Mundial-2026: Cabo-verdianos em Luanda celebram novo empate dos “Tubarões Azuis” frente ao Uruguai

Cabo-verdianos celebram empate em Luanda
Cabo-verdianos celebram empate em LuandaAMPE ROGÉRIO / Lusa

"Nu bai, tubarões", gritou-se em Luanda. E eles foram. Com fé, garra e determinação, Cabo Verde enfrentou de cabeça erguida a equipa favorita e segurou um empate 2-2 com sabor a vitória.

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A capital angolana voltou a ser palco de festa para a comunidade cabo-verdiana no segundo jogo dos "Tubarões Azuis" no Mundial-2026, que decorre nos Estados Unidos, Canadá e México, desta vez frente ao Uruguai, no estádio de Miami, depois do empate inaugural frente a Espanha, que já tinha feito bater forte os corações da diáspora.

Mais de uma centena de cabo-verdianos juntaram-se na Fundação Arte e Cultura, na Ilha do Cabo, para celebrar uma partida ao ritmo da música das ilhas. Na mesa, não faltavam grogue, pastéis de atum, cuscuz, moreia e cachupa para matar o apetite e a sede dos adeptos.

Entre apitos de vuvuzelas e o ritmo da banda Raízes de Cabo Verde, dez minutos antes do apito inicial já se erguiam cachecóis, agitavam-se bandeiras e entoavam-se cânticos. De todas as idades e muitos vestidos a rigor com as cores nacionais, os adeptos cantaram emocionados o "Cântico da Liberdade", afirmando-se esperançosos nas mãos do guarda-redes Vozinha.

Luliana Monteiro, nascida em Angola mas de família cabo-verdiana, não tinha dúvidas: "Por aí não vai passar nada hoje", disse, olhos a brilhar e sorriso de orelha a orelha. Confessa ter vivido o primeiro jogo "emocionada", com o "coração quase a sair pela boca", vivendo com um “grande orgulho" o primeiro resultado que se saldou num empate.

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"A comunidade de Angola está convosco. ‘Nu bai’ (vamos lá), tubarões", encorajou em crioulo.

O embaixador de Cabo Verde em Angola, Júlio Morais, explicou à Lusa que foi fácil mobilizar a comunidade, dispersa pelos bairros de Luanda em pequenos núcleos ligados por estruturas informais de comunicação, e que respondeu com entusiasmo e grande adesão.

"Estamos aqui com a nossa dignidade para fazer frente" ao Uruguai, afirmou, antes do início do encontro, sublinhando que a primeira partida deixou na equipa "ambição e resiliência". "Com os pés no chão, vamos fazer o melhor, vamos mostrar a nossa competitividade com dignidade", reforçou.

O diplomata destacou também o impacto do Mundial na projeção internacional do arquipélago. "A marca Cabo Verde está muito mais global agora. Somos um país cuja economia assenta, sobretudo, no turismo, e tenho a certeza de que esta diplomacia cultural e desportiva elevará a nossa imagem a novos patamares", afirmou, antevendo mais visibilidade, investimento externo e interesse pelo país.

“Temos condições ótimas para fazer centros de estágio, por exemplo, quando é inverno na Europa ou em outros continentes”, sugeriu.

Angola conta, segundo a embaixada, com 35 a 40 mil cabo-verdianos registados — e muitos mais sem registo. "Em Angola já estamos na oitava geração. Com o alargamento da transição extraordinária à terceira geração, os números estão a crescer, sobretudo entre os jovens", disse Júlio Morais, acrescentando que o primeiro cabo-verdiano chegou a Benguela no início do século XIX.

"Geneticamente, devemos ter uns 200 a 300 mil descendentes, integrados em todas as áreas da sociedade, da economia e do poder", estimou.

Quanto ao jogo, o embaixador mostrou-se confiante: "Temos a certeza de que não vão deixar a nossa fama em mãos alheias. Sairemos de cabeça erguida, isso posso garantir".

Ao apito inicial, os nervos instalaram-se no anfiteatro da Fundação, com os adeptos a alternar injúrias e vaias, com aplausos a cada aproximação à baliza adversária e sofrimento face a aos remates desperdiçados.

A euforia explodiu aos 21 minutos com o golo de Kevin Pina a abrir o marcador, mas a alegria durou pouco: o Uruguai chegou ao empate e virou o resultado ainda antes do intervalo, mergulhando o anfiteatro da Fundação Arte e Cultura na desilusão.

A esperança reacendeu-se aos 61 minutos, quando Hélio Varela igualou e levou de novo os cabo-verdianos reunidos em Luanda ao rubro.

A partir daí, os olhos não largaram o ecrã gigante até ao apito final, que chegou com uma explosão de felicidade e festejos na ilha de Luanda, pelo triunfo das pequenas ilhas atlânticas na sua estreia num Mundial de futebol.