O plano da FIFA era angariar até 4,2 mil milhões de dólares (3,6 mil milhões de euros) através da venda de cerca de 20% de uma nova unidade que iria gerir os eventos da FIFA, incluindo o Mundial.
A proposta, anunciada pela primeira vez na terça-feira, enfrentou de imediato uma forte oposição. O organismo que rege o futebol europeu, a UEFA, ameaçou boicotar os eventos e acusou a FIFA de colocar a "alma" do desporto à venda.
"Depois de ouvir atentamente todas as opiniões, ficou claro que o projeto criou divisões de tal ordem que, independentemente do nível de apoio, já não servem o objetivo inicialmente definido", afirmou Infantino num comunicado divulgado na noite de sexta-feira: "O nosso propósito sempre foi, e continuará a ser, unir e melhorar. Por isso, esta proposta não avançará."
A FIFA argumentou que a venda da participação minoritária nas suas operações comerciais permitiria angariar milhares de milhões de dólares para financiar o desenvolvimento global do desporto, e acusou os meios de comunicação de deturparem a proposta.
Infantino tinha escrito às associações membros a informar que receberiam 40 milhões de dólares (34,7 milhões de euros) cada uma se concordassem com a proposta da FIFA até 19 de setembro.
"Daqui para a frente, pretendo reunir todas as partes interessadas nos próximos dias e semanas, num espírito de interesse partilhado pelo nosso jogo, e com o objetivo de continuar a fazer crescer o futebol em todo o mundo, especialmente nos países que mais precisam do nosso apoio", afirmou Infantino no comunicado de sexta-feira.
União fez a força
A oposição ao plano intensificou-se ao longo da semana.
Na quinta-feira, as 55 nações membros da UEFA votaram por unanimidade o boicote a todos os torneios da FIFA até que a proposta fosse retirada, afirmando que o Mundial "não pode ser tratado como um produto de investimento." A CONCACAF, a federação de 41 membros da América do Norte, América Central e Caraíbas, rejeitou a proposta durante uma reunião na quinta-feira.
Nesta sexta-feira, a Confederação Asiática de Futebol, que conta com 47 membros, emitiu um comunicado a afirmar que "está solidária" com a UEFA e a CONCACAF. UEFA, CONCACAF e AFC somam 143 associações nacionais, bem mais de metade dos 211 membros da FIFA. Seria necessária a maioria dos membros a votar a favor do plano para que este avançasse.
O desacordo também foi interno. Na sexta-feira, o principal conselheiro de Infantino, Carlos Cordeiro, demitiu-se com efeitos imediatos, classificando o plano como "um mau negócio para o futebol", enquanto o diretor de operações da FIFA, Kevin Lamour, afirmou que os funcionários tinham sido "enganados" por Infantino, descrevendo a proposta como "um projeto de uma só pessoa".
Infantino, de 56 anos, vai a votos no próximo ano. O responsável máximo do futebol norte-americano, Victor Montagliani, estará, segundo relatos, a ponderar desafiar Infantino.
O primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, disse aos jornalistas que Infantino era "a pessoa errada para liderar a organização."
A FIFA tinha proposto a criação de uma subsidiária de 20 mil milhões de dólares (17,3 mil milhões de euros), a FIFA Forward Enterprise (FFE), para gerir o Mundial e os restantes eventos. A Thrive Eternal, um fundo gerido pela Thrive Capital, fundada por Joshua Kushner, estava prevista para liderar o grupo de investidores proposto, segundo a FIFA. Joshua é irmão de Jared Kushner, genro do presidente dos EUA, Donald Trump.
Trump e Infantino desenvolveram uma relação próxima, com os EUA a coorganizarem o recente Mundial de 2026. Trump afirmou não ter falado com Infantino sobre o plano de investimento externo.
