longo e exigente. Sinceramente, acho que muitas das seleções presentes são desnecessárias. 48 equipas é claramente demais, mas agora temos de aceitar. Na fase de grupos vamos assistir a grandes jogos, mas também a partidas que provavelmente serão bastante aborrecidas. O grupo de candidatos ao título mantém-se inalterado: são as nações que já conquistaram o Mundial. Todas as outras são apenas outsiders a tentar entrar neste clube exclusivo. Para mim, os favoritos são sempre aqueles que já têm o troféu do Mundial no emblema."
- O que pensa das novas regras? Por exemplo, o limite de 10 segundos para substituições e outras medidas que estão a ser introduzidas…
- Vamos ver como funciona na prática – por agora é apenas uma experiência. Há sempre uma tentativa de reduzir as injustiças no futebol, mas no fim, continuam a encontrar-se formas de favorecer as grandes seleções e penalizar as mais pequenas. Isso, no futebol, provavelmente nunca vai mudar.
- Também há novas diretrizes sobre o comportamento em campo, como a proibição de tapar a boca ao falar. Acha que isto pode afetar os jogadores durante os 90 minutos?
- Para ser sincero, não percebo. Hoje em dia, tenta-se mudar radicalmente o futebol em todos os aspetos. No entanto, o desporto devia ser vivido no relvado – com emoções verdadeiras, festejos e até um pouco de provocações entre jogadores. Pessoalmente, preferia o futebol de antigamente. Vamos ver o que este Mundial nos reserva e como as coisas evoluem.
- Já que mencionou o futebol do passado, que jogador atual mais lhe faz lembrar o Faustino Asprilla em campo?
- O futebol de hoje é quase impossível de comparar com o de antigamente, é um mundo completamente diferente. Os jogadores não podem ser realmente comparados aos da minha geração. Mas, se tivesse de escolher, talvez Kylian Mbappé, pelo seu estilo de corrida. Vejo-me nisso, pois também dependia muito da velocidade. Ele é um pouco como eu, embora o Mbappé esteja noutro patamar. O seu instinto para o golo é simplesmente fenomenal, é preciso reconhecer isso sem inveja.
Newcastle e o inesquecível hat-trick ao Barcelona
- Está entre os poucos avançados que podem dizer: "Eliminei o Barcelona da Liga dos Campeões com um hat-trick." Olhando para trás, o que significa para si essa conquista?
- Foi um dos jogos mais memoráveis da história do clube, o primeiro de sempre do Newcastle na principal competição europeia. São recordações maravilhosas. Não se marcam três golos ao Barcelona todos os dias. Foi, sem dúvida, uma das melhores noites de toda a minha carreira.
