Um pouco mais de um mês antes de a Noruega participar no seu primeiro Mundial deste milénio, Antonio Nusa lançou um livro com o título "Alt starter med en drøm" ("Tudo começa com um sonho").
No livro, o médio criativo de 21 anos do RB Leipzig, que se espera que desempenhe um papel crucial pela Noruega no Mundial, conta que a transferência do Stabaek para o Club Brugge não foi um mar de rosas, recordando a inveja dos colegas de equipa.
"Senti a dinâmica. Silêncio. Fofocas. Pessoas a olhar para mim e a falar uma língua que eu não percebia. Tenta imaginar que estás ali sozinho no balneário e todos te estão a encarar. Dois ou três rapazes que supostamente são teus colegas de equipa estão ali sentados a falar sobre ti, mas não contigo", lembrou.
"Ainda estava a desenvolver-me ali, e a ideia de pressão e stress era algo bastante novo para mim. Isso fez com que fosse muito influenciado pelo que se passava à minha volta, o que não é o ideal", explica Nusa à NRK.no.
Nusa refere que foi difícil chegar a um novo local onde todos falavam flamengo ou francês, e não havia outros noruegueses por perto.
"Era muito novo, e cheguei a um sítio onde ainda não me sentia totalmente confortável. Isso afetou-me dentro do relvado. E foi aí que começou o problema, que de certa forma se tornou um círculo vicioso".
"Enquanto jogava bom futebol, tudo bem. Mas quando não me sentia bem em campo e não jogava bem, tornou-se difícil. Essa foi a primeira dificuldade. Não conseguia jogar como eu próprio. Como consequência, as reações dos outros na equipa não foram as melhores. Não gostavam, e não gostavam de eu estar ali, a ocupar o lugar deles".

"Ao mesmo tempo, era três anos mais novo do que todos naquela equipa, por isso diziam: 'Olha, vem aí um miúdo de 16 anos jogar no nosso lugar, e nem sequer é bom.' Deixei que isso me afetasse", reconheceu.
"Não conseguia falar com ninguém sobre o assunto e acho que isso tornou tudo ainda mais complicado", acrescentou.
O jogador do Leipzig afirma que foi tão duro que, a certa altura, já não queria jogar pelas seleções nacionais dos escalões jovens. No livro, conta que só queria voltar para casa.
“Cheguei mesmo a discutir com a Federação Norueguesa de Futebol porque não queria ir ao estágio da seleção sub-17; só queria estar em casa. Imagina, um jovem não querer estar na seleção nacional. Mas a minha autoconfiança e motivação estavam em causa".
Desde então, as coisas melhoraram para Nusa. Atuando principalmente como extremo e médio criativo, foi um dos jogadores-chave do RB Leipzig esta época, oferecendo profundidade e velocidade decisiva, numa temporada em que o clube terminou em 3.º lugar na Bundesliga. Disputou mais de 2.000 minutos e realizou 31 jogos na Bundesliga esta época, contribuindo com golos e assistências importantes, tanto como titular como a sair do banco para fazer a diferença.
