Exclusivo com Jérôme Boateng: "Como gostaria de ser recordado? Depende da cultura de quem falar de mim"

Jerome Boateng com a camisola da Alemanha
Jerome Boateng com a camisola da AlemanhaFIRO SPORTPHOTO/JURGEN FROMME / AUGENKLICK/FIRO SPORTPHOTO / DPA PICTURE-ALLIANCE VIA AFP

Jérôme Boateng, campeão do mundo com a Alemanha em 2014, volta a falar de futebol após os complexos episódios judiciais e pessoais que o envolveram, analisando o Mundial-2026, recordando os momentos mais altos da sua carreira futebolística e revelando os seus planos para o futuro, em exclusivo para o Flashscore.

Em 2010, Roberto Mancini quis levá-lo para o Manchester City para lhe ensinar a defender à inglesa com os fundamentos da escola italiana.

Hoje, 16 anos depois, Jérôme Boateng vê o Bayern Munique voltar a vencer sob o comando de Vincent Kompany, o colega de setor com quem partilhou durante anos o balneário bávaro, e reconhece nele a mesma calma e leitura de jogo que já o tinham impressionado enquanto jogador.

Jerome Boateng
Gianluca Comentale

Pelo meio, quinze anos passados entre as equipas mais fortes da Europa. Dois tripletes com o Bayern Munique, em 2013 e 2020. Um Mundial conquistado como titular na final do Rio de Janeiro, frente à Argentina de Messi. Mais de 300 presenças com a camisola bávara, antes das últimas épocas entre Lyon, Áustria e uma breve mas complicada passagem por Salerno.

Nesta entrevista ao Flashscore, Jérôme Boateng analisa o arranque do Mundial da Alemanha e do Gana, aponta as suas favoritas à vitória final, recorda os anos em Manchester com Mancini e os do Bayern com Kompany, fala do 7-1 ao Brasil e da final do Rio de Janeiro em 2014, e termina com uma história sobre Alessandro Del Piero que lhe mudou para sempre a perceção do que significa ser um fora de série.

Jérôme Boateng e Franck Ribery
Jérôme Boateng e Franck RiberyCHRISTOF STACHE / AFP

A vida após a retirada

- Já passaram alguns meses desde a retirada oficial do futebol profissional. Como se sente física e mentalmente, e qual é a sua rotina diária agora que já não tem treinos todas as manhãs?

- Sinceramente, estou bem, estou feliz e tudo está a correr pelo melhor. Claro que deixar de jogar futebol é uma decisão realmente difícil de tomar, porque estamos a falar da minha maior paixão, um sentimento que une todos os que praticam este desporto. Separar-me disso não foi nada fácil. Hoje, no entanto, estou em excelente forma: continuo a fazer muito exercício, treino no ginásio até duas vezes por dia, jogo padel e comecei a praticar boxe. De vez em quando ainda jogo futebol, depende dos dias, mas a atividade física continua a ser diária e sinto-me mesmo bem. Levo uma vida saudável e estou a descobrir novas oportunidades profissionais, sempre ligadas ao mundo do desporto. Até agora, não tenho mesmo razão de queixa.

- Pretende manter-se ligado ao mundo do futebol? Gostaria de seguir a carreira de treinador ou assumir um cargo diretivo?

- Sim, já comecei a estudar para tirar o curso de treinador. Na Alemanha já obtive a Licença B. Agora, o meu objetivo para a próxima época é encontrar uma equipa onde possa integrar-me como adjunto, para depois dar o passo seguinte e tirar a Licença A.

Os Mundiais

- Falemos do Mundial. Olhando para os jogos de estreia, a Alemanha teve um início arrasador frente a Curaçau, enquanto o Gana conseguiu arrancar uma vitória no final frente ao Panamá. Que impressão lhe deixaram as duas seleções no primeiro jogo?

