Mundial-2026: Impulsionada pela raiva, África do Sul conquista surpreendentemente um lugar nos 16 avos de final

Thalente Mbatha celebra a vitória da África do Sul sobre a Coreia do Sul
Thalente Mbatha celebra a vitória da África do Sul sobre a Coreia do Sul ČTK / AP / Dolores Ochoa

Descartada pelos comentadores como sem hipóteses, a África do Sul transformou a sua raiva em combustível e lançou-se pela primeira vez para a fase a eliminar do Mundial, com uma vitória por 1-0 sobre a Coreia do Sul, na madrugada desta quinta-feira.

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Depois de uma exibição desastrosa no jogo de estreia frente aos co-anfitriões México, no Estádio Azteca, e de um penálti afortunado que lhes valeu um ponto frente à República Checa, no segundo jogo em Atlanta, uma equipa transformada e mais ofensiva saltou para o segundo lugar do Grupo A com a vitória sobre a Coreia do Sul, em Monterrey.

“Esta equipa esteve sob uma pressão imensa, não só dentro de campo, mas também fora dele”, afirmou o capitão Ronwen Williams.

“E para os jogadores conseguirem aparecer, quando estávamos encostados às cordas... Quero dizer, quando vi as publicações a apresentar as equipas que poderiam passar a fase de grupos e não nos davam qualquer hipótese, sabes que isso alimenta algo dentro de nós, que todos estão contra nós. Usámos isso como motivação e energia para lutar. E a luta que os rapazes mostraram... foi incrível", acrescentou.

É a primeira vez, em quatro tentativas, que conseguiram ultrapassar a fase de grupos. Em 2010, quando o Mundial se realizou na África do Sul, sofreram a humilhação de serem a primeira nação anfitriã a ser eliminada logo à primeira.

“Acho que fizemos um jogo muito bom, do ponto de vista tático", disse o treinador Hugo Broos.

“Todos cumpriram o seu papel. A diferença entre este jogo e o anterior (contra os checos) foi que, quando tínhamos a bola, éramos muito perigosos, e isso foi fundamental. Tínhamos jogadores muito rápidos no relvado e aproveitámos todos, encontrando os espaços", acrescentou.

Mas a finalização deficiente sempre foi uma marca do futebol sul-africano, e só ao minuto 65 conseguiram desbloquear o marcador.

“Tivemos algumas oportunidades na primeira parte e disse aos jogadores ao intervalo para continuarem a acreditar. Estou muito orgulhoso da exibição da minha equipa", afirmou o treinador belga de 74 anos, que se vai reformar após o torneio.

O marcador do golo, Thapelo Maseko, cujo clube sul-africano Mamelodi Sundowns, orientado pelo português Miguel Cardoso, emprestou-o em janeiro, por não conseguir entrar na equipa, foi catapultado para herói nacional.

“Sinto que estou a sonhar. Falhei alguns golos, desperdicei algumas oportunidades. Mas no fim consegui ajudar a equipa. Conseguimos prevalecer, e isso é o que importa", afirmou o jovem de 22 anos.