Gianni Infantino enviou uma proposta relativa à FIFA Forward Enterprise, uma empresa avaliada em 20 mil milhões de dólares que controlaria a organização e as receitas do Mundial da FIFA e seria presidida por Infantino, aos 211 membros da FIFA no início desta semana.
A proposta encontrou forte oposição, tendo a AFC e a CONCACAF rejeitado publicamente a ideia, enquanto os membros da UEFA votaram por unanimidade a favor do boicote a todas as competições da FIFA enquanto a proposta da FFE se mantiver em cima da mesa.
Numa declaração enviada à Associated Press, Kevin Lamour, diretor de operações da FIFA, juntou-se às críticas a Infantino, afirmando que o pessoal da FIFA foi "enganado" pela proposta de Infantino.
"Este é o projeto de uma só pessoa. Não só este projeto não deve avançar... como está na altura de os responsáveis políticos do futebol colocarem as questões certas e tomarem as decisões corretas", afirmou Lamour no seu comunicado.

Lamour ingressou na FIFA como diretor de operações em 2024, depois de ter sido secretário-geral adjunto da UEFA, organismo que integrou em 2007, trabalhando então ao lado de Infantino, que era secretário-geral interino da UEFA em 2007 e titular entre 2009 e 2016.
Lamour integrou também a equipa de campanha de Infantino nas eleições de 2016, ano em que este último foi eleito presidente da FIFA.
Lamour, francês de nascimento e detentor da dupla nacionalidade franco-suíça, sublinhou a sua posição contra Infantino ao colocar o seu cargo em risco.
"E se isso significar que perco o meu emprego, que assim seja. Compreenderei e respeitarei essa decisão. Pelo menos, dormirei bem esta noite", concluiu.
Mais cedo, esta sexta-feira, Carlos Cordeiro, conselheiro principal de Infantino, anunciou a sua demissão na sequência da proposta, afirmando que este projeto é "um mau negócio para as associações-membro da FIFA, um mau negócio para o futebol e um mau negócio para o futuro a longo prazo do jogo".