- No que diz respeito à Alemanha, é uma equipa que conheço muito bem porque joguei tanto com como contra quase todos os seus jogadores, e sei que o grupo é realmente forte. Com todo o respeito pelo adversário, penso que ainda é cedo para avaliar o verdadeiro potencial dos alemães porque Curaçau não foi o teste mais exigente. O jogo desta noite era certamente muito mais complicado. Estou convencido de que a Alemanha pode ir muito longe.

Jérôme Boateng e Leon Goretzka
Jérôme Boateng e Leon GoretzkaJAN KUPPERT/SVEN SIMON / SVEN SIMON / DPA PICTURE-ALLIANCE VIA AFP

Quanto ao Gana, tenho de ser honesto: não me pareceu irresistível. É uma equipa muito jovem e neste momento está a lidar com seis ou sete lesões entre os jogadores mais importantes. Não estão a jogar com a melhor formação, mas para mim não pode haver desculpas. Fico feliz por terem vencido o primeiro jogo e espero que consigam somar mais pontos no grupo. Vai ser difícil devido à ausência destes jogadores-chave que atuam nos grandes clubes europeus. Para os mais jovens, de qualquer forma, isto continua a ser uma grande montra para somar minutos e ganhar experiência, também a pensar no próximo Mundial, onde certamente se apresentarão com um plantel mais maduro e competitivo.

- Como avalia a abordagem tática de Nagelsmann? Acha que, sob o seu comando, a seleção alemã pode chegar até ao fim?

- Neste momento parece-me que a equipa está a responder muito bem aos seus estímulos. É um treinador jovem e muito interessante, está a fazer um excelente trabalho. Acho que para um técnico da sua idade é normal ainda cometer alguns pequenos erros, mas ele demonstra uma grande capacidade de adaptação. É muito autocrítico e é excecional na gestão do grupo. Entre ele e os jogadores existe uma química fantástica, e sabemos bem que a harmonia do balneário é um dos fatores-chave para ir longe num Mundial.

- Além da Alemanha, quem vê como favorita à vitória final do Mundial este ano?

- Para ser sincero, até agora a Espanha não me pareceu no seu melhor, mas continua a ser uma seleção que deve sempre ser considerada candidata à vitória. Depois há, sem dúvida, a França: com o plantel que tem, é obrigada a partir na linha da frente. Penso que também a Inglaterra tem excelentes argumentos e pode ir longe. Quanto ao Brasil, não estou cem por cento convencido.

Jérôme Boateng festeja após o golo frente à Eslováquia no Europeu
Jérôme Boateng festeja após o golo frente à Eslováquia no EuropeuCLIVE ROSE / GETTY IMAGES EUROPE / GETTY IMAGES VIA AFP

O mesmo se aplica à Argentina: é uma excelente equipa, mas tenho algumas dúvidas sobre a sua capacidade quando tiverem de enfrentar as grandes seleções. Se tiver de indicar uma possível surpresa que pode chegar longe, digo a Colômbia. Têm excelentes jogadores, são um coletivo forte e sabem lutar juntos em campo.

O Mundial-2014 e a final do Rio de Janeiro

- Vamos recuar um pouco. Em 2014 foi um dos protagonistas do histórico 7-1 infligido ao Brasil em sua casa. Que recordações pessoais tem dessa noite, o que se sente em campo em momentos assim e se tiveram logo a perceção de que iam vencer o Mundial?

- Esse jogo contra o Brasil entrou diretamente para a história do futebol alemão. Bater uma nação tão grande no futebol com aquele resultado foi algo irreal. Estávamos muito bem preparados, mas nessa noite tudo nos saía com uma naturalidade desarmante, enquanto para eles foi uma noite para esquecer. Marcávamos a cada ataque, o ambiente era quase místico e para nós não foi fácil manter a frieza, a concentração e o foco sem nos deixarmos levar pelas emoções. Obviamente, esse triunfo deu-nos uma injeção de confiança enorme para a final, mas estávamos bem cientes de que um 7-1 na meia-final não te garante um golo de vantagem no jogo decisivo. A final contra a Argentina foi um jogo completamente diferente, duríssimo. Continua a ser uma página histórica da qual me orgulho profundamente. 

