Mundial-2026: Autoridades mexicanas garantem segurança após tiroteio que matou turista

Elementos da Guarda Nacional em cima de um veículo com a Pirâmide da Lua ao fundo
Elementos da Guarda Nacional em cima de um veículo com a Pirâmide da Lua ao fundoReuters / Luis Cortes

As principais autoridades mexicanas prometeram esta terça-feira assegurar a segurança antes dos jogos do Mundial-2026, na sequência de um tiroteio junto às famosas pirâmides de Teotihuacan que resultou na morte de um turista canadiano, afirmando que o atirador parece ter sido influenciado por incidentes violentos ocorridos no estrangeiro.

Empunhando uma arma e com uma faca na mochila, um homem de 27 anos provocou o pânico ao disparar do topo de uma pirâmide no vasto complexo que é um dos principais pontos turísticos do México, segundo as autoridades. Acabou por tirar a própria vida.

As autoridades mexicanas referiram que agiu sozinho, disparando 14 vezes contra as vítimas e contra elementos da Polícia Militar da Guarda Nacional.

Literatura sobre atos de violência

Documentos na sua posse faziam referência ao massacre escolar de Columbine, ocorrido em 1999 no Colorado, e indicavam comportamentos psicopáticos, afirmou Luis Cervantes, procurador-geral do Estado do México, onde se situa Teotihuacan.

"Entre os seus pertences, as autoridades encontraram também ... literatura, imagens e documentos alegadamente relacionados com atos de violência que ... poderão ter ocorrido nos Estados Unidos em abril de 1999," declarou na conferência de imprensa diária do presidente.

Cervantes acrescentou que o tiroteio parece ter sido planeado e que o atirador já tinha visitado Teotihuacan, a cerca de 50 quilómetros da Cidade do México, várias vezes antes. Para além da arma, o atacante transportava um saco de plástico com 52 munições de calibre .38 Special. "Este ato não foi espontâneo", afirmou Cervantes.

Um turista que presenciou o tiroteio contou à Reuters que os visitantes também ouviram o agressor mencionar Columbine, um dos massacres mais conhecidos da história dos Estados Unidos, que terá inspirado outros ataques. Outra pessoa que também assistiu ao tiroteio confessou ter receado um número de vítimas mortais mais elevado.

"Ele disparava, disparava e disparava, e as balas faziam sons diferentes. Não sei porque parou com uma só pessoa. Graças a Deus que o fez", relatou Barak Hardley, um turista de Los Angeles, à Reuters.

Medidas de segurança reforçadas nos locais turísticos

O gabinete de segurança do México informou na segunda-feira que 13 pessoas ficaram feridas, incluindo uma criança de 13 anos e outra de 6 anos. As vítimas são oriundas do Canadá, dos Estados Unidos, da Colômbia, da Rússia, do Brasil e dos Países Baixos. Sete das vítimas sofreram ferimentos por arma de fogo, acrescentou Cervantes esta terça-feira.

"A resposta do Estado foi imediata e enérgica", afirmou o ministro da Segurança, Omar Garcia Harfuch, aos jornalistas, acrescentando que as forças de segurança vão reforçar as medidas de proteção nos sítios arqueológicos e noutros pontos turísticos de destaque.

Teotihuacan, um conjunto de imponentes pirâmides e templos que foi habitado entre 100 a.C. e 500 d.C. e mais tarde ocupado pelos astecas, recebeu 1,8 milhões de visitantes no ano passado, segundo o ministério do turismo do México.

O local, de grande valor histórico, reabrirá na quarta-feira com segurança reforçada, garantiu a Presidente mexicana, Claudia Sheinbaum.

Sheinbaum reiterou as garantias do México quanto à segurança durante o maior evento de futebol do mundo, que terá início a 11 de junho na Cidade do México, antes de prosseguir para jogos noutras grandes cidades mexicanas, e referiu que na segunda-feira se reuniu com representantes da FIFA, organizadora do Mundial, para discutir questões logísticas.

"Todos sabemos que nunca tínhamos assistido a algo assim no México. De acordo com o que os procuradores indicaram, esta pessoa apresentava sinais de problemas psicológicos e foi influenciada por acontecimentos ocorridos no estrangeiro", afirmou.

Sheinbaum já tinha sido questionada sobre a segurança em torno do Mundial após a captura e morte do barão da droga El Mencho, em março, ter desencadeado episódios de violência em várias regiões do país.