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Pessoal da FIFA foi "enganado" pelos projetos de Infantino, segundo o diretor de operações

O diretor de operações da FIFA, Kevin Lamour (em cima à esquerda), ao lado do presidente da UEFA, Aleksander Ceferin
O diretor de operações da FIFA, Kevin Lamour (em cima à esquerda), ao lado do presidente da UEFA, Aleksander CeferinČTK / imago sportfotodienst / Revierfoto

O diretor de operações da FIFA, Kevin Lamour, afirmou que o pessoal da FIFA foi "enganado" pelos projetos do presidente Gianni Infantino relativos à FIFA Forward Enterprise.

Gianni Infantino enviou uma proposta relativa à FIFA Forward Enterprise, uma empresa avaliada em 20 mil milhões de dólares que controlaria a organização e as receitas do Mundial da FIFA e seria presidida por Infantino, aos 211 membros da FIFA no início desta semana.

A proposta encontrou forte oposição, tendo a AFC e a CONCACAF rejeitado publicamente a ideia, enquanto os membros da UEFA votaram por unanimidade a favor do boicote a todas as competições da FIFA enquanto a proposta da FFE se mantiver em cima da mesa.

Numa declaração enviada à Associated Press, Kevin Lamour, diretor de operações da FIFA, juntou-se às críticas a Infantino, afirmando que o pessoal da FIFA foi "enganado" pela proposta de Infantino.

"Este é o projeto de uma só pessoa. Não só este projeto não deve avançar... como está na altura de os responsáveis políticos do futebol colocarem as questões certas e tomarem as decisões corretas", afirmou Lamour no seu comunicado.

Gianni Infantino, presidente da FIFA
Gianni Infantino, presidente da FIFAREUTERS/Brian Snyder/File Photo

Lamour ingressou na FIFA como diretor de operações em 2024, depois de ter sido secretário-geral adjunto da UEFA, organismo que integrou em 2007, trabalhando então ao lado de Infantino, que era secretário-geral interino da UEFA em 2007 e titular entre 2009 e 2016.

Lamour integrou também a equipa de campanha de Infantino nas eleições de 2016, ano em que este último foi eleito presidente da FIFA.

Lamour, francês de nascimento e detentor da dupla nacionalidade franco-suíça, sublinhou a sua posição contra Infantino ao colocar o seu cargo em risco.

"E se isso significar que perco o meu emprego, que assim seja. Compreenderei e respeitarei essa decisão. Pelo menos, dormirei bem esta noite", concluiu.

Mais cedo, esta sexta-feira, Carlos Cordeiro, conselheiro principal de Infantino, anunciou a sua demissão na sequência da proposta, afirmando que este projeto é "um mau negócio para as associações-membro da FIFA, um mau negócio para o futebol e um mau negócio para o futuro a longo prazo do jogo".