Jérôme Boateng celebra a vitória no Mundial
Jérôme Boateng celebra a vitória no MundialPATRIK STOLLARZ / AFP

Tenho de confessar, no entanto, que no final do jogo havia também um certo sentimento de melancolia: o povo brasileiro recebeu-nos e tratou-nos de forma excecional durante todo o torneio, e ver o estádio inteiro e um país inteiro a chorar foi um momento desportivamente marcante e um pouco estranho de viver em campo.

- Nessa final de 2014 contra a Argentina fez uma exibição monumental. Que recordações tem desse dia tão especial?

- Tenho uma história especial sobre essa final. Acordei na manhã do jogo e senti algo muito estranho, perguntei-me o que se estava a passar porque sentia-me incrivelmente bem. Tinha dormido muito bem, sentia uma energia e uma força fora do comum no meu corpo. Claro que havia tensão, como antes de qualquer grande momento, mas era aquele nervosismo positivo que te motiva. Essa sensação de omnipotência física e mental acompanhou-me durante os 120 minutos do jogo. Acho que fiz o melhor jogo de toda a minha carreira precisamente nessa ocasião. Fui realmente afortunado por esse pico de forma física e mental ter coincidido exatamente com a final do Mundial.

O corte em cima da linha de Jérôme Boateng durante a final do Rio
O corte em cima da linha de Jérôme Boateng durante a final do RioKIERAN MCMANUS / BACKPAGE IMAGES LTD / DPPI VIA AFP

A passagem pelo City e a relação com Mancini

- Durante a sua experiência no Manchester City, o treinador era Roberto Mancini. Que relação tinha com ele e que impacto teve na sua carreira nessa fase?

- Sempre tive uma excelente relação com ele, afinal foi o homem que me quis no Manchester City. Ensinou-me imenso do ponto de vista tático numa altura em que ainda era um jovem jogador em fase de crescimento. Transmitiu-me as bases e os segredos de como defender em Inglaterra aplicando os princípios da escola defensiva italiana, e por isso estou-lhe profundamente grato.

Jérôme Boateng com a camisola do Manchester City
Jérôme Boateng com a camisola do Manchester CityANDREW YATES / AFP

Os meus primeiros passos na Premier League sob a sua orientação não foram fáceis, até porque lesionei-me logo que cheguei ao clube, mas ele apoiou-me sempre. Saí de Manchester após apenas uma época, mas não por problemas com ele ou com o ambiente: simplesmente, quando o Bayern Munique te chama e és uma peça fundamental da seleção alemã, queres regressar ao teu país para estar mais sob os holofotes. Recentemente encontrei-o em Doha, no Catar; lamentámos não ter tido mais tempo juntos, mas o respeito mútuo mantém-se inalterado. Considero-o realmente um treinador de enorme qualidade.

- Quando estava no City, o clube dava os primeiros passos rumo à ascensão que o levou a ser a superpotência atual. Já sentia naquela altura que o clube estava destinado a dominar o futebol inglês e europeu?

- No que toca ao futebol inglês, sim, percebia claramente a enorme ambição deles e a presença de profissionais que estavam a fazer um trabalho extraordinário. Depois, a chegada de Pep Guardiola foi o fechar do círculo, era uma espécie de "destino traçado". No plano europeu estiveram muito bem na época em que conquistaram a Champions. Penso que ainda podem melhorar nos próximos anos, recentemente perderam algumas oportunidades. Em todo o caso, hoje estão firmemente entre as quatro ou cinco equipas mais fortes da Europa.

A experiência na Serie A

- Na sua carreira jogou na Bundesliga, Premier League, Ligue 1 e, recentemente, experimentou também a Serie A. Qual é a diferença mais marcante, em termos de estilo de jogo e ritmo, que encontrou no campeonato italiano em relação aos outros principais campeonatos europeus?

- A principal diferença está no aspeto tático: em Itália, a preparação estratégica dos treinadores e das equipas é levada ao extremo. O futebol italiano é menos frenético do que o inglês ou o alemão, mas exige uma concentração total. Marcar é muito difícil porque quase todas as equipas defendem com uma organização impecável. Raramente se veem jogos que terminam com goleadas como 5-0; os resultados mais comuns são 1-0, 1-1 ou 2-1, e isso torna o campeonato extremamente interessante.

Jérôme Boateng com a camisola da Salernitana
Jérôme Boateng com a camisola da SalernitanaGIUSEPPE MAFFIA / NURPHOTO / NURPHOTO VIA AFP

Por outro lado, pela minha experiência, a intensidade geral é ligeiramente inferior à da Premier League, Ligue 1 ou Bundesliga. Acredito que se as grandes históricas como a Inter, o AC Milan e a Juventus conseguissem elevar o ritmo e a intensidade para padrões mais altos, voltariam a ser dominantes. Na Serie A estão habituadas a controlar o jogo e a ter muita posse de bola contra adversários teoricamente inferiores, mas quando depois se defrontam na Champions League com colossos como o Bayern ou o Real Madrid, a falta desse hábito de alta intensidade faz-se notar.

- Que recordação tem da experiência na Serie A?

- O meu único grande lamento é ter chegado a Salerno demasiado tarde, e infelizmente ter-me lesionado após poucos jogos. Mas quero dizer que adorei a cidade de Salerno e o seu povo. É um lugar fantástico, com uma paixão incrível.

Jérôme Boateng antes do Salernitana-Empoli
Jérôme Boateng antes do Salernitana-EmpoliGIUSEPPE MAFFIA / NURPHOTO / NURPHOTO VIA AFP

Infelizmente, as coisas em termos futebolísticos não correram como esperávamos, mas espero de coração que a Salernitana consiga levantar-se rapidamente e regressar muito em breve à Serie A. É um clube que merece o melhor e desejo ao clube e aos adeptos tudo de bom para o futuro.

O encontro com Del Piero

- Houve algum adversário em particular que lhe fez passar um mau bocado em campo? Talvez até alguém que não esperava.

- Posso contar-te uma história realmente divertida sobre um grande campeão italiano: Alessandro Del Piero. Tenho muitos amigos em Itália que, quando era mais novo, não faziam outra coisa senão repetir-me o quão forte ele era. Eu, vendo-o apenas na televisão ou no Mundial-2006, respondia sempre: "Sim, é um ótimo avançado, mas não me parece esse fenómeno de outro mundo de que falam". Depois, em 2010, com o Manchester City defrontámos a Juventus na Liga Europa. Ele já tinha 36 ou 37 anos. Bastou-me vê-lo tocar na bola de perto em campo para mudar completamente de opinião: fiquei literalmente de boca aberta. Percebi que tinha à minha frente um dos jogadores mais extraordinários que alguma vez vi na vida. Tinha um controlo de bola e uma técnica sublimes, coisa de não acreditar.

Jérôme Boateng e Alessandro Del Piero
Jérôme Boateng e Alessandro Del PieroGIUSEPPE CACACE / AFP

Lembro-me que bastou-lhe um só toque orientado para me deixar fora do lance para um lado enquanto ele seguia para o outro. Foi uma lição de futebol impressionante. Espero que o Alessandro me perdoe por o ter subestimado na juventude. Não o conheço pessoalmente, mas além de ser um fora de série imenso parece-me realmente uma pessoa fantástica e encantadora.

O Bayern Munique e Vincent Kompany

- Viveu os melhores anos da carreira no Bayern Munique. Na última época, sob o comando de Vincent Kompany - que conhece muito bem por terem jogado juntos - o Bayern voltou a dominar a Bundesliga. Tendo-o tido como colega de setor em campo, reconhece no seu papel de treinador a mesma personalidade que tinha enquanto jogador? O que acha que mudou com a sua chegada para devolver o Bayern ao topo?

- Antes de mais, quero dizer que o Vincent é um grande amigo meu, tenho uma enorme admiração pelo Kompany enquanto pessoa. O seu estilo de jogo atual é claramente fruto das experiências acumuladas sob a orientação de grandes mestres como Mancini, Pellegrini e, claro, Guardiola. Como jogador era um defesa formidável: fortíssimo fisicamente, agressivo, dominante no jogo aéreo, rápido e dinâmico. O seu futebol reflete perfeitamente esse caráter. Como treinador, por outro lado, acho que é uma figura extremamente calma e ponderada. É muito sereno nas suas decisões, sabe perfeitamente o que faz e é incrivelmente inteligente a encontrar as soluções táticas certas. Tive o privilégio de falar muitas vezes com ele sobre futebol e ele tem sempre ideias muito claras. Trouxe ao Bayern uma identidade precisa e uma excelente gestão das relações humanas com os jogadores.

Vincent Kompany levanta a Taça da Alemanha
Vincent Kompany levanta a Taça da AlemanhaTOBIAS SCHWARZ / AFP

Em campo vê-se claramente que a equipa joga com tranquilidade; não digo que joguem apenas para o treinador, mas percebe-se que estão felizes, confortáveis e que abraçam com entusiasmo a sua filosofia de futebol. Isto, no futebol moderno, é um fator determinante.

Uma viagem entre passado e futuro

- Vamos às suas origens: o que o levou, em criança, a seguir o caminho do futebol?

- A minha primeira e maior fonte de inspiração foi o meu pai. Também ele jogava futebol, infelizmente teve de parar muito cedo devido a graves problemas nos joelhos, sem conseguir chegar a um nível elevado. Começou a pôr-me a chutar uma bola assim que comecei a andar. Foi aí que tudo começou. À medida que fui crescendo, comecei a devorar futebol na televisão: lembro-me das primeiras imagens do Mundial de Itália-90, do espetáculo do Brasil, e depois do Europeu de 96 e do Mundial de 98. Os meus ídolos absolutos eram os defesas da escola italiana, sobretudo o Paolo Maldini e o Fabio Cannavaro, estudava-os constantemente. Em 2006, quando tinha apenas 17 anos, tive a honra de jogar um amigável com a minha equipa contra a seleção principal da Alemanha antes de partirem para o Mundial, foi uma emoção indescritível. Era literalmente obcecado por futebol: adorava o Ronaldo (Nazário) e o Zinédine Zidane. Lembro-me que à noite, quando os meus pais me mandavam para a cama, escondia a televisão no quarto para ver os programas que transmitiam os resumos do campeonato italiano e do espanhol. Na minha cabeça só havia espaço para a bola.

- Jogou nos clubes mais prestigiados da Europa, venceu um Mundial e conquistou dois históricos tripletes. Quando daqui a vinte anos se falar da carreira de Jérôme Boateng, por que aspeto específico gostaria de ser mais recordado?

- Depende muito da cultura futebolística de quem falar de mim. Gostava que fosse recordada a minha evolução técnica e tática: como consegui modificar e aperfeiçoar o meu estilo de jogo na transição de jovem promessa para defesa maduro e experiente nos anos de ouro do Bayern, da Champions e do Mundial.

Jérôme Boateng abraça emocionado Pep Guardiola
Jérôme Boateng abraça emocionado Pep GuardiolaANDREAS GEBERT / DPA / DPA PICTURE-ALLIANCE VIA AFP

Se quem falar for alguém que acompanhou realmente a minha carreira, que percebe de futebol e sabe porque é que estive tantos anos a esse nível, então será interessante. Se, pelo contrário, a recordação se limitar a um simples "ganhou isto e aquilo, era um bom defesa", então significa que quem fala fica pela superfície sem aprofundar a verdadeira essência do futebol.